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T. S. Eliot

Poeta, dramaturgo e crítico literário norte-americano

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Thomas Stearns Eliot OM (St. Louis, 26 de setembro de 1888 – Londres, 4 de janeiro de 1965) foi um poeta, dramaturgo, crítico literário e editor literário americano-britânico. É considerado um dos representantes mais importantes do modernismo literário e um dos maiores poetas do século XX. Nascido nos Estados Unidos, mudou-se para a Europa durante a Primeira Guerra Mundial, consagrou-se como um dos maiores ícones da geração perdida, tornou-se cidadão britânico em 1927, tendo se convertido ao anglicanismo e exercido grande influência sobre o conservadorismo inglês, e, em 1948, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Sua poesia é conhecida pelo cuidado com a sonoridade e a musicalidade, pela constante alusão a mitos e referências culturais e pela reflexão acerca dos problemas existenciais do homem moderno.

Começou sua vida literária em 1915, quando publicou o poema The Love Song of J. Alfred Prufrock, que provocou polêmica à epoca por conta da linguagem marcada por metáforas subversivas e fluxo de consciência. Em 1922, alcançou reconhecimento internacional com o poema The Waste Land, considerado o principal poema do século XX e o maior registro literário da geração perdida e do período entreguerras. Posteriormente, aumentou seu prestígio com os poemas The Hollow Men, Ash Wednesday, Four Quartets e Old Possum's Book of Practical Cats, além de alguns trabalhos dramáticos como a peça Murder in the Cathedral e The Cocktail Party.

Thomas Stearns Eliot nasceu na família Eliot, uma família de classe média originária da Nova Inglaterra, que se mudou para St. Louis, Missouri. Seu pai, Henry Ware Eliot (1843-1919), foi um empresário bem-sucedido em St. Louis. Sua mãe, Charlotte Champe Stearns (1843-1929), escreveu poesias e foi uma assistente social.

Eliot foi o último dos seis filhos sobreviventes do casal, que possuía 44 anos de idade quando ele nasceu. Suas quatro irmãs tinham entre 11 e 19 anos de idade e seu irmão era oito anos mais velho que ele. Chamado "Tom" por familiares e amigos, recebeu o nome de seu avô materno Thomas Stearns.

T. S Eliot residia em Londres. Depois da guerra, nos anos vinte, ele passou muito tempo com outros grandes artistas na avenida Montparnasse, em Paris, onde foi fotografado por Man Ray. A poesia francesa exerceu grande influência na obra de Eliot, em particular o simbolista Charles Baudelaire, cujas imagens da vida em Paris serviram de modelo para a imagem de Londres pintada por Eliot. Ele começou então a estudar sânscrito e religiões orientais, chegando a ser aluno do renomado armênio George Ivanovich Gurdjieff. A obra de Eliot, após a sua conversão ao anglicanismo abandonando o unitarismo, é frequentemente religiosa em sua natureza e tenta preservar o inglês arcaico e alguns valores europeus que ele julgava serem importantes. Publicou o poema The Waste Land em 1922; em 1927 obteve a nacionalidade britânica. Em 1928, Eliot resumiu suas crenças muito bem no prefácio de seu livro "Para Lancelot Andrews": "O ponto de vista geral [dos assuntos do livro] pode ser descrito como classicista na literatura, monarquista na política e anglo-católico na religião." Essa fase inclui trabalhos poéticos como Ash Wednesday, The Journey of the Magi, e Four Quartets.

The Love Song of J. Alfred Prufrock (1920)

Em 1915, Ezra Pound, editor da revista Poetry, recomendou a Harriet Monroe, fundadora da revista, que ela publicasse "The Love Song of J. Alfred Prufrock". Embora Prufrock parecesse tratar-se de um homem na meia idade, Eliot escreveu a maior parte do poema quando tinha apenas 22 anos. Os seus hoje famosos primeiros versos, que comparam o céu ao entardecer com "a patient etherised upon a table" (algo como "um paciente anestesiado sobre a mesa”) foram considerados chocantes e ofensivos, ainda mais numa época na qual a poesia Georgiana imperava, com suas derivações românticas do século XIX.

O poema retrata uma experiência consciente de um homem, Prufrock, sob a forma de um "stream of consciousness" (figura de linguagem típica do modernismo, que consiste em mostrar por escrito o monólogo interior de um personagem). Prufrock lamenta sua inércia física e intelectual, as oportunidades que perdeu ao longo de sua vida e a falta de um progresso espiritual, recorrente de amor carnal que não conseguira atingir.

