Neste Dia

Teca Pereira

Atriz brasileira

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Maria Tereza Ferreira Pereira (São Paulo, 20 de julho de 1952) é uma atriz e bailarina brasileira. Conhecida por seus trabalhos na televisão e no cinema nos anos recentes, iniciou sua carreira como bailarina no teatro ainda na década de 1970, onde se consagrou como atriz, sobretudo no teatro musical. Pereira é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Troféu Mambembe e um Prêmio Aplauso Brasil, além de ter sido indicada para um Prêmio APETESP de Teatro.

Pereira fez sua estreia profissional na peça Gota D'Água (1977) integrando o elenco do coro de bailarinos. No entanto, sua carreira na atuação viria a começar de fato no espetáculo Meia-Sola (1978) no papel de Salomé. Em seguida, logo passou a ser chamada para outras produções, com ênfase no teatro musical onde se destacou por sua voz marcante e habilidade na dança. Esteve no elenco de montagens notórias, incluindo Aí Vem o Dilúvio (1981), a versão brasileira do espetáculo da Broadway, A Chorus Line (1983), um grande sucesso, e Mulheres de Hollanda (1990).

Na televisão, sua estreia ocorreu em 1982 como Antônia na novela Os Imigrantes: Terceira Geração, na Band TV. Após essa estreia, ela se dedicou exclusivamente ao teatro por duas décadas, retornando à TV somente em 2005. Em 2006, participou da novela Belíssima, no papel de Rita. No teatro, recebeu elogios da crítica por sua interpretação como Edna em O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (2016), atuando ao lado de Eva Wilma, Nathalia Timberg e Nicette Bruno, e foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pelo Prêmio Aplauso Brasil. Em 2018, foi aclamada novamente por sua atuação como Romana no clássico Eles Não Usam Black-Tie, sendo a primeira atriz negra a interpretar o papel, conforme a concepção original do autor. Por essa performance, Teca recebeu o Prêmio Aplauso Brasil.

Em 2019, ganhou notoriedade por interpretar Jurema na série Segunda Chamada, da TV Globo, uma mulher de 70 anos que decide voltar a estudar a contra gosto do marido. Após esse trabalho, passou a ser requisitada para mais trabalhos na televisão e no cinema, como nas séries Pico da Neblina (2019), Família Paraíso (2022) e a produção norte-americana The Changeling: Sombras de New York (2023), além dos filmes Ritmo de Natal (2023), TPM! Meu Amor (2023) e Kasa Branca (2024).

Nascida em São Paulo no dia 20 de julho de 1952, Maria Tereza Ferreira Pereira é de uma família de origem humilde e sem conexões com o mundo artístico. Sua mãe biológica, empregada doméstica, a levava consigo para o trabalho quando Teca ainda tinha apenas um ano de idade. Durante esse período, a menina foi acolhida por uma vizinha chamada Clarisse, neta de holandeses, que passou a cuidar dela enquanto sua mãe trabalhava. Teca permaneceu na casa de Clarisse por cerca de seis meses, até que sua mãe decidiu deixar o emprego e oferecer à amiga a possibilidade de criar a filha, buscando melhores condições para ela.

Aos seis anos, Teca foi oficialmente adotada por Clarisse, uma mulher branca, que a criou com muito carinho e dedicação. A relação com sua mãe biológica sempre foi cordial, com visitas duas vezes por ano, nas festas de fim de ano e no seu aniversário. Foi apenas aos 23 anos que Teca conheceu seu pai biológico, sobre o qual sua mãe sempre lhe disse que ele havia falecido. A experiência, no entanto, foi angustiante, como a atriz relatou em uma entrevista à TV Cultura, no programa Persona, em 2023, descrevendo o encontro como “terrível”, já que o homem era um completo estranho e se comportou de forma desagradável.

Desde a infância, Teca Pereira experimentou uma convivência marcada por contradições em relação à sua identidade racial. Apesar de nascer em uma família negra, foi criada por uma mulher branca, que a tratou como uma pessoa comum, sem distinções. Clarisse a incentivou constantemente a acreditar em si mesma e a não se preocupar com os preconceitos externos. Teca, por sua vez, não compreendia o impacto da sua cor de pele até mais tarde, quando começou sua carreira profissional. Foi nesse período que ela percebeu que muitos obstáculos que enfrentava estavam ligados ao seu racial, e não à sua competência. Em várias entrevistas, ela enfatizou o papel fundamental de sua mãe na construção de sua autoestima, e como isso a ajudou a superar as dificuldades e manter sua confiança no futuro.

