Henrique Batista Duffles Teixeira Lott GCC • GCA (Barbacena, 16 de novembro de 1894 – Rio de Janeiro, 19 de maio de 1984) foi um militar e político brasileiro, que atingiu o posto de marechal, foi Ministro da Guerra e concorreu à Presidência da República nas eleições de 1960. Ficou conhecido por preservar a ordem constitucional brasileira ao garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e do vice-presidente João Goulart, num episódio que entraria para história como o Movimento de 11 de Novembro.
Henrique Batista Duffles Teixeira Lott nasceu em Sítio (MG), distrito de Barbacena e embrião do futuro município de Antônio Carlos (Minas Gerais), no dia 16 de novembro de 1894, filho de Henrique Matthew Lott, de ascendência inglesa, e de Maria Batista Duffles Teixeira Lott, filha dum português. Em 1905, matriculou-se no Colégio Militar (RJ). Sentou praça em março de 1911. Promovido a primeiro-tenente em novembro de 1920, fez os cursos de engenharia militar, cavalaria e infantaria, em cuja arma obteve o primeiro lugar da turma.
Em março de 1925, Lott matriculou-se no primeiro ano da Escola de Estado-Maior do Exército, cujo curso concluiu em dezembro de 1927. Quando irrompeu a Revolução de 1930, Lott servia ainda como instrutor da Escola Militar, onde comandava um batalhão.
Comandou a Escola de Estado-Maior, na Praia Vermelha, entre 23 de dezembro de 1942 e 12 de julho de 1943.
Em novembro de 1944, foi promovido a general-de-brigada, seguindo logo depois para Santa Maria como comandante da Infantaria Divisionária/3, onde permaneceu de dezembro de 1944 a março de 1946. Estava nesse posto quando, sondado, aquiesceu ao movimento militar que destituiu o presidente Getúlio Vargas no dia 29 de outubro de 1945. Deixou a ID/3 em março de 1946, para comandar a Infantaria Divisionária/2, em São Paulo.
Em dezembro de 1946 foi nomeado adido militar junto à embaixada brasileira em Washington.
No período de 12 de março de 1949 a 2 de outubro de 1952, comandou a 2ª Região Militar, também em São Paulo.
Em 1954, no próprio dia do suicídio de Vargas, o vice-presidente João Café Filho tomou posse na presidência da República. Conhecido por suas posições de intolerância a qualquer indisciplina militar, Lott foi imediatamente escolhido para ocupar o Ministério da Guerra.
A 10 de Dezembro de 1954 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.
Caracterizava-se pelos seus hábitos metódicos, pelo seu respeito à hierarquia militar e ao governo constituído. Após o suicídio de Vargas, Café Filho assumiu a presidência da República e nomeou Teixeira Lott ministro de Guerra, devido às pressões da caserna (sobretudo de oficiais generais), mas especialmente visando afastar a influência do general pró-Vargas, Newton Estillac Leal, sobre os militares. Quando Juscelino Kubitschek e João Goulart venceram as eleições presidenciais de outubro de 1955 - respectivamente para presidente e vice-presidente -, houve uma divisão das Forças Armadas, pois a chapa vitoriosa era constituída por dois candidatos getulistas, o mineiro Juscelino Kubitschek e o gaúcho João Goulart.
No dia 1º de novembro, por ocasião do enterro do general Canrobert Pereira da Costa, a crise político-militar ganhou nova dimensão. Durante a cerimônia, na qual, entre outros oradores, Lott pronunciou um discurso, um destacado integrante da corrente udenista nas forças armadas, o coronel Jurandir de Bizarria Mamede, pediu a palavra e fez também um pronunciamento. Mamede, que não estava escalado para falar, além de elogiar o general morto por haver liderado o movimento contra Vargas em agosto de 1954, afirmou que “seria uma indiscutível ‘mentira democrática’ se o regime presidencial, que comporta uma enorme soma de poderes no Executivo, permitisse a vitória da minoria que seria consubstanciada na posse dos eleitos”. Lott julgou imprescindível a punição de Mamede, o que entretanto dependia do assentimento de Café Filho, pois o oficial na ocasião lecionava na Escola Superior de Guerra (ESG), órgão ligado ao Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) que, por sua vez, era subordinado à Presidência da República.
