Sônia Maria Vieira Gonçalves, mais conhecida como Susana Vieira (São Paulo, 23 de agosto de 1942), é uma atriz brasileira. Estreou na televisão em 1962, se tornando na década de 1960 uma das principais atrizes da Rede Tupi e da TV Excelsior até chegar na RecordTV, onde foi alçada ao posto de protagonista e ganhou status de maior estrela da emissora. Em 1970, migrou para a TV Globo, onde permanece até hoje.
Susana imortalizou personagens como a Tina de O Espigão (1974), Cândida de Escalada (1975), por conta do sucesso de sua personagem, foi escalada para viver sua primeira protagonista, a babá Nice de Anjo Mau (1976), em seguida interpretou a romântica Marina de A Sucessora (1978), Renata de Um Sonho a Mais (1985), Gilda de O Salvador da Pátria (1989), Rubra Rosa de Fera Ferida (1993), Ana de A Próxima Vítima (1995), a memorável vilã Branca Letícia de Barros Mota de Por Amor (1997), que anos depois seria alvo de memes na internet devido a sua personalidade divertida e excêntrica, Lorena de Mulheres Apaixonadas (2003), a batalhadora Maria do Carmo de Senhora do Destino (2004) e muitas outras. Susana é uma das grandes atrizes brasileiras, deixando um enorme legado na teledramaturgia nacional, construindo personagens inesquecíveis desde o início de sua carreira, sendo atriz de múltiplas personalidades e tendo destaque com autores como Aguinaldo Silva, Manoel Carlos, Cassiano Gabus Mendes e Lauro César Muniz que lhe renderam inúmeros prêmios, como dois Prêmios APCA, dois Troféus Imprensa, dois Prêmios Extra, um Prêmio Governador do Estado, um Prêmio Contigo! de TV, além de já ter sido condecorada com o Troféu Mário Lago.
O pai de Susana, Marius Gonçalves, era militar da reserva, da Arma de Cavalaria, e foi representante na embaixada do Brasil em Buenos Aires; a mãe, Maria da Conceição Vieira Gonçalves, trabalhava no consulado, e já foram para a Argentina casados, e com os dois filhos mais velhos nascidos. Susana, batizada como Sônia Maria Vieira Gonçalves, nasceu na Maternidade São Paulo, na capital paulista. O nome artístico de Susana é na verdade de sua irmã, a atriz brasileira, nascida na Argentina, Susana Gonçalves. Além de Susana Gonçalves, Susana Vieira tem mais três irmãos: Sérgio, Sérvulo e Sandra.
Como acontece com famílias de diplomatas, Susana viveu em vários países, tendo aprendido vários idiomas. Sua primeira infância foi entre Montevidéu, Buenos Aires e Londres. No Uruguai, Susana estudou na tradicional Escuela Baron de Rio Branco, no ano de 1954. Foi em Buenos Aires que ela estudou balé, apresentando-se várias vezes no Teatro Colón. E foi ainda através da dança que, já no Brasil, apareceu num programa da TV Tupi de São Paulo, em 1960. Ganhando cachê e sendo contratada, começou a participar de vários programas como "TV de Vanguarda" e "TV de Comédia".
1962–70: Início na Tupi, Excelsior e Record
Susana começou a atuar em 1962, logo depois de ter se formado em arte pelo Teatro Municipal de São Paulo, passou a fazer parte do corpo de baile da TV Tupi, dançando nos programas durante a apresentação de cantores. Foi lá que o diretor Cassiano Gabus Mendes a viu e, achando-a bonita, começou a colocá-la no elenco de teleteatros e telenovelas. Por pressão do marido interrompeu a carreira artística para ser dona-de-casa, mas, depois que nasceu seu único filho em 1964,e ela voltou ao trabalho. Em 1966, atuou em três novelas na TV Excelsior: Almas de Pedra, As Minas de Prata (ambas do diretor Walter Avancini) e Ninguém Crê em Mim. Em 1967, já na TV Tupi atuou em Estrelas no Chão. De 1968 a 1969, atuou em várias novelas da Rede Tupi, RecordTV e TV Excelsior, onde viveu sua primeira protagonista em A Pequena Karen. Karen era uma pequena garota que morria no terceiro capítulo da novela e acabava voltando para a novela como um espírito. Em 1970, Susana foi contratada pela Rede Globo.
