Theodore John Kaczynski ([kəˈzɪnski]; Chicago, 22 de maio de 1942 – Durham, 10 de junho de 2023), também conhecido como Unabomber, foi um matemático e terrorista doméstico americano. Prodígio da matemática, abandonou sua carreira acadêmica em 1969 para adotar um estilo de vida primitivo e recluso e empreender uma campanha de terrorismo de lobo solitário. Kaczynski assassinou três pessoas e feriu outras 23 entre 1978 e 1995 em uma campanha nacional de atentados com cartas-bomba contra aqueles que, em sua visão, promoviam a tecnologia moderna e a destruição do meio ambiente natural. Foi autor de um manifesto e crítica social de cerca de 35.000 palavras, Sociedade Industrial e Seu Futuro (1995), que se opõe a todas as formas de tecnologia, rejeita o esquerdismo, defende o primitivismo cultural e, em última instância, sugere uma revolução violenta.
Em 1971, Kaczynski mudou-se para uma cabana remota sem eletricidade nem água encanada, perto de Lincoln, Montana, onde viveu como eremita enquanto aprendia técnicas de sobrevivência para tornar-se autossuficiente. Depois de testemunhar a destruição da natureza selvagem ao redor de sua cabana, concluiu que viver na natureza estava se tornando impossível e decidiu combater a industrialização e sua destruição da natureza por meio do terrorismo. Em 1979, Kaczynski tornou-se objeto do que, à época de sua prisão em 1996, era a investigação mais longa e cara da história do Federal Bureau of Investigation (FBI). Antes que sua identidade fosse conhecida, o FBI utilizava o identificador de caso UNABOM (University and Airline Bombing), o que levou a mídia a chamá-lo de "Unabomber".
Em 1995, Kaczynski enviou uma carta ao The New York Times prometendo "abandonar o terrorismo" caso o Times ou o The Washington Post publicasse seu manifesto, no qual argumentava que seus atentados eram extremos, mas necessários para chamar atenção para a erosão da liberdade e da dignidade humanas pelas tecnologias modernas. O FBI e a procuradora-geral dos Estados Unidos Janet Reno pressionaram pela publicação do ensaio, que apareceu no The Washington Post em setembro de 1995. Ao lê-lo, o irmão de Kaczynski, David, reconheceu o estilo da prosa e comunicou suas suspeitas ao FBI.
Após sua prisão em 1996, Kaczynski — sustentando que era são — tentou, sem sucesso, dispensar seus advogados nomeados pelo tribunal, pois eles queriam que ele alegasse insanidade para evitar a pena de morte. Em 1998, declarou-se culpado de todas as acusações e foi condenado a várias penas consecutivas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Em 2021, recebeu um diagnóstico de câncer e interrompeu o tratamento em março de 2023. Kaczynski se enforcou na prisão em junho de 2023.
Theodore John Kaczynski nasceu em Chicago em 22 de maio de 1942, filho de Wanda Theresa (nascida Dombek) e Theodore Richard Kaczynski, um fabricante de salsichas, ambos pertencentes à classe trabalhadora. Os dois eram americanos de ascendência polonesa, foram criados como católicos romanos e mais tarde se tornaram ateus. Eles se casaram em 11 de abril de 1939.
Da primeira à quarta série (dos seis aos nove anos), Kaczynski frequentou a Sherman Elementary School, em Chicago, onde os administradores o descreveram como saudável e bem ajustado. Em 1952, três anos após o nascimento de seu irmão David, a família mudou-se para o subúrbio de Evergreen Park, Illinois, e Ted foi transferido para a Evergreen Park Central Junior High School. Depois que um teste mediu seu QI em 167, ele pulou a sexta série. Kaczynski mais tarde descreveu isso como um acontecimento decisivo: antes, socializava com os colegas e chegou a ser visto como um líder; depois de avançar uma série, porém, sentiu que não se encaixava entre os alunos mais velhos, que praticavam bullying contra ele.
Vizinhos de Evergreen Park mais tarde descreveram a família Kaczynski como "pessoas com espírito cívico", e um deles lembrou que os pais "sacrificaram tudo o que tinham pelos filhos". Tanto Ted quanto David eram inteligentes, mas Ted era excepcionalmente brilhante. Vizinhos o descreveram como uma pessoa inteligente, porém solitária.
