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Theodor W. Adorno

Professor acadêmico alemão

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Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno (Frankfurt am Main, 11 de setembro de 1903 – Visp, 6 de agosto de 1969) foi um filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt, juntamente com Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas, entre outros. Estudou filosofia, sociologia, psicologia e música na Universidade de Frankfurt, mudando-se para Viena aos 22 anos para prosseguir seus estudos em composição com Alban Berg. É amplamente considerado como um dos principais pensadores do século XX em estética e filosofia. Como crítico do fascismo e do que ele chamou de indústria cultural, seus escritos - como Dialética do Esclarecimento (1947), Minima Moralia (1951) e Dialética Negativa (1966) - influenciaram fortemente a Nova Esquerda Europeia.

Em meio à moda desfrutada pelo existencialismo e pelo positivismo na Europa do início do século XX, Adorno avançou uma concepção dialética da história natural que criticou as tentações gêmeas da ontologia e do empirismo por meio de estudos de Kierkegaard e Husserl. Como pianista de formação clássica (cujas simpatias com a técnica de composição musical dodecafônica de Arnold Schoenberg resultaram em sua composição de estudos com Alban Berg, da Segunda Escola de Viena), o compromisso de Adorno com a música de vanguarda constituiu o pano de fundo de seus escritos subseqüentes e levou a sua colaboração com Thomas Mann no romance Doutor Faustus, enquanto os dois homens viviam na Califórnia como exilados durante a Segunda Guerra Mundial. Trabalhando no recém-reformado Instituto de Pesquisa Social, Adorno colaborou em estudos influentes de autoritarismo, anti-semitismo e propaganda que mais tarde serviriam de modelos para estudos sociológicos que o Instituto realizou na Alemanha do pós-guerra.

Ao retornar a Frankfurt, Adorno se envolveu na reconstituição da vida intelectual alemã por meio de debates com Karl Popper sobre as limitações da ciência positivista, críticas à linguagem da autenticidade de Heidegger, escritos sobre a responsabilidade alemã pelo holocausto e intervenções contínuas em assuntos públicos. Como escritor de polêmicas na tradição de Nietzsche e Karl Kraus, Adorno fez críticas contundentes à cultura ocidental contemporânea. Sua Teoria Estética, publicada postumamente em 1970, é o culminar de seu compromisso de toda a vida com uma reflexão sobre arte moderna.

Theodor Adorno nasceu em Frankfurt, filho de Oscar Alexander Wiesengrund (1870 – 1941) – próspero negociante alemão de vinhos, de origem judaica e convertido ao protestantismo – e de Maria Barbara Calvelli-Adorno – uma cantora lírica, católica, italiana. Posteriormente, Theodor passou a abreviar seu último nome, utilizando o nome de solteira de sua mãe como sobrenome (Theodor W. Adorno, ou simplesmente Theodor Adorno).

Estudou música com sua tia (por parte de mãe), Agathe, uma pianista. Frequentou o Kaiser-Wilhelm-Gymnasium, onde se destacou como estudante. Além disso, ainda durante a adolescência, teve aulas particulares de composição com Bernhard Sekles, e leu, nas tardes de sábado, Immanuel Kant com seu amigo Siegfried Kracauer – 14 anos mais velho e especialista em Sociologia do conhecimento. Mais tarde, Adorno diria que devia mais a estas leituras do que a qualquer de seus professores universitários.

Na Universidade de Frankfurt (atual Universidade Johann Wolfgang Goethe), estudou Filosofia, Musicologia, Psicologia e Sociologia. Completou rapidamente seus estudos, defendendo em 1924 sua tese sobre Edmund Husserl (A transcendência do objeto e do noemático na fenomenologia de Husserl), orientado pelo professor Hans Cornelius. Segundo Adorno, essa tese teria sido demasiadamente influenciada por seu orientador. Antes do final de sua graduação, conhece já dois de seus principais parceiros intelectuais – Max Horkheimer e Walter Benjamin.