1970–85: Notoriedade e carreira internacional
A primeira novela de Susana Vieira na Rede Globo foi Pigmalião 70, onde interpretou a coprotagonista Candinha, uma feirante ambiciosa. Em 1974, Susana precisava trabalhar para sustentar o seu filho e pediu para uma amiga se passar por ela para pedir um personagem da novela de Dias Gomes, O Espigão. No ano de 1975, ganhou o seu primeiro troféu APCA como melhor atriz pela atuação na telenovela O Espigão. O segundo troféu veio no ano seguinte pela atuação em Escalada. Foi somente em 1976 que Susana Vieira fez seu primeiro papel como protagonista de telenovela na Globo, em Anjo Mau. Nesta novela, Susana fez sucesso no papel de Nice, uma moça ambiciosa que não media esforços para conseguir o que queria, por conta das maldades de sua personagem chegou até a ser agredida na rua. Nice era um personagem considerado imoral na época da ditadura militar, sendo assim, Cassiano Gabus Mendes, decretou sua morte no último capítulo. A novela tinha no elenco José Wilker, Renée de Vielmond, Sérgio Britto, Osmar Prado, Pepita Rodrigues, entre outros.
Depois de Nice, Susana se destacou no papel da protagonista da telenovela A Sucessora de 1978 como a insegura Marina Steen, a sua primeira parceria com o seu amigo, o autor Manoel Carlos. A novela foi um verdadeiro sucesso no exterior, chegando a passar em 50 países, entre eles Angola, Holanda, Itália, Suíça, onde foi exibida mais de duas vezes, e União Soviética. Em 1981, posou nua para a extinta revista Status Plus. Em 1983 aceitou o convite para atuar numa telenovela mexicana, Profesión: Señora. A oportunidade surgiu com o sucesso na América Latina de A Sucessora. Segundo Susana, o sindicato de atores no México chamou ela, por não querer usar o ponto eletrônico e isso mostrava uma certa superioridade. Além de Profesión: Señora, Susana também participou de uma novela estadunidense e outra mexicana. Fez, ainda, participações em especiais nas TVs venezuelana e americana e temporadas de teatro no Peru. Em 1985 posou para Playboy, porém não foi capa, apareceu nua apenas nas páginas interiores da revista.
Em Um Sonho a Mais, viveu a maldosa Renata, essa co-antagonista tinha como objetivo herdar a fortuna de Volpone, interpretação de Ney Latorraca. Seu terceiro papel como protagonista foi em 1987, no papel de Marta em Bambolê, onde interpretava uma mulher desquitada que enfrentava uma sociedade que se apaixonava por um sujeito que não se importava com a sociedade. Em 1990, viveu a coprotagonista Laís em Lua Cheia de Amor e em 1993, viveu também duas coprotagonistas: a divertida Rubra Rosa de Fera Ferida e a elegante Clarita em Mulheres de Areia. Foi protagonista em 1995 na novela A Próxima Vítima no papel de Ana Carvalho, a novela fez grande sucesso pelo suspense ao revelar o nome do assassino de vários personagens no último capítulo. Ana era uma mulher inteligente, mas sem muita cultura que tinha características de uma típica italiana e que vive um triângulo amoroso com Juca e seu amante Marcelo.
No ano de 1996, Susana esteve presente no seriado Sai de Baixo e nas novelas Vira Lata e Salsa e Merengue. Em 1997 veio sua antagonista, na novela Por Amor, de Manoel Carlos como a megera Branca Letícia de Barros Mota. Branca é uma mulher de personalidade forte, que adora manipular a vida alheia. É dominadora, esnobe e muito má. Tem adoração por seu filho mais velho e despreza os outros dois por não terem ambição na vida. Na verdade o que ela quer é que todos pensem como ela. A personagem se tornou um hit dos memes da internet com as suas tiradas antológicas e as falas que marcaram o público e por muitos é considerado o seu melhor personagem na televisão. Em 1999 voltou a ser antagonista de Regina Duarte, desta vez na minissérie Chiquinha Gonzaga, na pele da francesa Suzette. Emendou este trabalho com a novela Andando nas Nuvens, fazendo par com Marco Nanini. Recebeu, em 2002, uma homenagem especial durante a entrega do Prêmio Austragésilo de Athayde, oferecido pela Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano participou do álbum do cantor Alexandre Pires, Minha Vida, Minha Música, em que Susana narra a faixa de abertura.
2003–14: Consolidação e outros projetos