Taboleiro Grande é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte.
Até o século XVIII, a região do atual município de Taboleiro Grande era habitada por indígenas, cuja economia era voltada à pecuária. Através de um documento, a "Data dos Marcos", foi concedida a primeira sesmaria ao sargento-mor Bento Fernandes de Lima, datada de 12 de agosto de 1733, originando uma grande propriedade rural.
Mas a fundação da cidade é atribuída a Raimundo Pereira de Araújo, que no século XIX ergueu a primeira residência que daria origem ao povoado de Taboleiro Grande. O povoado começou a crescer, ainda que lentamente, até que, na década de 1920, começou a ser construída uma capela, dedicada a São Sebastião, que seria concluída em 1930. Posteriormente o povoado foi contemplado com a construção de um cemitério e de um mercado público.
Inicialmente subordinado a Portalegre, o povoado de Taboleiro Grande tornou-se um distrito de Rodolfo Fernandes, após este ser desmembrado e elevado à categoria de município através da lei estadual 2 763, de 10 de maio de 1962. Somente em 26 de dezembro de 1963, através da lei estadual 3 020, Taboleiro Grande desmembra-se de Rodolfo Fernandes e se torna um novo município do Rio Grande do Norte, tendo como primeiro prefeito Manoel Inácio de Freitas, nomeado interinamente pelo governador Aluízio Alves.
A instalação oficial do novo município se deu em 1° de janeiro de 1964. No dia 15 de novembro do mesmo ano, ocorreu a primeira eleição municipal, sendo Francisco Queiroz Porto eleito o primeiro prefeito constitucional.
De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017, Taboleiro Grande está situado na região geográfica imediata de Pau dos Ferros, dentro da região geográfica intermediária de Mossoró. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Pau dos Ferros, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar. Ocupa uma área de 124,093 km² (0,235% do território estadual) e se limita a norte com Rodolfo Fernandes e Itaú, a sul Portalegre e Francisco Dantas, a leste Riacho da Cruz e Itaú e a oeste Rodolfo Fernandes, São Francisco do Oeste e Francisco Dantas. Taboleiro Grande está distante 369 quilômetros de Natal, capital estadual, e 2 076 quilômetros de Brasília, capital federal.
O relevo é constituído pela Depressão Sertaneja-São Francisco, que abrange terrenos baixos de transição entre a Chapada do Apodi e o Planalto da Borborema. Taboleiro Grande está situado em área de abrangência de rochas metamórficas que formam o embasamento cristalino, formadas durante o período Pré-Cambriano médio, com idade entre um bilhão e 2,5 bilhões de anos. Todo o território municipal está localizado na bacia hidrográfica do rio Apodi/Mossoró, sendo cortado por este rio e também pelos riachos Cipó e Estrela. O maior reservatório é o açude Cajá, com capacidade para represar 942 480 metros cúbicos (m³).
Predominam os luvissolos ou solos bruno não cálcicos, pedregosos e típicos de áreas de relevo ondulado, com boa drenagem, médio a altamente fértil e com textura formada por areia ou argila. Há também, em porções menores, os latossolos vermelho amarelos, os litossolos e os solos podzólicos vermelho amarelos equivalente eutróficos. Esses solos são cobertos pela caatinga hiperxerófila, vegetação com espécies de pequeno porte, sem folhas na estação seca, típica do sertão. Entre as espécies mais encontradas estão o facheiro (Pilosocereus pachycladus), o faveleiro (Cnidoscolus quercifolius), a jurema-preta (Mimosa hostilis benth), o marmeleiro (Cydonia oblonga), o mufumbo (Combretum leprosum) e o xique-xique (Pilosocereus polygonus), além dos cactos.
O clima é semiárido quente (do tipo Bsh na classificação climática de Köppen-Geiger), com chuvas concentradas entre fevereiro e maio. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1933 o maior acumulado de precipitação em 24 horas em Taboleiro Grande atingiu 171,6 mm em 28 de março de 2023, superando os 163 mm registrados em 8 de abril de 1967 e em 6 de maio de 2008. O recorde de mês mais chuvoso da série histórica pertence a março de 1947, com 636,1 mm. Desde setembro de 2019, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN no município, a menor temperatura registrada em Taboleiro Grande foi de 19,5 °C nos dias 29 de julho de 2020, 12 de agosto de 2020 e 22 de junho de 2022, e a maior alcançou 39,9 °C em 4 de novembro de 2025.
