Timothy Walter "Tim" Burton (Burbank, 25 de agosto de 1958) é um cineasta, produtor, roteirista, escritor, animador e ilustrador norte-americano. Conhecido por seu pioneirismo na cultura gótica cinematográfica, Burton é conhecido pelos aspectos fantasiosos, excêntricos e sombrios que apresenta em suas obras. Ele recebeu vários prêmios, incluindo um Emmy Award, bem como indicações para dois Oscars, um Globo de Ouro e três BAFTA Awards. Ele foi homenageado com o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza pelo conjunto da obra em 2007 e recebeu a Ordem das Artes e Letras do Ministro da Cultura da França em 2010.
Burton fez sua estreia como diretor na comédia Pee-wee's Big Adventure (1985) e ganhou destaque com a comédia de terror Beetlejuice (1988) e a fábula Edward Scissorhands (1990). Burton também dirigiu os filmes de super-heróis Batman (1989) e Batman Returns (1992); os filmes de animação Corpse Bride (2005) e Frankenweenie (2012); os filmes de ficção científica Mars Attacks! (1996) e Planet of the Apes (2001); o filme de terror sobrenatural Sleepy Hollow (1999); os filmes de fantasia Big Fish (2003), Alice in Wonderland, (2010), Dark Shadows (2012) e Dumbo; os musicais Charlie and the Chocolate Factory (2005) e Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007); e os dramas biográficos Ed Wood (1994) e Big Eyes (2014). A partir de 2022, Burton dirigiu vários episódios para a série Wednesday da Netflix, pela qual recebeu uma indicação ao Emmy do Primetime para melhor direção em série de comédia. Ele também dirigiu Beetlejuice Beetlejuice (2024), a sequência do filme de 1988.
Entre os artistas com quem Burton mais trabalha, destacam-se os atores Johnny Depp, Winona Ryder, Michael Keaton, Helena Bonham Carter, Danny DeVito, Catherine O'Hara, Eva Green, Michael Gough, Christopher Lee, Jack Nicholson, Glenn Shadix, Christina Ricci, Paul Reubens, Albert Finney e Martin Short; além do compositor Danny Elfman, que produziu a trilha sonora da maior parte de seus filmes.
Como escritor, Burton lançou vários livros, incluindo The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories (1997).
Timothy Walter Burton nasceu em Burbank, Califórnia, em 25 de agosto de 1958, sendo o mais velho dos dois filhos de Bill Burton (1930–2000) e Jean Erickson (1933–2002). Seu pai era um ex-jogador de beisebol que trabalhou para o Departamento de Parques e Recreação de Burbank; enquanto sua mãe era dona de uma loja de presentes com tema de gatos.
Burton passou a infância sozinho, sendo considerado uma criança introspectiva e solitária por seus familiares. Tímido, ele sempre se sentiu diferente dos outros jovens, dedicando seu tempo a desenhar e a assistir filmes de terror, seu gênero favorito do cinema. Fã do expressionismo alemão, de filmes da Universal Monsters e da Hammer Films, como Godzilla, Frankenstein e Dracula; dos atores Christopher Lee e Vincent Price; e de escritores como Dr. Seuss, Roald Dahl e Edgar Allan Poe; Burton seria fortemente influenciado por todos esses artistas e obras em sua futura carreira de cineasta. Em entrevistas, Burton definiu sua infância como peculiar e imaginativa, alegando que sempre achou a vida acadêmica extremamente difícil. Em um artigo do Hollywood Reporter, Burton disse: “Eu cresci assistindo aos filmes de terror da Universal, filmes de monstros japoneses e praticamente qualquer tipo de filme de monstros. Esse era o meu gênero”.
Desde muito cedo, Burton demonstrou gosto pelo cinema, tendo desenvolvido seus primeiros curtas-metragens em seu quintal e apresentando-os como trabalhos de escola. Ele costumava produzi-los em filmes 8mm e usando técnicas de stop-motion, tendo sido influenciado nessa arte pelo trabalho de Ray Harryhausen. Muito talentoso no desenho, chegou a vencer um concurso de decoração de caminhões em Burbank.
Na juventude, Burton frequentou a Providencia Elementary School, a Luther Burbank Middle School e a Burbank High School, mas não era considerado um bom aluno; ele chegou a jogar no time de pólo aquático da Burbank High. Após se formar em 1976, Burton ganhou uma bolsa de estudos para estudar animação no California Institute of the Arts, em Valencia, Santa Clarita. Como aluno da CalArts, Burton produziu os curtas Stalk of the Celery Monster e King and Octopus.
