Tales de Mileto (em grego: Θαλῆς ὁ Μιλήσιος; Mileto, c. 624 a.C. — Mileto, c. 546 a.C.) foi um filósofo pré-socrático, astrônomo, matemático, engenheiro e comerciante da Grécia Antiga, fundador da Escola Jônica.[carece de fontes?] Considerado, por alguns, o primeiro filósofo ocidental, é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga,[carece de fontes?] os primeiros estudiosos da natureza (physis/natura Φύσις) a formular uma explicação racional sobre o mundo/universo sem recorrer ao sobrenatural.
Considerava a água como sendo a origem de todas as coisas, e seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial”, que constituía a essência do universo, concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial. Resultando na teoria do “tudo é um”, onde há uma unidade geral do universo e todos são ligados.
Entre os principais discípulos de Tales de Mileto merecem destaque: Anaximandro de Mileto, para quem os mundos eram infinitos em sua perpétua inter-relação; e Anaxímenes de Mileto que afirmava que o "ar" era a substância primária.
No naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", disse ele, aproximadamente 2 460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado". [carece de fontes?]
Tales aparece como o "pai" da filosofia ocidental,[carece de fontes?] é devido seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo, não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela. A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.
Segundo o historiador grego Heródoto, Tales teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. e, possívelmente seria o primeiro a explicar o eclipse solar, quando verificou que a Lua é iluminada por esse astro. Os astrônomos modernos calculam que esse fenômeno ocorrera em 28 de maio do ano mencionado por Heródoto. Para Aristóteles, esse evento marca o início da filosofia.
Tales é de ascendência fenícia, filho dos nobres Esamio e Cleobulina, nascido aproximadamente na metade do século VII a.C. possívelmente em Mileto, antiga colônia grega, situada na Ásia Menor (atual Turquia).
Foi extraordinário comerciante, tornou-se rico, em pleno período que transcorria os primeiros anos de migração da cultura grega ao Egito. Assim Tales visitou o Egito Antigo, onde conheceu a ciência (astronomia e geometria), aprendeu a teoria dos eclipses Solar e Lunar, e que esses fenômenos repetiam-se periodicamente de acordo com um ciclo.
Com base em observações empíricas (experimentar o real), Tales constata que todos os elementos que constituíam a natureza (ao menos aos que ele tinha alcance) eram compostos, em maior ou menor proporção, de água (o arqué fundador).
Os fenícios – através de sua mitologia – consideravam os elementos da Natureza (o Sol, a Terra, o Céu, o Oceano, as montanhas, etc.) como forças autônomas, honrando-os como deuses, elevados pela fantasia a seres altivos, móveis, conscientes e dotados de sentimentos, vontades e desejos. Estes deuses constituíam-se na fonte e na essência de todas as coisas do universo.
Tales foi um dos primeiros pensadores a alterar esses conceitos observando mais atentamente os fenômenos da natureza, a Physis (φύσις).
O ponto de partida da teoria especulativa de Tales – como também de todos os demais filósofos da escola Jônica – foi a verificação da permanente transformação das coisas umas nas outras e sua intuição básica é de que todas as coisas são uma só coisa fundamental, ou um só princípio (arché, ἀρχή).
Dos escritos de Tales, nenhum deles sobreviveu até nossos dias. Suas ideias filosóficas são conhecidas graças aos trabalhos de doxógrafos como Diógenes Laércio e Simplício da Cilícia e de filósofos, principalmente Aristóteles.
Em sua obra Metafísica, Aristóteles nos conta:
Em seu livro Da Alma, Aristóteles escreve:
Esse esforço investigativo de Tales no sentido de descobrir uma unidade, que seria a causa de todas as coisas, representa uma mudança de comportamento na atitude do homem perante o cosmos, pois abandona as explicações religiosas até então vigentes e busca, através da razão e da observação, um novo sentido para o universo.
Quando Tales disse que todas as coisas estão cheias de deuses, ou que o magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais, ele não estava invocando as palavras Deus e Alma, no sentido religioso como as conhecemos atualmente, mas sim adivinhando intuitivamente a presença de fenômenos naturais inerentes à própria matéria.
Embora suas conclusões cosmológicas estivessem erradas podemos dizer que a Filosofia começou então com Tales, que ao estabelecer a proposição de que a água é o absoluto, provoca como consequência o primeiro distanciamento entre o pensamento racional e as percepções sensíveis.