Os antigos templos romanos estavam entre os mais importantes edifícios na cultura romana, apesar de apenas uns poucos terem sobrevivido intactos. Atualmente eles são "os mais óbvios símbolos da arquitetura romana". Sua construção e manutenção era uma das grandes responsabilidades da antiga religião romana e, em todas as cidades de alguma importância, havia pelo menos um templo principal e outros menores. De maneira geral, a sala principal (cela) abrigava a principal imagem de culto da divindade à qual o templo era dedicado e também um pequeno altar para incenso ou libações. Atrás desta sala, existia uma ou mais salas utilizadas pelos oficiantes do templo para armazenar objetos de culto e oferendas.
O plano arquitetural mais comum era um templo retangular num pódio elevado, com uma fachada limpa com um pórtico no alto de uma escadaria com vários degraus e com um frontão triangular acima das colunas. Os lados e o fundo do edifício geralmente não eram decorados e não tinham entradas para o templo. Além disto, havia também templos circulares, geralmente com colunas à toda volta. Fora da Itália, muitos dos templos fundiam tendências romanas com estilos locais. A forma original dos templos romanos se basou nos templos etruscos, estes, por sua vez, baseados nos antigos templos gregos, com forte influência direta destes.
Cerimônias religiosas públicas da antiga religião oficial romana se realizavam ao céu aberto e não dentro do templo. Algumas eram procissões que começavam ou terminavam no templo ou que o visitavam no percurso, geralmente em homenagem a um objeto de culto abrigado no templo e levado para fora para a ocasião. Sacrifícios, geralmente de animais, se realizavam num altar erguido especificamente para este fim. Especialmente durante o período imperial, cultos estrangeiros ganharam espaço e seguidores em Roma. Estes cultos geralmente tinham práticas muito diferentes, alguns privilegiando locais de culto subterrâneos e outros, como os primeiros cristãos, oficiando em residências.
Algumas ruínas de templos romanos sobreviveram, especialmente em Roma, e os relativamente poucos exemplos quase intactos foram quase todos convertidos em igrejas cristãs (alguns depois convertidos em mesquitas), alguns bem depois do triunfo do cristianismo no Império Romano. O declínio da religião romana foi relativamente gradual e os próprios templos só foram confiscados pelo governo depois do decreto do imperador Honório em 415. Santi Cosma e Damiano, no Fórum Romano, originalmente um templo dedicado a Rômulo, só foi convertido em igreja em 527.
A palavra portuguesa "templo" deriva do termo latino "templum", que originalmente não designava o edifício em si, mas um espaço sagrado demarcado e dedicado ritualmente. O arquiteto romano Vitrúvio sempre utiliza a palavra templum neste sentido. As palavras latinas mais comuns equivalentes ao uso moderno de "templo" eram sacelo (um pequeno santuário ou capela), aedes (a morada de um deus), delubro (santuário que abrigava a imagem de um deus) e fano (um local sagrado).
A forma de um templo romano era originalmente derivada de modelos etruscos, mas, no final do período republicano, a preferência se alterou para estilos gregos clássicos e helenísticos, mas sem grandes mudanças na forma básica. Os etruscos eram um povo que habitava o norte da Itália e cuja civilização atingiu o ápice no século VII a.C. Eles próprios já haviam sido influenciados pela primitiva arquitetura grega e, por isso, os templos romanos tinham um estilo próprio com características gregas e etruscas. Os templos sobreviventes atuais (gregos e romanos) não tem mais a extensiva decoração de estátuas pintadas na linha do telhado e nem os elaborados revestimentos e antefixos, em terracota colorida nos exemplos mais antigos, que alegravam o entablamento.
