Thomas Edward Patrick "Tom" Brady, Jr. (San Mateo, 3 de agosto de 1977) é um ex-jogador de futebol americano que atuava como quarterback na National Football League. Depois de jogar futebol americano universitário pela Universidade de Michigan, Brady foi selecionado pelo New England Patriots na sexta rodada do Draft de 2000 da NFL, time que viria a defender por quase vinte anos antes de se transferir para o Tampa Bay Buccaneers, equipe onde se aposentou.
Titular absoluto dos Patriots de 2001 a 2019, ele liderou a equipe de Foxborough em nove disputas de Super Bowl, um recorde na NFL, e conquistou sete títulos (XXXVI, XXXVIII, XXXIX, XLIX, LI, LIII e LV), a maior marca da história da liga entre jogadores. Também foi nomeado cinco vezes como o jogador mais valioso (MVP) das finais (XXXVI, XXXVIII, XLIX, LI e LV, outro recorde da NFL), além de ter sido eleito três vezes para o prêmio o MVP de temporada regular (2007, 2010 e 2017), sendo também selecionado para quinze Pro Bowls e ainda ajudou o seu time a conquistar dezesseis vezes a AFC East, um recorde de títulos de divisão entre quarterbacks da NFL. Brady e seu então treinador, Bill Belichick, formaram a dupla mais prolífica da história do futebol americano, com mais de duzentas vitórias em temporada regular e trinta em playoffs. Em 2020, transferiu-se para os Buccaneers e, logo no seu primeiro ano com a equipe, venceu o Super Bowl LV, sendo o sétimo título na carreira, em sua décima aparição nas finais (de longe, a melhor marca para um jogador de sua posição na história da liga).
Brady detém vários recordes individuais, entre os quais a maior quantidade de passes para touchdown em Super Bowls (21) e em jogos de pós-temporada (86). Ele foi ainda eleito o "esportista do ano" pelas revistas Sports Illustrated (em 2005 e 2021), The Sporting News (em 2004 e 2007) e pela Associated Press (em 2007). Em 2021, foi apontado como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela Time.
É considerado por muitos analistas e comentaristas esportivos como o melhor quarterback da história da NFL, sendo ainda uma celebridade popular nos Estados Unidos.
Tom nasceu próximo a São Francisco, em San Mateo, na Califórnia, filho de Tom Sr. e Galynn. Seu pai vinha de uma família de irlandeses-americanos que fugiu da Irlanda durante a Grande fome de 1845–1849 e se estabeleceu na Califórnia pouco antes da Guerra Civil Americana. Sua mãe é descendente de alemães, noruegueses, poloneses e suecos. Ele tem três irmãs mais velhas, Nancy, Julie e Maureen. Brady foi criado como católico. Era torcedor do San Francisco 49ers, tendo ido a vários jogos do time na década de 1980, quando se tornou fã do quarterback Joe Montana; Tom mencionou Montana como uma inspiração e seu ídolo. Tom formou-se na Junípero Serra High School, em San Mateo. Ele jogou futebol americano, basquete e beisebol na escola.
Ele chegou a ser recrutado como receptor na 18.ª rodada do Draft de 1995 da MLB, pelo Montreal Expos.
Ao sair da escola, Brady foi considerado um bom prospecto para o recrutamento universitário, mas o processo na década de 1990 era precário, e Tom acabou sendo preterido por várias grandes instituições. No final, jogou futebol americano pela Universidade de Michigan, de 1995 a 1999, formando-se em estudos gerais, com um diploma em Psicologia e Administração de Negócios. Ele atuou como reserva pelo Michigan Wolverines nos dois primeiros anos na faculdade, enquanto seu colega e futuro quarterback da NFL, Brian Griese, liderou o Wolverines até o campeonato nacional de 1997, no Rose Bowl. Quando se matriculou na Michigan, Brady era o sétimo na escalação de QBs e lutou muito para conseguir a vaga de titular. Em um certo ponto, Tom contratou um psicólogo de esportes para ajudá-lo a combater a frustração e a ansiedade, sendo que ele até cogitou a possibilidade de se transferir para outra faculdade. Ele lutou por uma vaga de titular com Drew Henson, conseguindo-a finalmente em 1998 e em 1999, sob o comando do treinador Lloyd Carr. Durante seu primeiro ano como titular absoluto, Tom estabeleceu um novo recorde para Michigan em passes tentados e completados numa temporada (214). Ele recebeu uma menção honrosa da All-Big Ten nas duas temporadas e foi nomeado capitão do time no último ano. Os Wolverines venceram vinte dos vinte e cinco jogos sob o comando de Tom Brady, dando ao time da universidade um título da Big Ten Conference em 1998. Tom liderou a Michigan em uma vitória na prorrogação no Orange Bowl de 2000, em cima da Universidade do Alabama, lançando para 369 jardas e quatro touchdowns.
