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Timor-Leste

País no Sudeste Asiático

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Timor-Leste, oficialmente República Democrática de Timor-Leste (em tétum: Timor Lorosa'e, oficialmente Repúblika Demokrátika Timór-Leste), é um dos países mais jovens do mundo, e ocupa a parte oriental da ilha de Timor, no Sudeste Asiático, além do exclave de Oe-Cusse Ambeno, na costa norte da parte ocidental de Timor, da ilha de Ataúro, a norte, e do ilhéu de Jaco, ao largo da ponta leste da ilha. As únicas fronteiras terrestres que o país tem ligam-no à Indonésia, a oeste da porção principal do território, e a leste, sul e oeste de Oe-Cusse Ambeno, mas tem também fronteira marítima com a Austrália, no Mar de Timor, a sul. Com 14 874 km2 de extensão territorial, Timor-Leste tem superfície equivalente às áreas dos distritos portugueses de Beja e Faro somadas, o que ainda é consideravelmente menor que o menor dos estados brasileiros, Sergipe. Sua capital é Díli, situada na costa norte.

A língua mais falada em Timor-Leste era o indonésio no tempo da ocupação indonésia, sendo hoje o tétum (mais falado na capital). O tétum e o português formam as duas línguas oficiais do país, enquanto o indonésio e a língua inglesa são consideradas línguas de trabalho pela atual constituição de Timor-Leste. Geograficamente, o país enquadra-se no chamado sudeste asiático, enquanto do ponto de vista biológico aproxima-se mais das ilhas vizinhas da Melanésia, o que o colocaria na Oceania e, por conseguinte, faria dele uma nação transcontinental.

O país foi colonizado pelo Império Português no século XVI e era conhecido como Timor Português até a descolonização do país. No final de 1975, Timor-Leste declarou sua independência, mas no final daquele ano foi invadido e ocupado pela Indonésia e foi anexado como a 27ª província do país no ano seguinte. Em 1999, após um ato de autodeterminação patrocinado pelas Nações Unidas, o governo indonésio deixou o controle do território e Timor-Leste tornou-se o primeiro novo Estado soberano do século XXI, em 20 de maio de 2002. Após a independência, o país tornou-se membro das Nações Unidas, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e, mais recentemente, da Associação de Nações do Sudeste Asiático. É um dos dois únicos países predominantemente cristãos no sudeste da Ásia, sendo o outro as Filipinas.

Timor-Leste tem uma renda média inferior à da economia mundial, sendo que 37,4% da população do país vive abaixo da linha de pobreza internacional, o que significa viver com menos de 1,25 dólar dos Estados Unidos por dia, e cerca de 50% da população é analfabeta. O país continua a sofrer os efeitos colaterais de uma luta de décadas pela independência contra a ocupação indonésia, que danificou severamente a infraestrutura do país e matou pelo menos cem mil pessoas. O país é classificado no 128º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No entanto, teve o sexto maior crescimento percentual do produto interno bruto no mundo em 2013.

"Timor" deriva de timur, que significa leste em malaio, resultando assim em um topônimo tautológico que significa Leste-Leste. Em indonésio, isso resulta no nome Timor Timur (nome da antiga província indonésia de facto; Timor Leste (em vez disso, é usado para se referir ao país). Em português, o país se chama Timor-Leste. Em tétum é Timór Lorosa'e.

No formulário oficial da Organização Internacional de Normalização (ISO), é usado "Timor-Leste" (códigos: TLS & TL), que tem sido adotado pela Organização das Nações Unidas e União Europeia.

Pré-história e período clássico

Vestígios culturais em Jerimalai, na ponta leste de Timor-Leste, foram datados de 42 mil anos atrás. Os primeiros habitantes conhecidos são aqueles que chegaram durante a migração australo-melanésia pela região, provavelmente trazendo os precursores das línguas papuas atuais. Suspeita-se de uma migração posterior de falantes de línguas austro-asiáticas, embora não restem tais línguas. A chegada dos povos austronésios trouxe novas línguas e se fundiu com as culturas existentes na ilha. Os mitos de origem timorenses contam que colonizadores navegaram ao redor da extremidade leste da ilha antes de desembarcar no sul. Essas pessoas são às vezes mencionadas como sendo da Península Malaia ou das terras altas Minangkabau de Sumatra. A migração austronésia para Timor pode estar associada ao desenvolvimento da agricultura na ilha.

