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Tereza Rachel

Actriz brasileira

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Tereza Rachel, nome artístico de Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra (Nilópolis, 10 de março de 1934 — Rio de Janeiro, 2 de abril de 2016), foi uma atriz e produtora teatral brasileira. Considerada um dos grandes nomes do teatro nacional, estrelou e produziu diversas peças desde a década de 1950, além de fundar o Teatro Tereza Rachel em 1971. Ao longo de sua carreira, conquistou prêmios como um Kikito, um Troféu Imprensa e dois Troféus APCA. Após A Próxima Vitima (1995) afastou-se da atuação, fazendo raras participações especiais a partir de então.

Na televisão ganhou destaque em obras como O Astro (1977), Baila Comigo (1981), Louco Amor (1983), Que Rei Sou Eu? (1989) e A Próxima Vítima (1995).

Teresinha Malka Brandwain Taiba nasceu 10 de março de 1934 em Nilópolis, na Baixada Fluminense, oriunda de uma família de imigrantes judeus estabelecidos na cidade. Cursou a Escola de Teatro Martins Penna e o Curso de Interpretação do Teatro Duse, além de realizar estágio no Conservatório de Teatro de Paris. Também graduou-se em Línguas Neolatinas pela Faculdade de Filosofia do Instituto La-Fayette, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Primeiros trabalhos e avanços (1955—1969)

Tereza Rachel iniciou sua carreira como atriz profissional sob direção de Henriette Morineau em Os Elegantes, de Aurimar Rocha, em 1955. Anteriormente, ela havia aparecido como estudante em algumas montagens teatrais de tragédias gregas, como Édipo (1951), onde interpretou Antígona, e Hécuba (1953). Em 1956, foi eleita a atriz revelação do ano pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) por sua performance no espetáculo Prima Dona, escrito e dirigido por José Maria Monteiro. Foi também em 1956 que ela apareceu pela primeira vez na televisão estrelando com Cyl Farney a série médica O Jovem Dr. Ricardo, na TV Tupi, onde interpretava a enfermeira Patrícia, funcionária do consultório cuja trama se passa.

O primeiro filme da carreira de Rachel estreou nos cinemas em 1956. Em Genival É de Morte, de Aloísio T. de Carvalho, interpretou Mocinha, uma jovem que planeja diversas situações para atrair o conquistador de mulheres casadas Genival, papel de Ronaldo Lupo, para uma farsa. Foi contratada pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC) em 1957 e atua nas peças O Telescópio, com direção de Paulo Francis, e em A Bela Madame Vargas, de Paulo Barreto. Em 1958, na Companhia Tônia-Celi-Autran, atuou em A Ilha das Cabras, de Ugo Betti, com direção de Adolfo Celi. No ano seguinte, participou de três montagens do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC): Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov, Patate, de Marcel Achard, ambas dirigidas por Alberto D'Aversa, e Quando Se Morre de Amor, de Giovanni Patroni Griffi, também sob direção de D'Aversa. Por sua atuação nesta última, recebeu o Prêmio Saci de Melhor Atriz em Teatro.

Em 1961, retornou ao TNC, integrando o elenco de Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, em montagem dirigida por José Renato. No ano seguinte, realizou viagem de estudos à Itália e à França. De volta ao Brasil, produziu e atuou em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, com direção de Martim Gonçalves. Em 1963, Rachel voltou a atuar no cinema em três produções. Interpretou Clotilde, a Senhora do Pieró, na cinebiografia Ganga Zumba, centrada no primeiro líder do Quilombo dos Palmares; viveu Donna Cecilia na coprodução internacional Manaus, Glória de uma Época; e fez uma participação especial em Sol sobre a Lama, de Cacá Diegues.

Em 1965, integrou o elenco de O Berço do Herói, de Dias Gomes, com direção de Antônio Abujamra. No entanto, a montagem foi interditada pela censura no dia do ensaio geral. No mesmo ano, integrou o elenco de Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, dirigida por Flávio Rangel e produzida pelo Grupo Opinião. Em 1966, retornou à televisão após quase uma década de afastamento para protagonizar a novela A Pequena Karen, na qual interpretou Francis Drummond. Na trama, sua personagem era sobrinha da diretora de um internato que, por negligência, havia provocado a morte da jovem Karen (Susana Vieira) e a colocava em seu lugar para ocultar o crime. Tereza deixou o elenco antes do término da novela por motivos de saúde, sendo substituída por Lídia Costa. Em 1967, interpretou Jocasta em Édipo Rei, ao lado de Paulo Autran, em montagem de grande êxito de público. Em 1969, integrou o elenco da histórica encenação de O Balcão, de Jean Genet, realizada pelo Teatro Ruth Escobar, com direção de Victor Garcia.