1979–84: De Burbank aos estúdios Disney
Stalk of the Celery Monster atraiu a atenção da Walt Disney Productions, que ofereceu a Burton um estágio de animador em sua sede em Burbank. Ele trabalhou como animador, artista de storyboard, designer gráfico, diretor de arte e artista conceitual em filmes como The Fox and the Hound (1981), Tron (1982) e The Black Cauldron (1985), embora sua arte nunca tenha chegado aos filmes finalizados. Ele também escreveu um poema que, dez anos depois, seria a base do roteiro de The Nightmare Before Christmas (1993).
Enquanto estava na Disney em 1982, Burton fez seu primeiro filme, Vincent, uma animação stop motion em preto e branco de seis minutos, baseado em um poema escrito por Burton, que retrata um garoto que fantasia ser seu herói Vincent Price, com o próprio Price fornecendo a narração. O filme foi produzido por Rick Heinrichs, com quem Burton fez amizade enquanto trabalhava na Disney. O filme foi exibido no Festival de Cinema de Chicago e lançado, junto com o drama adolescente Tex, por duas semanas em um cinema de Los Angeles. Isso foi seguido pela primeira produção live-action de Burton, Hansel and Gretel, uma adaptação com tema japonês do conto de fadas dos Irmãos Grimm para o Disney Channel, que culmina em uma luta de kung fu entre Hansel, Gretel e a bruxa; o curta foi exibido uma única vez no Halloween de 1983 - antes de ser arquivado por anos, tornando-se extremamente raro e alimentando rumores de que o projeto sequer existia. O curta finalmente foi exibido ao público em 2009 no Museu de Arte Moderna, e novamente em 2011 como parte da exposição de arte de Tim Burton no LACMA. Foi novamente exibido no Museu Nacional da Coreia em 2012.
O próximo curta-metragem live-action de Burton, Frankenweenie, foi lançado em 1984. Ele conta a história de um jovem que tenta ressuscitar seu cachorro depois que ele é atropelado por um carro. Filmado em preto e branco, é estrelado por Barret Oliver, Shelley Duvall (com quem ele trabalharia novamente em 1986, dirigindo um episódio de sua série de TV Faerie Tale Theatre) e Daniel Stern. Depois que Frankenweenie foi concluído, a Disney demitiu Burton, sob o pretexto de que ele estava gastando os recursos da empresa em filmes sombrios e assustadores demais para as crianças assistirem.
Sobre essa experiência, Burton relatou: Não é uma memória muito boa. A visão deles do desenho não era a minha. Eu me sentia preso a um padrão que não combinava com quem eu era. Mas […] graças a eles pude trabalhar paralelamente nos meus primeiros curtas-metragens”.
1985–89: Primeiros longas-metragens, sucesso e aclamação como diretor
O ator Paul Reubens viu Frankenweenie e escolheu Burton para dirigir o spin-off cinematográfico de seu popular personagem Pee-wee Herman. O filme, Pee-wee's Big Adventure, produzido pela Warner Bros., foi feito com um orçamento de US$ 8 milhões e arrecadou mais de US$ 40 milhões nas bilheterias norte-americanas. Burton, um fã do excêntrico grupo musical Oingo Boingo, pediu ao compositor Danny Elfman para produzir a trilha sonora do o filme. Desde então, os dois se tornaram grandes amigos, com Elfman tendo composto a trilha sonora de todos os filmes dirigidos por Tim Burton, exceto Ed Wood (1994), Sweeney Todd (2008) e Miss Peregrine's Home for Peculiar Children (2016).
Além disso, Burton dirigiu episódios do revival de 1985 da série de terror antológica dos anos 50/60 Alfred Hitchcock Presents.
Em 1988, Burton enfim dirigiu seu grande projeto, Beetlejuice (1988), uma comédia de terror sobrenatural que ele próprio definiu como "uma versão paródia de O Exorcista" e que narra a história de um casal recém-falecido que precisam lidar com a burocracia do pós-vida, enquanto tentam sem sucesso assustar os novos moradores de sua casa, sendo obrigados a contratarem os serviços do personagem-título, um demônio travesso, charlatão e repulsivo. O filme foi um sucesso comercial, arrecadando US$ 73 milhões de dólares nos Estados Unidos e recebendo um Oscar de melhor maquiagem. O sucesso do projeto rendeu uma série de desenho homônima que teve o próprio Burton como produtor executivo. Beetlejuice revelou ao público um pouco do universo de Burton, mesclando temas macabros com um universo cômico, carnavalesco e fantasioso.