Embora as informações sobre o sistema político de Timor durante esse período sejam limitadas, a ilha desenvolveu uma série interligada de entidades políticas governadas pelo direito consuetudinário. Pequenas comunidades, centradas em torno de uma casa sagrada específica, faziam parte de sucos (ou principados) maiores, que por sua vez integravam reinos maiores liderados por um liurai. A autoridade dentro desses reinos era exercida por duas pessoas, com o poder terreno do liurai equilibrado pelo poder espiritual de um rai nain, geralmente associado à principal casa sagrada do reino. Essas entidades políticas eram numerosas e apresentavam alianças e relações instáveis, mas muitas eram suficientemente estáveis para sobreviverem desde os primeiros registros europeus no século XVI até o fim do domínio português.

Desde talvez o século XIII, a ilha exportava sândalo,que era valorizada tanto pelo seu uso no artesanato quanto como fonte de perfume. Timor foi incluído nas redes comerciais do Sudeste Asiático, da China e da Índia no século XIV, exportando sândalo, mel e cera. A ilha foi registrada pelo Império de Majapait como fonte de tributo. Foi o sândalo que atraiu os exploradores europeus para a ilha no início do século XVI. A presença europeia inicial limitou-se ao comércio, sendo o primeiro assentamento português na ilha vizinha de Solor.

A presença portuguesa inicial em Timor foi muito limitada; o comércio era feito através de assentamentos portugueses em ilhas próximas. Só no século XVII é que estabeleceram uma presença mais direta na ilha, como consequência de terem sido expulsos de outras ilhas pelos neerlandeses. Após a perda de Solor em 1613, os portugueses mudaram-se para Flores. Em 1646, a capital mudou-se para Cupão, no oeste de Timor, antes de também ser perdida para os neerlandeses em 1652. Os portugueses mudaram-se então para Lifau, no que é hoje o enclave de Oecusse, em Timor-Leste. A ocupação europeia efetiva no leste da ilha só começou em 1769, quando a cidade de Díli foi fundada, embora o controle real tenha permanecido bastante limitado. Uma fronteira definitiva entre as partes neerlandesa e portuguesa da ilha foi estabelecida pelo Tribunal Permanente de Arbitragem em 1914 e permanece como a fronteira internacional entre os Estados sucessores Indonésia e Timor-Leste, respectivamente.

Para os portugueses, Timor-Leste permaneceu pouco mais do que um entreposto comercial negligenciado, com investimento mínimo em infraestrutura e educação, até o final do século XIX. Mesmo quando Portugal estabeleceu o controle efetivo sobre o interior de sua colônia, o investimento permaneceu mínimo. O sândalo continuou sendo a principal cultura de exportação e as exportações de café tornaram-se significativas em meados do século XIX.

No início do século XX, uma economia interna instável levou os portugueses a extrair mais riquezas das suas colônias, o que encontrou resistência por parte dos timorenses. A colónia era vista como um fardo económico durante a Grande Depressão e recebeu pouco apoio ou gestão por parte de Portugal.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Díli foi ocupada pelos Aliados em 1941 e, posteriormente, pelos japoneses a partir de 1942. O interior montanhoso da colônia tornou-se palco de uma campanha de guerrilha, conhecida como a Batalha de Timor. Travada por voluntários timorenses e forças aliadas contra os japoneses, a luta matou entre 40 mil e 70 mil civis timorenses. Os japoneses expulsaram as últimas forças australianas e aliadas no início de 1943. O controle português, no entanto, foi retomado após a rendição japonesa no final da Segunda Guerra Mundial.

Portugal começou a investir na colônia na década de 1950, financiando a educação e promovendo as exportações de café, mas a economia não melhorou substancialmente e as melhorias nas infraestruturas foram limitadas. As taxas de crescimento anual permaneceram baixas, perto de 2%. Após a revolução portuguesa de 1974, Portugal abandonou efetivamente a sua colínia em Timor e a guerra civil entre os partidos políticos timorenses eclodiu em 1975. A Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin) resistiu a uma tentativa de golpe de Estado da União Democrática Timorense (UDT) em agosto de 1975 e declarou unilateralmente a independência em 28 de novembro de 1975. Temendo um Estado comunista dentro do Arquipélago Indonésio, os militares indonésios lançaram uma lançaram uma invasão em 7 de dezembro de 1975. A Indonésia declarou Timor-Leste sua 27ª província em 17 de julho de 1976. O Conselho de Segurança das Nações Unidas opôs-se à invasão e o estatuto nominal do território na ONU permaneceu como "território não autónomo sob administração portuguesa".

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Timor-Leste | World in Stories