Templos etruscos e romanos enfatizavam a frente do edifício, que seguia o modelo dos templos gregos e consistia tipicamente de amplos degraus que levavam até um pórtico com colunas, um pronau e geralmente um frontão triangular acima, que geralmente estava repleto com estátuas de grande esplendor artístico; estas geralmente eram feitas de terracota e nenhum exemplo sobreviveu intacto, somente em fragmentos. Especialmente no período mais antigo, mais estátuas podiam ser colocadas no telhado e o entablamento era decorado com antefixos e outros elementos arquiteturais, todos muito coloridos. Porém, ao contrário dos modelos gregos, que geralmente davam igual tratamento a todos os lados do templo, que podia ser visto e adentrado a partir de todas as direções, as paredes laterais e do fundo dos templos romanos geralmente não tinham decoração nenhuma, não tinham entradas ou degraus e muitas vezes estavam encostados em outros edifícios. Como se pode ver na Maison Carrée, as colunas laterais podiam ser semicolunas fundidas na própria parede.
A plataforma sobre a qual o templo era construído era tipicamente mais elevada nos templos romanos e etruscos do que nos gregos, com dez, doze ou até mais degraus ao invés dos típicos três dos templos gregos. O Templo de Cláudio tinha vinte degraus. Estes geralmente só existiam na frente e tipicamente não abrangiam a largura toda do templo. Depois do declínio dos modelos etruscos, as ordens clássicas gregas em todos os seu detalhes foram minuciosamente seguidas nas fachadas dos templos e outros edifícios romanos, com a adoção direta destes modelos aparentemente começando por volta de 200 a.C., logo depois da Segunda Guerra Púnica. Apesar disto, as diferenças básicas na forma geral dos templos entre o estilo etrusco-romano e o grego se mantiveram. Porém, as proporções idealizadas entre os diferentes elementos nas ordens apresentadas pelo único importante escritor sobre arquitetura cuja obra sobreviveu, Vitrúvio, e pelos subsequentes escritores do renascimento italiano não refletem a prática verdadeira romana, que podia ser muito variável, mas sempre buscando equilíbrio e harmonia. Seguindo uma tendência helenística, a ordem coríntia e a sua variante, a ordem compósita, são as mais comuns nos templos romanos sobreviventes, mas, para templos menores, como o Templo romano de Alcântara, uma ordem toscana, mais simples, podia ser utilizada. Vitrúvio não reconhece nem a ordem compósita e nem a toscana em suas obras e elas só foram formalizadas no renascimento a partir da observação dos edifícios sobreviventes.
A frente do templo tipicamente tinha uma inscrição designando que o construiu gravada em pedra. Ela geralmente era preenchida de tinta colorida, geralmente escarlate ou vermelhão. Em grandes monumentos imperiais, as letras eram moldadas em chumbo, afixadas com pregos e pintadas ou douradas. Estas letras raramente sobreviveram, mas os arqueólogos quase sempre conseguem reconstruir o texto a partir dos buracos dos pregos; em alguns casos, as letras foram restauradas e colocadas no local.
Havia uma considerável variação local no estilo, pois os arquitetos romanos geralmente tentavam incorporar elementos que a população esperava encontrar em seus edifícios sagrados. Este era o caso especialmente no Egito e no Oriente Médio, onde as diferentes tradições de grandes templos em pedra já tinham milhares de anos. O templo romano-celta era simples, geralmente construído com pouco uso de pedras. Os pequenos templos encontrados no Império ocidental, especialmente na Britânia, eram geralmente quadrados com um deambulatório, sem nenhuma característica distintiva clássica, e provavelmente era uma continuação dos templos pré-romanos típicos do politeísmo celta.
Os templos romano-celtas eram geralmente circulares e templos circulares de vários tipos foram construídos pelos romanos. Modelos gregos estava disponíveis nos santuários "tholos" e em outros edifícios, como salas de reuniões. Templos da deusa romana Vesta, que geralmente eram pequenos, tipicamente eram circulares. Como no caso do Templo de Hércules Vitorioso, em Roma, que provavelmente foi obra de um arquiteto grego, os exemplos sobreviventes geralmente são completamente circundados por uma colunata e estão elevados acima de um baixo pódio em estilo grego.