O interesse de Teca pelas artes começou desde cedo. Ainda criança, ela participou do programa Grande Gincana Kibon e venceu o concurso de calouros para crianças. Além disso, sua mãe, percebendo seu talento para a dança, a matriculou na Escola Municipal de Bailado, ligada à Fundação Theatro Municipal de São Paulo, onde estudou balé clássico e se formou em 1970. No entanto, após concluir seus estudos, Teca decidiu trabalhar como secretária no Colégio Mackenzie, apesar da desaprovação de sua mãe, que acreditava que não havia necessidade de ela trabalhar devido à boa situação financeira da família. Mesmo assim, Teca buscava sua independência financeira e trabalhou de forma clandestina, escondendo de Clarisse sua decisão. Foi em meio a essa busca por autonomia que Teca descobriu sua verdadeira paixão: o teatro. Ela se lançou na carreira artística, que viria a se consolidar como o grande propósito de sua vida profissional.

1977—04: Início da carreira e primeiros trabalhos

Em 1977, enquanto ainda trabalhava como secretária, Teca Pereira recebeu uma ligação de uma amiga que a informou sobre uma oportunidade no Teatro Aquaryus, em São Paulo, que estava à procura de bailarinos para integrar seu elenco de coro. Decidida a aproveitar a chance, ela fez o teste e foi aprovada, sendo contratada para o espetáculo. Foi nesse momento que sua trajetória no teatro se iniciou oficialmente, quando teve sua carteira de trabalho assinada como atriz pelo dramaturgo Zeno Wilde, embora não tivesse formação profissional nem registro como atriz. Apesar de sua apreensão por não ter a experiência formal, Teca continuou seus trabalhos no palco, participando do espetáculo Gota D'Água (1977), estrelado por Bibi Ferreira.

Durante esse período, com seu registro profissional como atriz, Teca recebeu um convite para atuar em uma peça dirigida por Afonso Gentil. Desafiada a decorar textos e se adaptar ao novo ambiente, ela aceitou a proposta e passou a integrar o elenco de Meia-Sola (1978). Nesse espetáculo, teve a oportunidade de contracenar com grandes nomes do teatro brasileiro, incluindo a renomada atriz Vic Militello, marcando um importante passo em sua carreira artística. Em 1980, faz parte da peça de comédia A Revista do Bixiga e no ano seguinte integra mais um musical, Aí Vem o Dilúvio, de Plínio Rigon. Teca sofreu preconceito racial antes de integrar o elenco do musical. Apesar de ter passado no teste, a primeira direção considerou que a atriz iria destoar dos tons pastéis do cenário, não a considerando para o elenco. Somente quando a direção foi trocada que ela foi chamada.

Em 1982, fez sua estreia na televisão atuando na sexta fase da novela Os Imigrantes, na TV Bandeirantes, onde fez parte do elenco da terceira geração da trama, como Antônia. Embora fosse um papel pequeno, representou seu primeiro trabalho em telenovelas. Anteriormente, ela havia trabalhado como apresentadora e atriz no programa Telecurso. Em 1983, é escalada para a grande produção musical A Chorus Line, adaptação brasileira de um espetáculo da Broadway, produzida por Walter Clark com a direção musical de Murilo Alvarenga. Lançando ao estrelado grandes nomes além de Teca, incluindo Claudia Raia e Raul Gazolla, numa trama que conta a história de dançarinos da Broadway que participam da seleção por um lugar na linha de coro de um novo musical.

Em 1985, estreia na TV Globo em uma participação especial na minissérie Tenda dos Milagres, escrita por Aguinaldo Silva e Regina Braga, livremente inspirada no romance homônimo de Jorge Amado. Ela interpretou Bernardina da Conceição, a esposa de Zé da Inácia, interpretado por Jorge Coutinho. Nos anos seguintes, dedicou-se exclusivamente ao teatro, destacando-se no teatro infantil. Atuou em inúmeros espetáculos, incluindo Mulheres de Hollanda (1990), onde interpretava a canção "Zeni e o Zapellim" de Chico Buarque, Os Incomodados que Se Mudem (1993), Uma Dama e Um Vagabundo (1996) e Canção dos Direitos das Crianças (1996), pelo qual ela foi agraciada com o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz Coadjuvante em Peça Infantil. Em 2000, foi dirigida por Bibi Ferreira na peça As Encalhadas. No cinema, ela atuou em diversos curtas-metragens na década de 1990, mas teve seu primeiro papel em um longa-metragem de destaque atuando na comédia dramática Domésticas (2001), de Fernando Meirelles, interpretando Teca.

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