Theodor Schwann (Neuss, 7 de dezembro de 1810 — Colónia, 11 de janeiro de 1882) foi um médico e fisiologista alemão. Considerado o fundador da moderna histologia, foi também co-proponente, com Matthias Schleiden, da teoria celular. A sua contribuição mais significativa para a biologia foi a extensão da teoria celular aos animais. Outras contribuições incluem a descoberta de células de Schwann no sistema nervoso periférico dos humanos, a descoberta e estudo da pepsina, a descoberta da natureza organísmica das leveduras, e a invenção do termo metabolismo.
Theodor Schwann nasceu a 7 de dezembro de 1810, em Neuss, filho de Leonard Schwann e Elisabeth Rottels. O pai era ourives, enveredando mais tarde pela profissão de impressor.
Theodor Schwann estudou no Dreikönigsgymnasium (estabelecimento liceal também conhecido por Tricoronatum ou Escola dos Três Reis), um colégio jesuíta da cidade de Köln (Colónia). Em resultado, Schwann foi um devoto católico romano, o que marcaria a sua carreira profissional e académica. Naquela escola, o seu intrutor religioso, o padre e novelista Wilhelm Smets, enfatizava a individualidade da alma humana e a importância do livre arbítrio.
Terminados os estudos secundários, em 1829, Schwann mstriculou-se na Universidade de Bonn num currículo preparatório para o estudo da Medicina. Naquela Universidade recebeu o grau de bacharel em Filosofia em 1831. Durante a sua estadia em Bonn, Schwann conheceu o fisiologista Johannes Peter Müller, com quem trabalhou.
Müller, que influenciou profundamente a carreira de Schwann, é considerado como o fundador da Medicina científica de base fisiologica na Alemanha, especialmente com a publicação, em 1837-1849, da sua obra intitulada Handbuch der Physiologie des Menschen für Vorlesungen (Manual de fisiologia humana para ensino). O manual foi traduzido para o inglês como Elements of Physiology em 1837-1843 e tornou-se o principal manual de ensino da fisiologia humana ao longo do resto do século XIX.
Em 1831, Schwann transferiu-se para a Universidade de Würzburg para completar a sua formação clínica em Medicina. Em 1833, matriculou-se na Universidade Humboldt de Berlim, onde então o seu antigo professor Johannes Peter Müller era já o Professor de Anatomia e Fisiologia. Schwann obteve o grau de Doutor em Medicina (M.D.) na Universidade de Berlim em 1834. Para tal realizou o seu trabalho de dissertação em 1833–1834, tendo Müller como seu orientador. A tese de Schwann envolveu um estudo cuidadoso da necessidade de oxigénio durante o desenvolvimento embrionário da galinha. Para o realizar, projetou e construiu um aparelho que lhe permitia bombear os gases oxigénio e hidrogénio para fora da câmara de incubação em momentos específicos. Isso permitiu estabelecer o período crítico em que os ovos precisavam de oxigénio.
Schwann passou no exame estadual para praticar Medicina no verão de 1834, mas optou por continuar a trabalhar com Müller, dedicando-se à investigação em vez de praticar Medicina. Pôde dar-se ao luxo de se dedicar a tempo inteiro à investigação científica, pelo menos a curto prazo, graças a uma herança familiar que recebera. O seu salário como assistente de investigação era de apenas 120 taler. Nos cinco anos seguintes, Schwann pagaria os outros três quartos de suas despesas com a sua herança. Contudo, como estratégia de longo prazo, a sua situação não era sustentável.
De 1834 a 1839, Schwann trabalhou como assistente de Müller no Museu de Anatomia Zoológica da Universidade de Berlim (Anatomisch-zootomische Museum der Berliner Universität). Neste período Schwann realizou um conjunto de experiências visando o estudo microscópico e fisiológico da estrutura e função de nervos, músculos e vasos sanguíneos. Para além de executar trabalho de investigação necesário para a preparação do manual de Fisiologia de Müller, Schwann realizou a sua própria pesquisa. A maioria das suas mais importantes contribuições para a Ciência foram iniciadas durante o tempo em que trabalhou com Müller em Berlim.
