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Tom Zé

Cantor e compositor brasileiro

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Antônio José Santana Martins, conhecido como Tom Zé (Irará, 11 de outubro de 1936), é um compositor, cantor e poeta brasileiro.

É considerado uma das figuras mais originais da música popular brasileira, com seu estilo irreverente e experimental de composição musical. Participou do movimento tropicalista durante os anos 1960, se consolidando como uma voz alternativa influente no cenário musical brasileiro.

Em 2022, passou a ocupar uma cadeira na Academia Paulista de Letras.

Antônio José Santana Martins nasceu em 11 de outubro de 1936, na cidade de Irará, Bahia. Sua família era abastada, com os ganhos provenientes de um bilhete premiado de loteria.

Tom Zé passou sua infância no sertão baiano, em sua cidade natal. Na adolescência, passou a se interessar por música e aprender a tocar violão.

Sua primeira composição foi uma música chamada "Os Doidos de Irará", que relatava sobre personagens caricatos da cidade. A música foi tocada por uma banda local durante uma festa na cidade, sem que Tom Zé soubesse.

Nessa época, também se apresentou em programas de calouros de televisão. Se tornou diretor musical do Centro Popular de Cultura, gerido pelo Partido Comunista Brasileiro.

Em 1964, se matriculou na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia e teve aulas com professores como Hans-Joachim Koellreutter, Ernst Widmer e Walter Smetak. Se tornou bolsista, depois que o Centro Popular de Cultura foi perseguido pela ditadura militar. Na faculdade, Tom Zé passou a tocar violoncelo.

Em 1965, se apresentou no espetáculo Arena canta Bahia, musical dirigido por Augusto Boal em São Paulo, com a participação de outros músicos baianos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia.

Em 1968, convidado por Caetano Veloso, Tom Zé decide ir para São Paulo para fazer parte do movimento tropicalista. Em São Paulo, Tom Zé participou do álbum Tropicália ou Panis et Circensis. No mesmo ano, leva o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção "São Paulo, Meu Amor".

Ainda em 1968, Tom Zé lança seu primeiro álbum, Grande Liquidação. Nesse álbum, carregava fortes traços tropicalistas em suas canções. Nessa época, compôs diversas músicas junto com outros artistas, como a canção "2001", em parceria com Rita Lee. Com o fim do movimento tropicalista, Tom Zé passou a fazer shows em ambientes menores, principalmente associados ao movimento estudantil.Durante a década de 1970, lançou alguns álbuns como Todos os Olhos (1973) e Estudando o Samba (1976), que fizeram sucesso entre a crítica, tendo sido elogiado pela sua inventividade e criatividade, com o som experimental dos álbuns. Tom Zé passou a utilizar objetos não-convencionais para suas gravações, como uma enceradeira industrial.

Com o fracasso comercial de seus álbuns, Tom Zé decide, no final da década de 1980, se mudar de volta para a Bahia, onde trabalharia como gerente no posto de gasolina de um primo, enquanto sua esposa seria realocada, por ser funcionária pública. Antes de realizar a mudança, foi "descoberto" por David Byrne, ex-membro da banda Talking Heads, em uma visita ao Rio de Janeiro, que tinha a intenção de lançar Tom em seu selo Luaka Bop. Com o auxílio de Byrne, Tom Zé retomou sua carreira musical e fez uma turnê pela Europa.

Na década de 1990, Tom Zé passou a ser reconhecido mundialmente, por conta de suas turnês pelos Estados Unidos e Europa. Em 1998, seu álbum Com Defeito de Fabricação foi eleito como um dos dez melhores álbuns do ano pelo The New York Times. Compôs a trilha sonora do espetáculo de balé "Parabelo", que estreou em 1997, pelo Grupo Corpo.

Em 2006, foi lançado o filme Fabricando Tom Zé, documentário dirigido por Décio Matos Jr., sobre a vida e obra do músico.

Em 2013, lançou o álbum Tribunal do Feicebuqui, com parcerias com Emicida, Tim Bernardes e Tatá Aeroplano. O álbum foi criado em resposta à repercussão de sua participação como locutor em um comercial para a Coca-Cola.

Em 2019, foi publicada a biografia "Tom Zé: o último tropicalista", escrita pelo italiano Pietro Scaramuzzo. Em 2026, foi publicada a biografia "Stray Dog in the Milky Way", escrita pelo americano Christopher Dunn, lançada no Brasil sob o nome "Vira lata na Via Láctea", mesmo nome do álbum de Tom Zé lançado em 2014.

Tom Zé é casado com a jornalista e produtora Neusa Martins desde 1970. O casal se conheceu no final dos anos 1960, quando Neusa foi escolhida para entrevistar Tom.

Tom Zé é torcedor fanático do Corinthians. Em 1990, fez uma música em homenagem ao jogador Neto, o Xodó da Fiel, em alusão à sua não convocação para a Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1990.

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