Entre 1921 e 1932, publicou cerca de cem artigos sobre crítica e estética musical e conheceria Vilma, com quem se casaria pouco tempo depois. Sua carreira filosófica começa em 1933 com a publicação de sua tese sobre Kierkegaard. Em 1925, conhece pessoalmente um dos filósofos que mais o influenciaram até então – o jovem Lukács. Crítico de Kierkegaard, Lukács decepcionará o jovem Adorno ao renegar sua obra de juventude (A Teoria do Romance por completo, e a História e Consciência de Classe em sua maior parte). Essas obras são pilares do pensamento de Adorno, que travará inúmeras polêmicas com Lukács pelo que entende serem seus "desvios" de pensamento em prol do partido.

Outro filósofo que influenciará Adorno de forma crucial é Walter Benjamin, a ponto de Adorno afirmar que, em determinado momento de sua produção filosófica, sua intenção era apenas a de traduzir Benjamin para termos acadêmicos.

Com o fim da Segunda Guerra, Adorno é um dos que mais desejam o retorno do Instituto para Pesquisa Social a Frankfurt, tornando-se seu diretor-adjunto e seu codiretor em 1955. Com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno torna-se o novo diretor.

Próximo de sua morte, em 1969, Theodor Adorno se envolve em uma polêmica com seu companheiro e amigo da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, por não ter apoiado os estudantes que, em 31 de janeiro daquele ano, interromperam sua aula, tentando continuar, dentro do Instituto, os protestos que tomavam as ruas das capitais da Europa. Adorno chamou a polícia. Marcuse se posicionou a favor dos estudantes e, em uma série de cartas, repreendeu e criticou severamente o amigo, dizendo de maneira clara que "em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são atos legítimos de protesto político (...) Na medida em que a democracia burguesa (em virtude de suas antinomias imanentes) se fecha à transformação qualitativa, e isso através do próprio processo democrático-parlamentar, a oposição extraparlamentar torna-se a única forma de contestação: desobediência civil, ação direta".

Famosas foram ainda suas polêmicas com o filósofo e sociólogo conservador Arnold Gehlen, um dos representantes, ao lado de Hans Freyer e Helmut Schelsky, da Escola de Leipzig.

Adorno faleceu, por problemas cardíacos, no dia 6 de agosto de 1969. Encontra-se sepultado em Hauptfriedhof Frankfurt am Main, Frankfurt am Main, Hesse na Alemanha.

Elementos fundamentais de seu pensamento

A Filosofia de Theodor Adorno, considerada uma das mais complexas do século XX, fundamenta-se na perspectiva da dialética e também da psicanálise. Uma das suas importantes obras, a Dialética do Esclarecimento, escrita em colaboração com Max Horkheimer durante a guerra, é uma crítica da razão instrumental, conceito fundamental deste último filósofo, ou, o que seria o mesmo, uma crítica, fundada em uma interpretação negativa do Iluminismo, de uma civilização técnica e da lógica cultural do sistema capitalista (que Adorno chama de "indústria cultural"). Também uma crítica à sociedade de mercado que não persegue outro fim que não o do progresso técnico.

A atual civilização técnica, surgida do espírito do Iluminismo e do seu conceito de razão, não representa mais que um domínio racional sobre a natureza, que implica paralelamente um domínio (irracional) sobre o homem; os diferentes fenômenos de barbárie moderna (fascismo e nazismo) não seriam outra coisa que não mostras, e talvez as piores manifestações desta atitude autoritária de domínio sobre o outro, e neste particular, Adorno recorrerá a outro filósofo alemão - Nietzsche.

Na Dialética Negativa, Theodor Adorno intenta mostrar o caminho de uma reforma da razão mesma, com o fim de libertá-la deste lastro de domínio autoritário sobre as coisas e os homens, lastro que ela carrega desde a razão iluminista.

Adorno opõe-se à dialética hegeliana, que reduz ao princípio da identidade, ou a um sistema, todas as coisas, através do pensamento, superando suas contradições. Critica a relação indissociável entre negatividade e totalidade em Hegel. Para Adorno, nessa indissociabilidade, a negação acaba por se colocar para a afirmação do todo, o que para significa estabelecer uma relação acrítica, afirmativa e, afinal, apologética com a realidade social.

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