Teresina é um município brasileiro e capital do estado do Piauí, sendo a única capital da Região Nordeste que não se localiza no litoral, distando 343 km do Oceano Atlântico. Sua população, segundo o Censo 2022, do IBGE, era de 866 300 habitantes, o que a faz a cidade mais populosa do Piauí. Está conurbada com a cidade maranhense de Timon, formando assim a Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina, que aglomera 1 250 488 habitantes, sendo a segunda RIDE mais populosa das três existentes no Brasil, ficando atrás apenas de Brasília. Teresina é a 19.ª cidade mais populosa do Brasil e a 16.ª maior capital estadual em população, sendo a 6.ª capital mais populosa e o 8.º maior PIB do Nordeste. Em âmbito nacional, possui o 49.º maior PIB entre os municípios.
Historicamente, Teresina desenvolveu-se por meio do Rio Parnaíba, através da navegação fluvial. Sendo a primeira capital planejada do Brasil, surgiu para substituir a então capital Oeiras, que isolada na região central do Piauí, não conseguia deter a influência comercial e industrial da cidade de Caxias, no estado vizinho do Maranhão, sob boa parte do oeste do estado. É conhecida por Cidade Verde, um codinome dado pelo escritor maranhense Coelho Neto, em virtude de ter ruas e avenidas entremeadas de árvores, além de grandes áreas verdes.[carece de fontes?]
Com uma área de 1.673 km², sua economia baseia-se na indústria têxtil e de confecções. Segundo o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025), Teresina posiciona-se na 14.ª colocação entre as capitais brasileiras. A cidade tem um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), figurando como a 9.° colocada entre as capitais do Nordeste.
A origem de Teresina é ligada diretamente ao Rio Poti. As primeiras povoações datam do século XVII, com um agrupamento de bandeirantes capitaneados por Domingos Jorge Velho, estabelecendo uma feitoria e um criatório de gado. Também foi habitada por pescadores e plantadores de fumo e mandioca.
O primeiro proprietário foi o seu sargento-mor Antônio Coelho Teixeira, cuja sesmaria foi confirmada, em Lisboa, no dia 1 de julho de 1744. Às margens desse rio havia um povoado, que depois seria elevado à condição de Nova Vila (do Poti ou Poti velho). Essencialmente formada por pescadores e pequenos comerciantes, era cortada por uma estrada que ligava Oeiras, então capital da Província do Piauí, a Parnaíba, um dos mais prósperos centros do atual Estado. Ainda por volta de 1740, o Padre Romualdo da Silva Bezerra possuía sesmaria na Região das Aldeias Altas, isto é, na Região norte da Capitania. Convém lembrar que havia diversos povoados ao longo dos rios e caminhos. A capital nasceu no que corresponde hoje ao bairro do Poti Velho, que embora tenha surgido mais de 100 anos antes da capital, só foi anexado por esta em meados do século XX. Apesar da grande e profunda mudança em sua paisagem, o bairro ainda preserva seus costumes e tradições, e é considerado o bairro mais velho da capital, porém o marco e a data de fundação da cidade são atribuídos a fundação do atual centro da capital.
Com a criação da Capitania do Piauí, desmembrada do Estado do Maranhão em 1718, a Vila da Mocha (atual Oeiras), na região central, foi estabelecida como sede do governo da capitania. Ainda no período colonial, sua efetivação como capital foi questionada até mesmo pelo primeiro governador da capitania, Fernando Antônio de Noronha, que a considerava árida e infértil, imprópria para agricultura e isolada demais para integrar a capitania. Algumas elites e políticos do estado advogavam a mudança para a Vila da Parnaíba ou mesmo para a Vila do Poti, a primeira estando no litoral, tinha comércio intenso. Sob o governo de José Idelfonso de Sousa Ramos, contrariando as principais preferências, é sancionada a lei nº 174, de 27 de agosto de 1844, que garante a mudança de capital para uma cidade a ser construída, Regeneração, na confluência do Rio Parnaíba e do Rio Mulato.
