Thomas Riley Marshall (North Manchester, 14 de março de 1854 – Washington, D.C., 1 de junho de 1925) foi um político norte-americano que serviu como o 28º vice-presidente dos Estados Unidos durante a presidência de Woodrow Wilson. Marshall, um proeminente advogado de Indiana, tornou-se um ativo e conhecido membro do Partido Democrata ao realizar inúmeros discursos pelo estado e organizar vários comícios que posteriormente o ajudaram a ser eleito o 27º governador de Indiana. No cargo, ele propôs uma constituição estadual e outras reformas de cunho progressista, gerando muitas controvérsias. A minoria Republicana acionou as cortes do estado para impedir mudanças na constituição.
Sua popularidade como governador, e o fato de Indiana ser um swing state, o ajudou a conseguir a indicação democrata para vice-presidente junto com Wilson e sua subsequente eleição em 1912. Divergências ideológicas entre os dois durante o primeiro mandato fez Wilson limitar a influência de Marshall na administração, e seu tradicional bom humor fez o presidente mudar o escritório do vice-presidente para fora da Casa Branca. Em seu segundo mandato, Marshall fez vários discursos pelo país durante a Primeira Guerra Mundial. Enquanto Wilson estava na Europa, ele tornou-se o primeiro vice-presidente a realizar reuniões de gabinete. Como presidente do Senado dos Estados Unidos, um pequeno número de senadores anti-guerra mantiveram um impasse ao se recusarem a encerrar o debate. Para garantir que legislações de guerra cruciais fossem ratificadas, Marshall fez a câmara adotar sua primeira regra processual permitindo que empasses fossem encerrados por uma maioria de dois terços – uma variação dessa regra permanece em uso até hoje.
A vice-presidência de Marshall é mais lembrada por uma crise de liderança em outubro de 1919 após Wilson ter sido incapacitado por um derrame. Por causa de sua antipatia pessoal por ele, os conselheiros e a esposa de Wilson queriam impedir que Marshall descobrisse a verdadeira condição do presidente para que não assumisse a presidência. Muitas pessoas, incluindo chefes de gabinete e líderes do Congresso, pediram para Marshall tornar-se presidente interino, mas ele se recusou a assumir o cargo à força temendo criar um precedente. Sem um líder no executivo, os oponentes da administração derrotaram a ratificação do tratado da Sociedade das Nações.
Muito conhecido por sua perspicácia e senso de humor, uma das piadas mais duradouras de Marshall veio em um debate no senado quando, em resposta ao catálogo das necessidades da nação feito pelo senador Joseph L. Bristow, ele proferiu a frase, "O que esse país precisa é um bom charuto de cinco centavos", provocando várias risadas. Depois de seu mandato como vice-presidente, Marshall abriu uma firma de advocacia em Indianápolis, escrevendo vários livros sobre direito e suas memórias, Recollections. Ele continuou a viajar e discursar publicamente. Marshall morreu em 1925 durante uma de suas viagens, vítima de um infarto agudo do miocárdio.
O avô paterno de Marshall, Riley Marshall, emigrou para Indiana em 1817 e estabeleceu-se em uma fazenda no que é agora o Condado de Whitley. Ele tornou-se um homem rico quando um razoável depósito de petróleo e gás foi encontrado no terreno. O dinheiro permitiu que ele comprasse uma propriedade e passasse o resto de sua vida como membro do Partido Democrata de Indiana, atuando como senador do Senado de Indiana, presidente do partido e contribuinte financeiro. Ele também conseguiu enviar seu filho único, Daniel, para uma faculdade de medicina.
A mãe de Marshall, Martha Patterson, ficou órfã aos treze anos de idade em Ohio, vindo morar com sua irmã em uma fazenda perto da casa dos Marshall em Indiana. Ela era conhecida por sua perspicácia e senso de humor, duas das principais características de seu futuro filho. Martha e Daniel conheceram-se e casaram-se em 1848.
