Tamerlão, do turcomano, Timur-i-Lenk (em persa: تیمور لنگ), ou "Timur, o Coxo" (Keš, atual Xacrisabez, Usbequistão, 8 de abril de 1336 – Otrar, perto da atual Shymkent, Cazaquistão, 19 de fevereiro de 1405), de seu verdadeiro nome Tīmur ibn Taragay Barlas foi o último dos grandes conquistadores nômades da Ásia Central de origem turco-mongol.
Nascido nos domínios do Canato de Chagatai, de uma família de pastores, agregou em torno de si diversas tribos, graças à sua competência militar, à sua astúcia como político, uso do terror, atração dos saques e ao seu carisma como declarado adepto da religião islâmica e das artes. Com a ajuda de um vasto exército, construiu um poderoso e agressivo império, conhecido como Império Timúrida, que não resistiria à sua morte.
As suas campanhas militares ficaram marcadas por selvagens massacres e uma brutalidade que excedeu em número e desumanidade os cometidos pelos seus antecessores. Estima-se que as suas campanhas causaram a morte de cerca de 17 milhões de pessoas.
Timur, que significa "ferro" na língua turca, nasceu em Kesh, perto de Samarcanda, na antiga região da Transoxiana. Existem dúvidas sobre a sua verdadeira data de nascimento, que poderá ser 1320 ou 1330. Várias fontes persas se referem a ele como Timur-e-Lang, que se traduz como "Timur, o coxo", (o nome Tamerlão ou Tamerlane é uma deturpação) dado que, ainda na juventude, sofrera um acidente de cavalo que o deixara manco; ou segundo outros, uma lesão sofrida em combate cerca de 1364. Sua família havia se agregado ao recém-formado Canato de Chagatai, um dos quatro reinos mongóis originários da fragmentação do grande império de Genghis Khan. A unidade política desse reino era praticamente inexistente, e os clãs viviam de maneira quase independente, como pastores nômades ou semi-nômades. Tamerlão nasceu e cresceu nesse contexto, onde a liderança não era herdada, mas conquistada e mantida pela força e pela coragem e o uso de misericórdia era considerado um sinal de fraqueza. É possível que o respeito que conquistou esteja ligado à sua personalidade carismática, ao seu gênio militar e ao uso do terror. Ahmad Arabshah, um historiador de Damasco, que o descreveu como "um cão raivoso" observa que a lealdade conquistada por Tamerlão seria devida ao seu sucesso inicial como ladrão de ovelhas, e que seus seguidores seriam ladrões, depois transformados em guerreiros hábeis e disciplinados.
No decorrer da década de 1360, Tamerlão estabeleceu alianças entre líderes tribais, e tornando-se virtualmente o líder de todo o Canato de Chagatai. Para confirmar sua autoridade, Tamerlão forjou uma relação distante de parentesco com Gengis Cã.
Tamerlão foi descrito por diversos cronistas do século XIV, e cada relato apresentava o imperador sob um enfoque diferente: ora nobre e educado, ora violento e explosivo, ora um bárbaro aculturado, ora um amante das artes. Mas todos os relatos concordam que Tamerlão possuía personalidade complexa que fascinava e tornava perplexos mesmo os seus desafetos.
O seu apetite por comida, bebidas alcoólicas e mulheres era enorme. Tinha quatro esposas, conforme o Islão, (muito embora o embaixador Clavijo registasse oito) mas muitas concubinas. As esposas de Tamerlão gozavam de estatuto elevado, com relativa liberdade social e considerável influência política.
Afirmava-se adepto de uma versão do Islão que incorporava os velhos cultos animistas mongóis e declarou para si a missão de expandir e fortalecer a fé islâmica no mundo, assumindo também o papel de um líder religioso para seu povo — apesar de muitas das suas vítimas serem também muçulmanas. Além disso, sabia que os chagatai precisavam ser mantidos ocupados, para evitar descontentamentos entre seus exércitos, e empreendeu contínuas campanhas militares contra seus vizinhos durante seu reinado, com os consequentes saques, generosamente distribuídos pelas suas tropas. Assim, seu poder se consolidou, também, por saber como lidar com seus inquietos compatriotas, além de expandir seu império para além das estepes da Ásia Central. Para o historiador René Grousset, Tamerlão representou a síntese do barbarismo mongol com o fanatismo religioso.