Em 1850, José Antônio Saraiva é nomeado presidente da já Província do Piauí. É em seu governo que o assunto de uma nova capital fica acalorado, e os principais passos são dados. O presidente da província alterou o assunto e incursa na mudança da sede do governo para a Vila do Poti, nas margens do Rio Parnaíba, planejando-a para evitar as costumeiras enchentes do rio. A nova capital resolveria um problema que ameaçava a integração do estado: a influência de um crescente polo comercial e industrial no vizinho Maranhão, Caxias.
A transferência efetiva da capital da Província do Piauí de Oeiras para Teresina foi efetivada em 16 de agosto de 1852, dirigindo circular a todos os presidentes de províncias do Brasil comunicando o fato, instituindo-a assim, como nova capital da província. Teresina integraria o estado por meio do Rio Parnaíba com a navegabilidade, facilitando o comércio de produtos pelo porto de Parnaíba, no litoral, além do restante do estado.
Assim como toda a maioria das cidades brasileiras, nasceu ao redor de uma igreja, a primeira construção edificada em Teresina foi a igreja de Nossa Senhora do Amparo, localizada no Centro da Capital. A cidade foi totalmente planejada pelo Conselheiro José Antônio Saraiva, sendo considerada por alguns como a primeira capital planejada do Brasil. A construção faz parte da atual Praça Marechal Deodoro, que na fundação da cidade concentrava toda a esfera política do estado, com o prédio da Justiça Federal e do Palácio do Governo, Atual museu do Piauí) e, também, destacava-se como centro econômico com a inauguração do Mercado Central São José. Hoje, marco zero da fundação da cidade, a praça ainda possuí o Palácio da Cidade (antiga Escola Normal) e o Mercado central (Mercado velho), conservados desde a fundação.
O nome da cidade-sede da nova capital piauiense remonta a imperatriz consorte do Brasil, Dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, mãe da Princesa Imperial do Brasil, Dona Isabel de Bragança. A imperatriz teria intermediado, junto ao imperador Dom Pedro II do Brasil, a mudança da capital da província, e em sua homenagem os piauienses puseram o novo nome da cidade, sendo a contração de seus dois primeiros nomes próprios pelos quais ela era conhecida, ou seja, a junção dos nomes Teresa e Cristina, formando Teresina. Tornada nova capital, Teresina passou por um crescimento populacional bastante acentuado, aumentando de 49 para cerca de 8 mil habitantes em duas décadas. Essa foi a primeira cidade do Brasil construída em traçado geométrico. Ela não nasceu de forma espontânea, mas artificialmente. Saraiva, pessoalmente, tomou as primeiras providências: planejou tudo, juntamente com o mestre de obras português João Isidoro França, com o cuidado de estabelecer logradouros em linhas paralelas, simetricamente dispostas, todas partindo do Rio Parnaíba rumo ao Rio Poti, principais fontes de água da cidade até hoje.
Em 1860, a nova capital já contava com uma área urbanizada de um quilômetro de extensão na direção norte-sul, com os seguintes confrontos: de um lado o largo do quartel do Batalhão (atual Estádio Lindolfo Monteiro) e do outro o "Barrocão" (atual Avenida José dos Santos e Silva). Na direção leste-oeste o desenvolvimento não ganhou a mesma intensidade. Tomando-se como base o lado do Parnaíba, as ruas findavam a algumas dezenas de metros acima das duas principais praças, a da Constituição, atual Praça Marechal Deodoro da Fonseca (anteriormente Praça do Palácio e Largo do Amparo), e a do Largo do Saraiva (atualmente Praça Saraiva). Para o lado do Poti, nem todas as ruas chegavam ao rio. A Rua Grande (atual Rua Álvaro Mendes), uma das principais ruas da nova capital, teve um papel significante no desenvolvimento da nova cidade.
Teresina foi a primeira capital do Brasil especificamente planejada para substituir outra já existente; as outras são Aracaju (1855), Belo Horizonte (1894), Goiânia (1933), Brasília (1960), e Palmas (1989). Todavia, convém ressaltar, que os núcleos fundacionais das cidades de Salvador (1549), São Luís (1612) e Recife (Mauritsstadt - 1637) também foram projetados. Ainda assim, os traçados de Salvador e Mauritsstadt tinham uma malha reticulada flexível e tais cidades não foram projetadas para substituir outras capitais já existentes.