Expansão televisiva e notoriedade nacional (1970—1979)

Em 1971, após assistir, na França, a uma montagem de A Mãe, de Stanislaw Witkiewicz, produziu a versão carioca da peça, trazendo de Paris o diretor Claude Régy para conduzir a encenação. O espetáculo inaugurou as atividades oficiais do Teatro Tereza Raquel, e sua interpretação da protagonista lhe rendeu o Prêmio Molière. No mesmo ano, produziu Tango, de Sławomir Mrożek, reafirmando seu interesse pela dramaturgia polonesa de vanguarda, ainda pouco difundida no Brasil. A montagem, dirigida por Amir Haddad, recebeu elogios da crítica pela concepção cênica de Joel de Carvalho, que integrava palco e plateia, e pelas interpretações da atriz junto com Sérgio Britto, Sadi Cabral e Ary Coslov. A escolha de mais um texto de vanguarda contribuiu para consolidar sua reputação como uma das mais ousadas produtoras do teatro carioca.

Em 1972, retorna às telenovelas com um papel coadjuvante na novela Jerônimo, o Herói do Sertão, da TV Tupi, onde interpretou Maria Homem. No ano seguinte, atuou no filme de comédia Amante Muito Louca, de Denoy de Oliveira, no qual interpretou uma amante que surpreende o companheiro durante as férias que ele passava com a família. Sua atuação foi elogiada pela crítica e lhe rendeu o Troféu Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado. Em 1974, trouxe o diretor francês Jorge Lavelli para encenar A Gaivota, de Anton Tchekhov, montagem que novamente recebeu atenção da crítica especializada.

Tereza foi contratada pela TV Globo em 1974 para fazer parte do elenco de suas produções, onde fez seus principais trabalhos na televisão. Em O Rebu (1974), seu primeiro trabalho na emissora, interpretou a viúva rica de temperamento forte Lupe Garcez, sendo parte dos convidados da festa em que ocorre o crime da trama. No ano seguinte, é escalada para o elenco de O Grito, onde interpretou uma atriz decadente, de personalidade fútil e vaidosa, que sofre com a solidão e insegurança. Em 1976, recebeu novos elogios por sua atuação em Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, com direção de Paulo José. Segundo o crítico Yan Michalski, a atriz realizou "numa composição tensa, elétrica, sensual e sobretudo admiravelmente rica de intenções" um de seus melhores desempenhos como Maggie. Para a jornalista Tânia Pacheco, "nas mudanças da agressão para a quase ternura, da 'gata' para a mulher, seu trabalho de atriz merece aplausos".

Em O Astro (1977), interpretou Clô Hayala, um de seus papéis de maior repercussão na televisão. A personagem, uma mulher fútil e escandalosa, esposa do empresário Salomão Hayala (Dionísio Azevedo), destacou-se pelo comportamento voltado ao luxo e às joias, bem como pela relação conflituosa com o filho, Márcio (Tony Ramos). O papel consolidou a atriz em personagens desse perfil, recorrente em sua carreira televisiva, e marcou seu primeiro grande sucesso na TV. Durante as gravações, sofreu um grave acidente automobilístico em junho daquele ano, quando o veículo em que estava capotou várias vezes. A atriz sofreu apenas escoriações e fratura no tornozelo, retomando o trabalho na novela poucos dias depois. Em 1979, interpreta Lola (Dolores) na telenovela Marron Glacé. Sua personagem é uma dançarina de cabaré, de vida sofrida, por quem Oscar (Lima Duarte) se apaixona e oferece um emprego em um restaurante, mesmo ela recusando qualquer envolvimento amoroso com ele.

Consagração artística (1980—1989)

Em 1980, atuou em Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes, com direção de Sérgio Britto. No ano seguinte, voltou a trabalhar com o diretor em A Senhorita de Tacna, de Mario Vargas Llosa. Ainda em 1981, retorna às telenovelas em Baila Comigo, de Manoel Carlos, interpretando a fútil e esnobe Marta Gama. Ela interpretou a esposa de Joaquim Gama, personagem de Raul Cortez. Na trama, sua personagem mantinha um relacionamento conturbado com o marido e, apesar da postura orgulhosa, escondia profunda carência e ressentimento diante de suas infidelidades.

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