Thomas Riley Marshall nasceu em North Manchester no dia 14 de março de 1854. Dois anos depois, sua irmã nasceu, mas ela morreu ainda pequena. Martha havia contraído tuberculose, que Daniel acreditava ser a causa da péssima saúde da criança. Enquanto Marshall ainda era jovem, sua família mudou várias vezes à procura de um clima agradável para Daniel tentar "curas ao ar livre" em Martha. Eles primeiro foram para Quincy, Illinois, em 1857. Daniel Marshall apoiava a União Americana e era um Democrata convicto, levando seu filho para Freeport em 1858 a fim de ver os debates entre Lincoln e Douglas. Com quatro anos de idade, Marshall conheceu Abraham Lincoln e Stephen A. Douglas e ficou sentado no colo do candidato que não estava falando no momento. Mais tarde afirmou que essa era uma de suas primeiras e mais valorizadas memórias.
A família mudou-se para Osawatomie, Kansas, em 1859, porém a violência da fronteira os fizeram ir para o Missouri no ano seguinte; eventualmente, Daniel conseguiu curar a doença de Martha. Enquanto a Guerra de Secessão se aproximava, a violência se espalhou para o Missouri. Em outubro, homens liderados por Duff Green exigiram que Daniel Marshall desse auxílio médico para uma facção pró-escravatura. Ele recusou-se, e os homens foram embora. Logo em seguida, os vizinhos contaram aos Marshall que Green planejava retornar e matá-los. Eles ajudaram a família a rapidamente fazer as malas e fugir para o Illinois. Eles permaneceram no estado por pouco tempo antes de voltarem para Indiana, distanciando-se da instável região da fronteira.
Estabelecendo-se em Princeton, Indiana, Marshall começou a estudar em uma escola pública. Algum tempo depois, seu pai e avô ficaram envolvidos em um disputa com seu pastor metodista após recusarem-se a votar para o Partido Republicano na eleição de 1862. O pastor ameaçou expulsá-los da igreja, e o avô de Marshall respondeu que preferia "arriscar-se no inferno, mas não no Partido Republicano". A disputa fez a família mudar-se novamente, agora para Fort Wayne, e converter-se para o Presbiterianismo. Lá, Marshall cursou o ensino médio, se formando em 1869. Aos quinze anos de idade, seus pais o mandaram para o Wabash College, em Crawfordsville, onde teve uma educação clássica. Seu pai o aconselhou a estudar medicina ou tornar-se um pastor, mas ele não estava interessado em nenhuma das carreiras. Marshall acabou entrando na faculdade sem saber que profissão seguiria após se formar.
Marshall entrou na fraternidade Phi Gamma Delta, participando de sociedades literárias e de debate, e fundando o Clube Democrático. Ele conseguiu um emprego no jornal da faculdade, o Geyser, e começou a escrever colunas políticas defendendo a ideologia Democrata. Em 1872, ele escreveu uma coluna desfavorável sobre uma professora, acusando-a de "procurar liberdades" com os jovens no dormitório. Ela contratou o advogado Lew Wallace, autor do romance Ben-Hur: A Tale of the Christ, e abriu um processo exigindo que Marshall pagasse US$ 20 000 por difamação. Marshall viajou para Indianápolis à procura de um advogado de defesa, contratando Benjamin Harrison, futuro Presidente dos Estados Unidos, na época um proeminente advogado na região. Harrison fez o processo ser retirado ao provar que as acusações de Marshall eram provavelmente verdadeiras. Em suas memórias, Marshall conta que quando foi pagar Harrison o advogado falou que não iria cobrar pelo serviço, mas que lhe daria uma palestra sobre ética.
Marshall foi eleito para a fraternidade Phi Beta Kappa durante seu último ano de faculdade. Ele se formou em junho de 1873, recebendo nota máxima em quatorze das trinta e seis matérias em uma classe de vinte e um estudantes. Como resultado do caso de difamação, Marshall passou a ficar cada vez mais interessado em direito e começou a procurar algum professor. Na época, o único modo de tornar-se advogado em Indiana era ser o aprendiz de um membro da associação do tribunal do estado. Seu tio-avô Woodson Marshall começou a ajudá-lo, mas logo teve de retirar-se. Marshall então voltou a morar com os pais, que haviam se mudado para Columbia City. Lá, ele estudou por mais de um ano no escritório de Walter Olds, futuro membro da Suprema Corte de Indiana, e entrou na associação do tribunal em 26 de abril de 1875.