Apesar da natureza rude do modo de vida mongol, o imperador chagatai era um entusiasta de história, poesia e filosofia,[carece de fontes?] arte, e arquitetura e não raro fazia questão de poupar artistas, historiadores e engenheiros estrangeiros durante suas conquistas — exterminando todo o resto da população. Durante seu reinado, a cidade de Samarcanda, para onde esses prisioneiros eram deportados, tornou-se a pérola das estepes asiáticas, com grandes obras de arquitetura e urbanismo. Tamerlão também apreciava a visita de embaixadores e mercadores estrangeiros, com os quais aprendia sobre a história e a cultura de povos tão distantes quanto os espanhóis e italianos.[carece de fontes?]
A característica pela qual Tamerlão tornou-se mais conhecido — e temido — foi sua crueldade, a brutalidade com que tratava os povos conquistados. Apesar de ser um líder militar refinado (estabelecia novas estratégias jogando xadrez), não abria mão da violência para abater a moral dos inimigos e impor o terror sobre os povos conquistados. Atos como o assassínio de um grupo de crianças pequenas — ocorrido no ataque a Ispaã, quando dizimou quase toda a população local, empilhando as cabeças decapitadas em montes do lado de fora da cidade — e o emparedamento de duas mil pessoas em uma torre de Isfizar para sufocar uma rebelião, tiveram enorme repercussão negativa na reputação de Tamerlão na Europa e em reinos adjacentes, mas inflavam o orgulho dos chagatai.
Com 32 anos de idade, Tamerlão já se tinha tornado senhor da Transoxiana, e em 1370, fez de Samarcanda a sua capital. Receando vinganças por parte da família de Mir Huceine, seu antigo aliado, que fora assassinado, mandou matar os filhos deste e os seus apoiantes. Em 1371 invadiu Coração e o Império Corásmio e nos anos que se seguiram iniciou uma campanha em direção ao oeste em 1380. Em 1371 começou a expandir seus domínios para o Afeganistão e Multan, no Paquistão. Conquistou a velha cidade de Deli, a Pérsia, o Iraque, a Armênia e o sul da Rússia, então sob domínio do Canato da Horda Dourada. Seu exército ainda saquearia o Reino da Geórgia várias vezes. Por todo o lado deixava atrás dele torres feitas das cabeças decapitadas dos vencidos. Em 1379, saqueia Urguenche.
Em 1383, Tamerlão começou a sua longa conquista da Persia. Nessa campanha, quando Herate, capital da Dinastia Cártida, não se rendeu, ele reduziu a cidade a cinzas e massacrou a maior parte da sua população. Em Sabzevar, no actual Irão, Tamerlão arrasou a cidade. Dois mil prisioneiros vivos foram empilhados uns sobre os outros, com lama e tijolos, para fazer uma torre. Em 1384-1386 conquista Sistão e Candaar.
Em 1387, em Ispaã, setenta mil cabeças decepadas foram empilhadas em vários pontos da cidade. Em 1388, Urguenche é totalmente arrasada. Em 1389, avançou pelo território continental da Pérsia desde 1382 (captura de Ispaã, em 1387, a expulsão dos Muzafáridas de Xiraz, em 1393, e expulsão dos Jalaíridas de Bagdá). Datam de 1392 as campanhas timúridas de Pérsis, Mesopotâmia, Anatólia e Geórgia.
Em 1394/96 ele triunfou sobre a Horda Dourada (batalha de Terek) e impôs sua soberania no Cáucaso, em 1398 subjugou Multan e Dipalpur, no atual Paquistão.
Em 1395 Tamerlão esmagou Tuqtamish no rio Terek e devastou as cidades da Horda de Ouro, entre elas Ukek, Majar, Sarai e Astracã.
Em 1398, invade a Índia. Mesmo no século XIV, fazer a guerra pedia uma justificação rudimentarː a de Tamerlão era que o território que ele planeava invadir não era islâmico, ou não era suficientemente islâmico. A Índia, com suas dezenas de milhões de cafires, era um argumento fácil. Atravessa o Indocuche e possui Multan. Ordena a execução de cem mil prisioneiros que estorvavam a progressão do seu exército. Arrasa Deli de tal maneira que esta leva um século a recuperar.
Na conquista de Deli, Tamerlão teve que enfrentar pela primeira vez um exército montado sobre elefantes. Sem saber como enfrentar essa força desconhecida para os mongóis, ordenou que apanhassem os camelos que os escoltavam e os carregassem com fardos de palha. Atearam fogo aos fardos e enviaram os camelos em disparada para as linhas inimigas, causando pânico aos elefantes, forçando sua retirada.