Teresa de Saldanha (4 de setembro de 1837 – 8 de janeiro de 1916), de seu nome completo Teresa Rosa Fernanda de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, foi uma religiosa dominicana, fundadora da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena e pintora portuguesa.
Teresa de Saldanha, baptizada e registada Teresa Rosa Fernanda de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, nasceu a 4 de setembro de 1837, em Lisboa, no Palácio da Anunciada, na Rua das Portas de Santo Antão, sendo filha de João de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, 3.º Conde de Rio Maior, e de Isabel Maria dos Prazeres de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, filha do diplomata José Luís de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos, 1.° Conde de Vila Real e 6º Morgado de Mateus. Era a segunda filha dos quatro filhos do casal, sendo irmã de António José de Saldanha Oliveira e Sousa, 1.º Marquês de Rio Maior, José Luis de Saldanha Oliveira e Sousa e de Maria Teresa de Saldanha de Oliveira e Sousa.
Primeiros Anos de Vida e Formação Artística
Proveniente de uma família da alta nobreza, durante a sua infância, teve aulas em casa, sendo leccionada por vários tutores particulares em matérias distintas como História, Literatura e várias línguas, como o inglês, francês, alemão e italiano, e foi iniciada na prática da misericórdia, através da Associação de Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos, que a sua mãe fundou em 1848, com o intuito de prestar socorro às famílias mais carenciadas.
Com um papel preponderante na sua vida, foi também a sua mãe que a iniciou na pintura e na música, após ter revelado possuir, bastante cedo, um talento inato para as artes. Posteriormente, Teresa de Saldanha tornou-se discípula do litógrafo Casimir Leberthais e do aguarelista e pintor Tomás da Anunciação, realizando vários retratos, paisagens, cenas do quotidiano e de iconografia religiosa de estilo romântico e naturalista.
Voto de Castidade e Acções de Beneficência
Em 1856, após completar a maioridade e fazer o voto de castidade, Teresa de Saldanha tomou a decisão de se dedicar inteiramente a Deus e ao serviço dos pobres. Três anos depois, em 1859, fundou, em Lisboa, a Associação Protectora das Meninas Pobres, dedicando-se à educação de crianças pobres e à alfabetização e promoção de jovens operárias, através de aulas externas, provenientes sobretudo de Alfama, um dos bairros mais pobres e populosos de Lisboa.
Em 1862, começou a dirigir o Colégio de Santa Marta para Meninas Pobres, auxiliada pela associação apostólica Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, contudo, nesse mesmo ano, devido à proibição das ordens religiosas em Portugal, as religiosas francesas foram forçadas a abandonar o país, por entre a agitação da opinião pública, vivendo-se momentos muito conturbados, dada a politização da religião.
Com os conventos fechados e as ordens religiosas, continuamente, a serem expulsas de Portugal, desde 1834, constatando que em Lisboa não existiam comunidades ou congregações religiosas que se dedicassem ao serviço dos pobres e educação das crianças, após ser submetida a uma intervenção cirúrgica e reflectir sobre a sua vida, em 1863 Teresa de Saldanha deu a conhecer a sua intenção de entrar numa ordem religiosa de freiras dominicanas, para futuramente regressar a Portugal e fundar uma congregação religiosa, apesar do ambiente anti-congregacionista em que se vivia.
Em 1866, Teresa de Saldanha delineou o seu plano para fazer o noviciado na Irlanda num convento de Dominicanas Contemplativas, contudo foi impedida pelo pai, que se opunha à escolha de vida religiosa de sua filha. Somente dois anos depois, em 1868, juntamente com duas amigas, a jovem aristocrata conseguiu partir para Inglaterra, onde iniciou o noviciado a 18 de abril com o nome de Irmã Teresa Catarina Rosa Maria do Santíssimo Sacramento, regressando a Portugal em 1868, para dar início ao seu plano de criação duma congregação de Irmãs Dominicanas, seguidora de Santa Catarina de Sena.
Ordem Dominicana de Santa Catarina de Sena
Em 1877, com o seu próprio património comprou a Quinta e o Palácio de São Domingos de Benfica, em Lisboa, criando as bases para a fundação da Casa-Mãe da congregação. Pouco depois, tomou o hábito de religiosa e, em 1887, já como Madre Teresa de Saldanha, fundou oficialmente a Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, restaurando a vida religiosa em Portugal. Durante esse mesmo período, promoveu a abertura de dispensários, asilos e colégios, para protecção dos menos favorecidos.
Primeira República Portuguesa e Proibição da Ordem Religiosa
Com a Implantação da República Portuguesa, em 1910, os bens da congregação foram confiscados e as Irmãs Dominicanas foram obrigadas a dispersaram-se pela Bélgica, Espanha, Brasil, México, Angola, Moçambique, Timor, Canadá e Estados Unidos, onde implantaram novas comunidades para continuarem o seu apostolado, sob o lema "fazer o bem sempre e onde seja possível". Aquelas que ficaram em Portugal, foram acolhidas pelas próprias famílias ou por amigos, tentando, apesar de perseguidas, ainda assim continuar a sua missão. Discretamente presentes nas obras anteriormente assumidas ou arriscando novas fundações de beneficência e misericórdia, não deixaram perecer o espírito da sua Madre Fundadora. Completamente despojada dos seus bens, Madre Teresa de Saldanha viu-se então forçada a alugar uma pequena casa na Rua Gomes Freire, em Lisboa.
Faleceu a 8 de janeiro de 1916, com setenta e oito anos de idade. Durante a sua cerimónia funerária, gerou-se uma grande e espontânea manifestação popular de apreço pela sua vida e obra, sendo documentados e relatados pela imprensa da época alguns episódios onde várias pessoas tentaram tocar no seu hábito durante o seu velório, sendo considerando por muitos como uma santa.
Discípula do litógrafo Casimir Leberthais e do aguarelista e pintor Tomás da Anunciação, das várias obras de estilo romântico e naturalista que realizou durante a sua vida, sobretudo nos seus primeiros anos até decidir seguir a vida de religiosa em 1869, destacam-se os seus auto-retratos e retratos de família desenhados a carvão (1851), a pintura a óleo Ecce Homo (1855-1856), vários ilustrações e a carvão e aguarelas (1856), os painéis do Sagrado Coração de Jesus e São João Baptista (Goa, 1865), de Santa Brígida (Convento das Inglesinhas, 1865), de Nossa Senhora e o Menino Jesus (Hospital de São Luís das Irmãs da Caridade Francesas, 1865), da Beata Maria dos Anjos (1865), ou as pinturas de Mater Dolorosa, Santa Rosa de Viterbo e Rapariga com cesto ao ombro, entre muitas outras.
Postumamente, várias iniciativas foram realizadas em homenagem à vida da pintora e Irmã Dominicana portuguesa:
Na toponímia local, o seu nome pode ser encontrado nos concelhos de Lisboa, Rio Maior e Lagoa.