Persistindo em seu empenho de punir o coronel Mamede, no dia 3 Lott telefonou para o chefe do Gabinete Militar, coronel José Canabarro Pereira, para saber se Café Filho já havia tomado conhecimento do discurso de Mamede. Foi então informado de que o presidente acabava de ser internado no Hospital dos Servidores do Estado. No dia seguinte, Lott foi chamado por Carlos Luz — presidente da Câmara dos Deputados e substituto legal de Café Filho —, que lhe pediu um relato sobre a situação no Exército. O ministro da Guerra transmitiu ao presidente interino a opinião de que quase todos os chefes e oficiais estavam a favor da manutenção da ordem constitucional e do respeito às decisões da Justiça Eleitoral.
Voltando no dia 10 ao palácio do Catete para a audiência marcada, Lott foi recebido por Carlos Luz depois de esperar hora e meia. Na conversa entre os dois o presidente comunicou ao ministro da Guerra o parecer do consultor-geral da República, Temístocles Cavalcanti, contrário à punição do coronel Mamede, acrescentando que este último permaneceria lotado no EMFA, resguardado, portanto, de qualquer sanção. Imediatamente Lott colocou seu cargo à disposição do presidente, que, além de aceitar o pedido de demissão, informou-lhe que já havia pensado num substituto para o posto, o general Álvaro Fiúza de Castro. O general Fiúza, que se encontrava naquele momento no palácio, foi chamado à sala da reunião e tanto ele quanto o presidente manifestaram o desejo de que a posse fosse imediata. Lott argumentou, entretanto, que precisava “esvaziar as gavetas” do ministério, ficando assim a transmissão do cargo marcada para o dia seguinte.
A notícia da demissão de Lott provocou intensa atividade nos círculos militares e políticos ligados a Juscelino. Ainda no dia 10, na casa do general Zenóbio da Costa, reuniu-se o comando central do Movimento Militar Constitucionalista, composto por oficiais que serviam sob suas ordens. Na residência do general Odílio Denys, comandante da Zona Militar Leste (hoje Comando Militar do Leste), realizou-se uma outra reunião congregando dez generais comandantes das guarnições do Rio de Janeiro, além do general Olímpio Falconière da Cunha, comandante da Zona Militar Centro (atual Comando Militar do Sudeste), que se encontrava de passagem pelo Rio. O general Denys estivera com Lott antes da reunião e o havia informado de que a Marinha e a Aeronáutica estavam de prontidão. Quando comunicou-lhe que ele e os generais sob seu comando estavam dispostos a abandonar seus cargos caso Lott deixasse o ministério e que julgavam conveniente que o Exército também entrasse de prontidão, o ministro da Guerra colocou-se contra, ainda não convencido da validade de opor-se abertamente ao que considerava intentos golpistas do governo. Finalmente, à uma hora da madrugada do dia 11, Lott telefonou para o general Denys e comunicou-lhe que estava disposto a agir. Juntando-se ao grupo que se encontrava na casa de Denys, seguiu para o Ministério da Guerra, onde foi centralizado o comando das operações militares. Às quatro horas da manhã Carlos Luz tentou comunicar-se com Lott, mas este recusou-se a atendê-lo.
Em 11 de novembro, Lott desencadeou o movimento militar, dito de "retorno ao quadro constitucional vigente". Houve então a declaração do impedimento do presidente em exercício, Carlos Luz, a entrega de seu cargo ao presidente do senado Nereu Ramos e a garantia da posse dos eleitos, em obediência à Constituição. No início de 1956, Lott continuou como ministro da Guerra no governo de JK, pois garantira a posse do presidente, mobilizando as tropas nas ruas. Foi quando recebeu uma espada de ouro da comunidade defensora da legalidade constitucional (segundo familiares e amigos próximos, Lott teria recusado a espada de ouro, ao brandir sua tradicional espada de general). Este acontecimento ficou conhecido com Movimento de 11 de Novembro.
Em 17 de Maio de 1958 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.