Os estudiosos não sabem dizer se o narrador sai de sua casa ao longo da narração, pois as localidades descritas podem ser interpretadas tanto como experiências reais, lembranças, ou mesmo imagens simbólicas do subconsciente, como por exemplo no refrão "In the room woman come and go / talking about Michelangelo".

A estrutura do poema foi fortemente influenciada por Dante Alighieri. Há ainda referências a Hamlet de Shakespeare e outras tantas obras literárias: essa técnica de alusão e citação foi muito usada em toda poesia posteriormente escrita por Thomas Stearns Eliot.

Em outubro de 1922, Thomas Eliot publicou "The Waste Land" no jornal "The Criterion". Composto durante um período turbulento na vida do autor — seu casamento estava acabando, pois tanto ele quanto sua esposa, Vivienne, sofriam de um transtorno psiquiátrico —, este poema é muitas vezes lido como uma alegoria à desilusão experimentada pela geração pós-guerra. Mesmo antes de "The Waste Land" ser publicado como livro (em dezembro de 1922), Eliot já havia se distanciado da visão desesperadora do poema: "No que diz respeito a 'The Waste Land', esse poema ficará no passado, pois agora estou trabalhando com formas e estilos diferentes", escreveu ele para Richard Aldington em 15 de novembro de 1922.

A despeito da obscuridade do poema — que tem sátiras e profecias; mudanças abruptas de narrador, localidade e tempo; além de invocar uma vasta e destoante gama de culturas e obras literárias -, ele acabou se tornando referência na literatura moderna, sendo considerado o reflexo poético de um romance publicada no mesmo ano: Ulysses, de James Joyce.

Entre seus muito famosos versos estão "April is the cruellest month" (referência ao fato de que abril é o mês de recomeçar a plantar, e não há colheitas na Europa), "I will show you fear in a handful of dust" e "Shantih shantih shantih", (Sânscrito que deve ser lido pausadamente e de forma onomatopeica. Algo como "Xantir… Xantir… Xantir…". Shantih significa "paz", e o sânscrito segue uma súplica pela paz).

A obra de Eliot foi muito apreciada pelos poetas da geração de trinta. Em certa ocasião W.H. Auden leu em voz alta todo o poema durante um encontro social. A publicação do esboço do poema em 1972 mostrava uma grande influência de Ezra Pound sobre a sua forma final. A parte IV, "Death by Water", fora reduzida de noventa e duas linhas para dez apenas, e com dez linhas foi publicado. Pound repreendeu Eliot por ter rasgado a maior parte do poema. Eliot o agradeceu por "incentivar-me a fazer as coisas do meu jeito".

Publicada em várias partes e com vários títulos diferentes, a versão final de "The Hollow Men" data de 3 de março de 1925. O poema faz referências a diversas obras do próprio Eliot e, embora tenha grande densidade literária, muitos críticos o consideram somente como um post scriptum de "The Waste Land".

Seu conteúdo é metafórico e de difícil interpretação, mas estudiosos dizem tratar-se de um poema que filosofa sobre os aspectos da mente humana num contexto ora social, ora religioso. Trata ainda dos medos humanos, considerando-os "more distant and more solemn/than a fading star" (mais distantes e solenes/que uma estrela cadente) e mostrando que mesmo nos sonhos é difícil visualizá-los sem temor. São estes medos "Eyes I dare not meet in dreams/In death's dream kingdom" (olhos que temo encontrar em sonhos/e no reino de sonho da morte). Esses olhos são muito similarmente descritos aos olhos de Beatriz, em A Divina Comédia.

O poeta retrata figuras "Reunidas nesta praia do rio tumultuado" - atraindo considerável influência do terceiro e quarto cantos do Inferno de Dante, que descreve o Limbo, o primeiro círculo do Inferno - mostrando o homem em sua incapacidade de cruzar para o próprio Inferno ou mesmo implorar redenção, incapaz de falar com Deus. Dançando em torno da pêra espinhenta ("Here we go around the prickly pear"), as figuras adoram falsos deuses, relembrando crianças e refletindo a interpretação de Eliot da cultura ocidental após a Primeira Guerra Mundial.

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