Teótoco (em grego: Θεοτόκος; romaniz.: Theotókos) é um dos mais antigos títulos da Virgem Maria, utilizado principalmente pelas Igrejas Católica e Ortodoxa, bem como reconhecido, em graus diversos, por comunidades anglicanas e por algumas denominações protestantes de tradição histórica.
A palavra compõe-se de dois elementos do grego clássico e bíblico: Θεο- (Theo-) vem de Θεός (Theós), que significa "Deus", e em -τόκος (-tokos) que vem de τίκτω (tíktō), que significa "dar à luz", "parir", "gerar". Assim, a tradução literal do termo é “Aquela que dá à luz a Deus”, donde derivam expressões consagradas na tradição cristã como “Mãe de Deus” e “Portadora de Deus”. No uso pastoral e litúrgico, católicos, anglicanos e diversos cristãos ocidentais empregam com maior frequência a expressão Mãe de Deus, enquanto o termo Teótoco permanece especialmente caro à teologia e à liturgia oriental.
Desde os primeiros séculos do cristianismo, muitos Padres da Igreja defenderam a legitimidade e a necessidade deste título mariano, não como um privilégio isolado de Maria, mas como uma afirmação essencial da fé cristológica. Entre esses testemunhos destacam-se Orígenes (†253), Santo Atanásio de Alexandria (†373) e São João Crisóstomo (†407).
A doutrina foi definida dogmaticamente pelo Concílio de Éfeso, em 431, que proclamou solenemente Maria como Teótoco, em oposição às teses de Nestório, que pretendia separar em Cristo duas pessoas distintas. O Concílio afirmou, assim, que Jesus Cristo é uma única Pessoa divina, o Verbo eterno, que assumiu plenamente a natureza humana no seio da Virgem Maria.
O título Teótoco não sugere que Maria seja anterior a Deus ou origem da divindade. Ele afirma, antes, que aquele que ela concebeu, gerou e deu à luz é verdadeiramente Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, feito homem pela ação do Espírito Santo. Sendo Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, com duas naturezas inseparáveis numa única Pessoa divina, Maria é legitimamente chamada Mãe de Deus, não da natureza divina em abstrato, mas da Pessoa divina do Filho.
Teótoco é composta de duas palavras gregas, Θεός (Deus) e τόκος (parto). Literalmente, isso se traduz como portadora de Deus ou a que dá à luz Deus. No entanto, na Igreja Ortodoxa muitos consideram essa tradução literal desajeitada no uso litúrgico, e Teótoco é traduzida como Mãe de Deus. O último título é composto de uma palavra distinta em grego, Μήτηρ του Θεού (transliterado Mētēr tou Theou). Outras palavras gregas poderiam ser usadas para descrever "Mãe de Deus", como Θεομήτωρ (transliterado Theomētor; também escrito Θεομήτηρ, transliterado como Theomētēr) e Μητρόθεος (transliterado Mētrotheos), que são encontradas em textos patrísticos e litúrgicos. As letras gregas ΜΡ e ΘΥ são abreviaturas utilizadas para os termos gregos de "Mãe de Deus", consistindo das letras inicial e final de cada palavra, a sua utilização é uma prática comum na iconografia ortodoxa para referir-se à Maria.
Em muitas tradições, Teótoco foi traduzida do grego para a língua local litúrgica. A mais proeminente delas é a tradução para o latim (Deipara, Genetrix Dei, como também, Mater Dei), em árabe (والدة الله. transliteração: Wālidat Deus), em georgiano (ღვთისმშობელი. transliteração: Ghvtismshobeli), em armênio: (Աստուածածին. transliteração: Astvadzatzin) e o romeno (Născătoare de Dumnezeu ou Maica Domnului).
Cristãos justificam a utilização da expressão Teótoco ou Mãe de Deus, citando Lucas 1,43, onde Santa Isabel saúda a Virgem Maria como a "mãe do meu Senhor". Na linguagem bíblica, o termo “Senhor” (Kyrios) é um título divino, o que implicaria o reconhecimento da maternidade divina de Maria. Também utiliza-se Isaías 7,14 e Mateus 1,23; que contêm a profecia do Emanuel, que significa 'Deus Conosco', pois quem o dá à luz é uma virgem, no caso, Maria.
Primeiras Crenças e Padres da Igreja
Diversos Padres da Igreja nos três primeiros séculos defendem Maria como a Teótoco, dentre eles; Orígenes (254), Dionísio (250), Atanásio (330), Gregório (370), João Crisóstomo (400) e Agostinho de Hipona (430). O hino "À vossa compaixão" (em grego: Ὑπὸ τὴν σὴν εὐσπλαγχνίαν), datado do século III, retrata Maria como «Santíssima Teótoco, salvai-nos.»
Definição dogmática pelo Concílio de Éfeso
O uso do termo Teótoco foi formalmente afirmado como dogma no Terceiro Concílio Ecumênico realizado em Éfeso, em 431. A visão contrária, defendida pelo patriarca de Constantinopla Nestório era que Maria devia ser chamada de Cristótoco (Christotokos), que significa "Mãe de Cristo", para restringir o seu papel como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não da sua natureza divina.
Os adversários de Nestório, liderados por Cirilo de Alexandria, consideravam isto inaceitável, pois Nestório estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo, uma vez que em Cristo "O Verbo se fez carne" (João 1:14), ou seja o Verbo (que é Deus - João 1:1) é a carne; e a carne é o Verbo, Maria foi a mãe da carne de Cristo e por consequência do Verbo. Cirilo escreveu que "Surpreende-me que há alguns que duvidam que a Virgem santa deve ser chamada ou não de Teótoco. Pois, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, e a Virgem santa deu-o à luz, ela não se tornou a [Teótoco]?" A doutrina de Nestório foi considerada uma falsificação da Encarnação de Cristo, e por consequência, da salvação da humanidade. O Concílio aceitou a argumentação de Cirilo, afirmou como dogma o título de Teótoco de Maria, e anatematizou Nestório, considerando sua doutrina (Nestorianismo) como uma heresia.
Maria é frequentemente chamada de Teótoco no hinos das Igrejas Ortodoxa, e Católicas Orientais. O mais comum é o Axion Estin, que é usado em quase todos as formas de liturgia. Outros exemplos incluem o Sub tuum praesidium (À vossa proteção) que data do século III, a Ave Maria, e o Magnificat.
Na Igreja Católica, a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (Teótoco) é celebrada em 1.º de janeiro, encerrando a Oitava do Natal e contemplando Maria intimamente unida ao mistério da Encarnação do Verbo. Desde 1967, esta data coincide também com o Dia Mundial da Paz, criado pelo Papa Paulo VI, sublinhando o vínculo entre a maternidade de Maria e o dom da paz que Cristo traz ao mundo.
Esta solenidade tem origem nas Igrejas Orientais, remontando aproximadamente ao século V, e é considerada dia santo de guarda, o que implica, para os fiéis católicos, a obrigação de participar da Santa Missa.
Dogmas e doutrinas marianas da Igreja Católica
Cirilo de Alexandria, On the Unity of Christ, John Anthony McGuckin, trans. ISBN 0-88141-133-7