Raimundo Tarcísio Delgado (Juiz de Fora, 4 de outubro de 1935 – Juiz de Fora, 12 de setembro de 2025) foi um advogado, escritor e político brasileiro filiado ao MDB.
Foi vereador em Juiz de Fora (1967-1971), deputado estadual em Minas Gerais (1971-1975), deputado federal por três vezes (1975-1978, 1979-1982, 1991-1995) e prefeito de Juiz de Fora por três mandatos (1983-1988, 1997-2000, 2001-2004). Além disso, foi diretor geral do extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) e ocupou o cargo de secretário de Estado do Trabalho e Ação Social de 1991 a 1992 durante o governo estadual de Hélio Garcia.
Era pai de Júlio Delgado, que atualmente exerceu mandato na Câmara Federal por Minas Gerais. Além de Júlio, era mais de mais 4 filhos.
Filho de José Florêncio Delgado e Anna Pereira Delgado, é o mais velho de uma família de nove irmãos: Esther, José, Maria Edith, Geraldo, Sebastião Equidórnio, Francisco de Paula, Luiz Gonzaga e Carlos Roberto.
Alfabetizado apenas aos 10 anos de idade, cursou o primário na pequena escola do arraial onde vivia, em sala multiseriada. Para frequentá-la, percorria diariamente uma distância de onze quilômetros no lombo de um pequira.
Aos 15 anos, concluindo a quarta série primária, mudou-se com a família para Juiz de Fora. A mudança se dá por insistência de sua mãe Anna, inconformada com o futuro que os filhos teriam se permanecessem na roça.
Estabelecendo-se em Juiz de Fora, conciliava estudos com trabalho, ajudando seu pai na lenharia de propriedade da família. Aos 17 anos, conseguiu seu primeiro emprego, como entregador, na padaria da vizinhança. Aos 18, entrou para a fábrica de bebidas Senra, que produzia vinhos e licores. Já aos 19 anos, teve, pela primeira vez, sua carteira de trabalho assinada pela Construtora Procópio Ladeira, exercendo a função de apontador de obras. Durante o cargo, trabalhou na construção dos prédios do Banco do Brasil e no do Banco Bradesco. Nesta época, iniciou o curso de Contabilidade no Colégio São Luiz. Passando por outros empregos, Tarcísio chegou a jogar profissionalmente pelo Tupynambás Futebol Clube.
Trabalhando durante o dia, estava determinado a cursar a Direito na UFJF e enveredou pelas madrugadas preparando-se para o vestibular. Aprovado no exame, começou o curso superior escondido de seu patrão, que ameaçava demiti-lo caso ele teimasse em estudar. Fascinado por esportes, realizou-se nas competições das Olimpíadas Universitárias, onde representava o curso de Direito em algumas modalidades, como vôlei e futebol. Seu sucesso esportivo o fez perder o emprego: os jornais destacaram sua atuação nas competição universitária e o patrão lhe deu o ultimato: estudo ou trabalho. Tarcísio não relutou. Sua opção foi a faculdade.
Durante o período da faculdade, sua liderança começou a se manifestar de forma mais acentuada. participava ativamente da política estudantil e, no fim do curso, em 1964, se tornou presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito. Além disso, ganhou como prêmio cultural uma viagem aos Estados Unidos, realizada no início de 1965, logo após sua formatura.
Em 1963, a militância na advocacia teve início, quando começou a trabalhar como estagiário no escritório de José de Castro Ferreira, assumindo sozinho o escritório a partir de 1965.
Em 1966, Tarcísio foi aprovado em concurso para Juiz de Direito de Minas Gerais. Por ocasião de sua nomeação, resolveu não assumir o cargo que lhe exigiria mudar-se de Juiz de Fora. Assim, desistiu formalmente da nomeação.
Em 1966, foi eleito vereador, tendo sido o candidato mais votado da cidade naquelas eleições. Assumindo o mandato em 1967, foi eleito por unanimidade Presidente da Câmara Municipal da cidade. Como vereador, lutou para levar qualidade de vida às populações da zona rural. Ao deixar a liderança da Câmara, assumiu a presidência da Comissão de Legislação e Justiça até o fim do mandato.
Eleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais nas eleições de 1970, assumiu o mandato em 1971, ano em que se mudou para Belo Horizonte com toda a família. Como deputado estadual, foi líder da bancada do MDB e integrante da Comissão de Constituição e Justiça.
Entre os muitos gestos políticos de destaque, ressalta-se sua corajosa adesão à anticandidatura de Ulysses Guimarães à Presidência da República, em 1973.
No fim do mandato em 1974, publicou o livro Caminho e Atalhos para o Poder, com um resumo de sua vida parlamentar na Assembleia Legislativa.
Em 1974, foi eleito deputado federal com 46.662 votos, assumindo a vice-liderança do MDB na Câmara Federal e passando a integrar o Diretório Nacional do partido.
Em 1978, foi reeleito para a Câmara dos Deputados com 63.389 votos e passou a fazer parte da primeira Executiva do Diretório Nacional' do PMDB, de 1980 a 1982.
Esses dois primeiros mandatos como deputado federal se caracterizaram por um desempenho comprometido com as causas democráticas, que o fizeram militante destacado do antigo grupo 'Autênticos do PMDB', responsável pela defesa das teses progressistas no contexto político da Ditadura Militar. Além disso, publicou várias separatas com seu trabalho parlamentar e o livro Caminhando.