A administração municipal se dá através dos poderes executivo e legislativo, o primeiro é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O poder legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, localizada no Palácio Antonio Alves de Souza e composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal (conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Existem ainda alguns conselhos municipais em atividade: assistência social, direito da criança e do adolescente, educação escolar, FUNDEB e tutelar. O município se rege por sua lei orgânica, promulgada em abril de 1990, e é um dos termos judiciários da comarca de Portalegre. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Taboleiro Grande pertence à 63ª zona eleitoral do Rio Grande do Norte e possuía, em dezembro de 2021, 2 349 eleitores, o que representa 0,1% do eleitorado estadual.
O serviço de abastecimento de água do município é feito pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN). A empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN). A voltagem da rede é de 220 volts. O código de área (DDD) é 084 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) varia na faixa de 59840-000 a 59854-999.
A frota municipal em 2016 era de 389 motocicletas, 145 automóveis, 57 motonetas, 41 caminhonetes, oito camionetas, sete caminhões, seis micro-ônibus, três ônibus e um caminhão trator, além de sete em outras categorias, totalizando 664 veículos. O município é cortado pela rodovia estadual RN-071, que se cruza com rodovia federal BR-405 e dá acesso à cidade.
A rede de saúde de Taboleiro Grande dispunha, em 2009, de três estabelecimentos, todos públicos e municipais, com um total de dezesseis leitos para internação. Em abril de 2010, a rede profissional de saúde era constituída por onze auxiliares de enfermagem, quatro médicos (dois clínicos gerais, um radiologista e um médico de família), dois cirurgiões-dentistas, um nutricionista, um fonoaudiólogo, um fisioterapeuta, um farmacêutico e um enfermeiro, totalizando 21 profissionais. Segundo dados do Ministério da Saúde foram notificados 262 casos de dengue e três de leishmaniose em Taboleiro Grande entre os anos de 2001 e 2012 e, no período de 1990 a 2015, foi registrado um caso de AIDS.
Em 2010, a expectativa de vida era de 72,51 anos, sendo a taxa de fecundidade de 2,9 filhos por mulher e a taxa de mortalidade infantil até um ano de idade de 19,8 por mil nascidos vivos (21,2 até cinco anos). No mesmo ano, 100% das crianças menores de um ano de idade estavam em dia com a carteira de vacinação e, das crianças do município com idade inferior a dois anos pesadas pelo Programa Saúde da Família, 3,9% estavam desnutridas. O município pertence à VI Regional de Saúde Pública (VI URSAP) do Rio Grande do Norte, sediada em Pau dos Ferros.
Taboleiro Grande possuía uma expectativa média de 10,36 anos de estudos em 2010, valor acima da média estadual (9,54 anos), ao passo que a taxa de alfabetização da população acima dos dez anos indicada pelo último censo demográfico do mesmo ano foi de 78,5% (85,4% para as mulheres e 71,6% para os homens). As taxas de conclusão dos ensinos fundamental (jovens de 15 a 17 anos) e médio (18 a 24 anos) eram de 40,1% e 37,4%, respectivamente.
O percentual de crianças de cinco a seis anos na escola era de 96,31% e de onze a treze anos cursando o fundamental de 86,86%. Entre os adolescentes, a proporção na faixa de quinze a dezessete anos com fundamental completo era de 40,69% e dezoito a vinte anos com ensino médio completo de apenas 33,86%. Considerando-se o nível de instrução da população igual ou superior a dez anos, 70,79% não tinham instrução e ensino fundamental incompleto, 10,49% fundamental completo e ensino médio incompleto, 16,31% médio completo e superior incompleto, 2,21% ensino superior completo e 0,2% sem nível de instrução determinado.