Kaczynski frequentou a Evergreen Park Community High School, onde se destacou academicamente. Tocava trombone na banda marcial e era membro dos clubes de matemática, biologia, numismática e alemão. Em 1996, um ex-colega de escola disse: "Ele nunca era realmente visto como uma pessoa, como uma personalidade individual ... Era sempre considerado um cérebro ambulante, por assim dizer." Durante esse período, Kaczynski desenvolveu intenso interesse por matemática, passando horas estudando e resolvendo problemas avançados. Aproximou-se de um grupo de rapazes com interesses semelhantes em ciência e matemática, conhecidos como "garotos das pastas" devido ao hábito de carregar pastas executivas.
Durante todo o ensino médio, Kaczynski estava academicamente à frente de seus colegas. Colocado em uma turma de matemática mais avançada, logo dominou o conteúdo. Pulou o penúltimo ano e, frequentando aulas de verão, formou-se aos 15 anos. Kaczynski foi um dos cinco finalistas de sua escola no National Merit Scholarship Program e foi incentivado a se candidatar à Universidade Harvard. Ainda com 15 anos, foi aceito em Harvard e ingressou na universidade com uma bolsa em 1958, aos 16 anos. Um ex-colega do ensino médio disse mais tarde que Kaczynski estava emocionalmente despreparado: "Eles arrumaram as coisas dele e o mandaram para Harvard antes que estivesse pronto ... Ele nem sequer tinha carteira de motorista."
Kaczynski ingressou no Harvard College como um prodígio da matemática. Durante seu primeiro ano na universidade, viveu no número 8 da Prescott Street, uma residência concebida para oferecer um espaço pequeno e íntimo aos estudantes ingressantes mais jovens e precoces. Nos três anos seguintes, morou na Eliot House. Seus colegas de residência e outros estudantes de Harvard descreveram Kaczynski como uma pessoa muito inteligente, mas socialmente reservada. Obteve o grau de Bachelor of Arts em matemática por Harvard em 1962, concluindo o curso com GPA de 3,12.
Em seu segundo ano em Harvard, Kaczynski participou de um estudo conduzido pelo psicólogo de Harvard Henry Murray. Os participantes foram informados de que debateriam filosofia pessoal com outro estudante e foram convidados a escrever ensaios detalhando suas crenças e aspirações pessoais. Os ensaios eram entregues a uma pessoa anônima, que confrontava e depreciava o participante em ataques que o próprio Murray chamou de "veementes, abrangentes e pessoalmente abusivos", usando o conteúdo dos ensaios como munição. Kaczynski passou 200 horas participando do estudo.
Os advogados de Kaczynski mais tarde atribuíram sua hostilidade a técnicas de controle mental à participação no estudo de Murray. Kaczynski afirmou ressentir-se de Murray e de seus colaboradores, principalmente por causa da invasão de privacidade que, em sua percepção, resultara dos experimentos. Ainda assim, disse estar "bastante certo de que [suas] experiências com o professor Murray não tiveram efeito significativo no curso de [sua] vida".
Em 1962, Kaczynski matriculou-se na Universidade de Michigan, onde obteve os graus de Master of Arts e Ph.D. em matemática em 1964 e 1967, respectivamente. Michigan não era sua primeira opção para a pós-graduação; ele havia se candidatado à Universidade da Califórnia em Berkeley e à Universidade de Chicago, que o aceitaram, mas não lhe ofereceram cargo docente nem auxílio financeiro. Michigan ofereceu-lhe uma bolsa anual de US$ 2.310 (equivalente a $25 000 em 2025) e um posto de ensino.
Em Michigan, Kaczynski especializou-se em análise complexa, especificamente em teoria geométrica das funções. O professor Peter Duren disse sobre Kaczynski: "Ele era uma pessoa incomum. Não era como os outros estudantes de pós-graduação. Era muito mais concentrado em seu trabalho. Tinha um impulso para descobrir a verdade matemática." George Piranian, outro de seus professores de matemática em Michigan, disse: "Não basta dizer que ele era inteligente." Piranian ensinou a Kaczynski teoria das funções e recordou: "ele era muito persistente em seu trabalho. Se um problema era difícil, trabalhava mais. Era facilmente o melhor aluno, ou um dos melhores". O professor Allen Shields escreveu, em uma avaliação de notas de Kaczynski, que ele era o "melhor homem que já vi". Kaczynski recebeu uma nota F, cinco B e doze A em suas dezoito disciplinas na universidade. Em 2006, disse ter lembranças desagradáveis de Michigan e considerava que a universidade tinha padrões baixos de avaliação, tendo em vista suas notas relativamente altas.