Tom Brady foi a 199.ª escolha do Draft de 2000 da NFL, na sexta rodada. De acordo com o livro Patriot Reign ("O Reinado dos Patriots", em tradução livre), de Michael Holley, o time da Nova Inglaterra estava considerando Brady e Tim Rattay, com ambos os QBs recebendo vários elogios do técnico de quarterbacks Dick Rehbein. No final, os Patriots decidiram por Brady. Ironicamente, apesar de os Pats terem recrutado uma futura superestrela, a classe de 2000 foi considerada medíocre para quarterbacks: além dele, apenas Chad Pennington e Marc Bulger desenvolveram-se e adaptaram-se bem à liga.
Os Patriots tomaram naquele ano a decisão pouco comum de ter quatro quarterbacks em seu quadro geral (em vez de três, como era normal). Tom começou a temporada como terceiro reserva na posição de QB, atrás de Drew Bledsoe, John Friesz e Michael Bishop; ao fim daquela temporada, ele tornou-se o segundo reserva de Bledsoe. Durante seu primeiro ano, ele completou um de três passes, para seis jardas.
Os Patriots abriram a temporada com uma derrota para o Cincinnati Bengals por 23 a 17, com Bledsoe ainda atuando como quarterback titular. O segundo jogo do ano, em casa, em 23 de setembro, foi contra o rival da AFC East New York Jets. Bledsoe novamente começou jogando, mas no último período ele sofreu um forte tackle do linebacker Mo Lewis, causando hemorragia interna no jogador. Bledsoe retornou para alguns drives mas acabou sendo substituído por Brady para os momentos finais do jogo. Os Jets segurariam a vitória por 10 a 3, e os Patriots perderam o segundo jogo na temporada.
Brady foi escalado como titular para o terceiro jogo da temporada, contra o Indianapolis Colts. Nos seus primeiros dois jogos como titular, Tom conseguiu um rating de 79,6 e 58,7 respectivamente, na vitória por 44 a 13 sobre os Colts (que fez sua última temporada na AFC East) e na derrota por 30 a 10 sofrida para o Miami Dolphins.
No quinto jogo dos Pats, Tom começou a mostrar seu valor. Perdendo para o San Diego Chargers por 26 a 16 no quarto período, Brady liderou os Patriots em duas campanhas marcando pontos e forçando uma improvável prorrogação, quando o time chutou um field goal para vencer a partida. Brady terminou o jogo com 33 passes completados de 54 tentados para 364 jardas e dois touchdowns. Na semana seguinte, Tom jogou bem novamente num novo confronto contra o Indianapolis, com um rating de 148,3 na vitória por 38 a 17. O New England então venceu onze dos catorze jogos seguintes com Tom Brady como titular, com seis vitórias seguidas no fim da temporada, vencendo a AFC East e entrando nos playoffs com uma folga na primeira semana. Brady terminou o ano com 2 843 jardas aéreas e dezoito touchdowns, e ainda foi para o Pro Bowl.
No primeiro jogo de Tom nos playoffs, contra o Oakland Raiders, ele lançou para 312 jardas e liderou os Patriots numa vitória na prorrogação, com um field goal certeiro de Adam Vinatieri. Uma jogada controversa aconteceu quando o time perdia por três pontos no quarto período e Brady perdeu o controle da bola por causa de uma pancada do CB Charles Woodson. O Oakland recuperou a bola, mas, citando a chamada "tuck rule", que diz que qualquer passe para frente com o movimento já sendo executado pelo quarterback, o árbitro principal, Walt Coleman, reverteu a assinalação de fumble após consultar o replay instantâneo, dando a jogada como passe incompleto.
No AFC Championship Game, contra o Pittsburgh Steelers, Tom machucou o joelho e foi substituído por Bledsoe. Os Patriots venceram o jogo e foram tachados nas redes de apostas de Las Vegas como underdogs (zebras) contra o campeão da NFC, o St. Louis Rams, no Super Bowl XXXVI.