Schwann usou poderosos microscópios recentemente desenvolvidos para examinar tecidos animais. O usos desses equipamento permitiu-lhe observar células animais e reconhecer as suas diferentes propriedades. O seu trabalho complementou o de Matthias Jakob Schleiden feito sobre tecidos vegetais e foi influenciado pelos seus resultados, esabelecndo-se um trabalho de cooperação facilitados por serem amigos íntimos.
Descrito como quieto e sério, Schwann era particularmente talentoso na construção e uso de aparelhos para as suas experiências. Era também capaz de identificar importantes questões científicas e projetar técnicas experimentais para as testar sistematicamente. A sua escrita é considerada como acessível e sua lógica como uma progressão clara, já que era capaz de identificar a questão a que queria responder e de comunicar efetivamente a importância de suas descobertas. O seu colega de trabalho Jakob Henle descreveu-o como tendo uma pulsão inata para experimentar. Durante este período descobriu e purificou a primeira enzima de um tecido animal: a pepsina (uma das enzimas digestivas).
Em 1838, Schwann precisava de um trabalho com um salário mais substancial. Tinha a esperança de retornar a Bonn, uma cidade de maioria católica. Com esse objectivo tentou obter uma cátedra na Universidade de Bonn em 1838 e novamente em 1846, mas ficou desapontado ao ser preterido. Gorado aquele objectivo, em 1839, Schwann aceitou a cadeira de Anatomia na Universidade Católica de Lovaina (1834–1968) (ao tempo Université Catholique de Louvain, hoje Katholieke Universiteit Leuven) em Leuven, na Bélgica, também uma instituição católica.
Desde o início das suas funções como docente, Schwann provou ser um professor dedicado e consciencioso. Com os seus novos deveres de ensino, tinha menos tempo para novos trabalhos científicos. Ainda ssim, passou um tempo considerável aperfeiçoando técnicas experimentais e instrumentos para uso em experimentação. Neste período produziu poucas publicações. Uma exceção foi um artigo em 1844 no qual que relatou um conjunto de experiências realizadas em cães com as quais estabeleceu a importância da bílis na digestão.
Ao examinar processos como a contração muscular, a fermentação, a digestão e a putrefação, Schwann procurou demostrar que os fenómenos vivos eram o resultado de causas físicas e não da ação de uma qualquer força vital imaterial. No entanto, ainda procurou conciliar uma natureza orgânica com um plano divino. Alguns dos seus biógrafos sugeriram que a mudança de Schwann em 1838, e diminuição da sua produtividade científica depois disso, refletem preocupações religiosas e talvez até uma crise relacionada com as implicações teóricas do seu trabalho sobre teoria celular. No entanto, outros autores consideram essa interpretação como uma deturpação do pensamento de Schwann e rejeitam a ideia de que terá passado por uma crise existencial ou uma fase mística. Ohad Parnes usa os cadernos de laboratório de Schwann e outras fontes inéditas em conjunto com as suas publicações para reconstruir o percurso da sua pesquisa como uma progressão unificada. Florence Vienne baseia-se em escritos inéditos para discutir as maneiras pelas quais a teoria celular, como um princípio unificador do desenvolvimento orgânico, e ideias políticas de vários dos seus proponentes, incluem Schwann e o seus pensamento religioso.
Em 1848, o compatriota de Schwann Antoine Frédéric Spring convenceu-o a transferir-se para a Universidade de Liège, também na Bélgica. Em Liège, Schwann continuou a seguir os últimos avanços em anatomia e fisiologia, mas não fez novas descobertas importantes. Tornou-se numa espécie de inventor, desenvolvendo projetos como um respirador portátil e um sistema fechado para suportar a vida humana em ambientes onde o ar não possa ser respirado.
Em 1858 estava servindo como professor da cátedra de Fisiologia, Anatomia Geral e Embriologia da Universidade de Liège. Em 1863, a American Philosophical Society elegeu-o como membro internacional. A partir de 1872, cessou o ensino da Anatomia Geral e, a partir de 1877, o ensino da Embriologia. Aposentou-se totalmente em 1879.