Sumatra ou Samatra (Sumatera ou Sumatra, em indonésio) é uma das Grandes Ilhas da Sonda, no oeste da Indonésia. É a maior ilha que está completamente dentro do território indonésio, bem como a sexta maior ilha do mundo, com 482.286,55 km², incluindo ilhas adjacentes como Simeulue, Nias, Mentawai, Enggano, Ilhas Riau, Banca Bilitom e o arquipélago de Krakatoa.
Sumatra é uma massa de terra alongada que se estende em um eixo diagonal noroeste-sudeste. O Oceano Índico faz fronteira com as costas noroeste, oeste e sudoeste de Sumatra, com a cadeia de ilhas de Simeulue, Nias, Mentawai e Enggano ao largo da costa ocidental. No nordeste, o estreito de Malaca separa a ilha da Península Malaia, que é uma extensão do continente eurasiático. No sudeste, o estreito de Sunda, que contém o arquipélago de Krakatoa, separa Sumatra de Java. A ponta norte de Sumatra está perto das Ilhas Andamão, enquanto na costa sudeste encontram-se as ilhas de Banca e Bilitom, o estreito de Carimata e o Mar de Java. As montanhas Bukit Barisan, que contêm vários vulcões ativos, formam a espinha dorsal da ilha, enquanto a área nordeste contém grandes planícies e baixadas com pântanos, florestas de mangue e sistemas fluviais complexos. O equador cruza a ilha no seu centro, nas províncias de Sumatra Ocidental e Riau. O clima da ilha é tropical, quente e úmido. A exuberante floresta tropical dominava a paisagem.
Sumatra tem uma ampla gama de espécies de plantas e animais, mas perdeu quase 50% de sua floresta tropical nos últimos 35 anos. Muitas espécies estão agora criticamente ameaçadas, como o cuco-terrestre-de-sumatra, o tigre-de-sumatra, o elefante-de-sumatra, o rinoceronte-de-sumatra e o orangotango-de-sumatra. O desmatamento na ilha também resultou em sérias neblinas sazonais de fumaça sobre os países vizinhos, como a neblina do sudeste asiático de 2013, que causou consideráveis tensões entre a Indonésia e os países afetados, Malásia e Singapura. O desmatamento generalizado e outras destruições ambientais em Sumatra e outras partes da Indonésia têm sido frequentemente descritos por acadêmicos como um ecocídio.
Na Antiguidade, a ilha era conhecida pelos nomes sânscritos de Swarnadwīpa ("ilha de ouro") e Swarnabhūmi ("terra de ouro"), provavelmente devido aos depósitos auríferos encontrados nas montanhas da ilha. Entre os séculos X e XIII, geógrafos árabes chamavam a ilha de Lamri (Lamuri, Lambri ou Ramni), uma referência a um reino próximo à atual Banda Achém, local em que os mercadores aportaram pela primeira vez ao chegar a Sumatra.
Segundo alguns autores, no final do século XIV a ilha passou a ser conhecida como Sumatra, devido ao reino muçulmano de Samudra. Outras fontes, porém, consideram obscura a etimologia do topónimo. No século XIX, escritores europeus descobriram que os habitantes nativos não possuíam um nome para a ilha.
Entre os europeus, o topônimo foi primeiramente registrado no século XIII pelo explorador veneziano Marco Polo no seu livro Il Milione. Teria sua origem na palavra árabe samatrâ. Documentos do período de expansão portuguesa na Ásia atestam as formas "Çamatarra", "Samotra" e "Çamatra" (corrente no século XVI), até fixar-se na grafia atual "Samatra". Nos inícios do século XVII, o cartógrafo luso-malaio Manuel Godinho de Erédia escreveu que Samatra seria uma corruptela de Samata. Os ingleses receberam o topónimo dos portugueses e passaram a grafá-lo como Sumatra, tentando reproduzir a pronúncia portuguesa de "Samatra".
A forma Samatra é usada em Portugal, enquanto no Brasil é mais comum a grafia Sumatra.
Os primeiros austronésios chegaram a Samatra em cerca de 500 a.C., parte da expansão austronésia de Formosa para o sudeste da Ásia. Sua localização na rota comercial marítima entre China e Índia permitiu o desenvolvimento de diversas cidades mercantis, particularmente na costa oriental, que sofreram a influência das religiões indianas. Kantoli, um dos primeiros reinos na ilha, floresceu no século V na porção meridional de Samatra e veio a ser substituído pelo Império Serivijaia e, depois, pelo Reino de Samudra. Serivijaia foi uma monarquia budista cuja capital se situava no que é hoje Palimbão. Ao dominar a região por meio do comércio e das armas entre os séculos VII e IX, o império disseminou a cultura malaia na ilha, na península Malaia e na porção ocidental de Bornéu. Serivijaia era uma talassocracia, uma potência marítima que estendia sua influência de ilha em ilha. Palimbão tornou-se um centro académico, onde o peregrino budista chinês I Ching estudou sânscrito em 671, antes de partir para a Índia. Na sua viagem para a China, passou quatro anos em Palimbão, traduzindo textos budistas e escrevendo dois manuscritos.
Até o ano de 692, o Reino de Melayu foi absorvido por Serivijaia. A influência de Srivijaya diminuiu no século XI, especificamente no ano de 1025, após sofrer uma derrota nas mãos do Império Chola, no sul da Índia. No final do século XII, Srivijaya tinha sido reduzida a um reino, e seu papel dominante no sul de Sumatra terminou com o último rei, Ratu Sekekhummong. Ao mesmo tempo, a disseminação do Islã na Indonésia ocorreu de forma gradual e indireta, começando pelas regiões ocidentais da Indonésia, como a área de Sumatra, que se tornou o primeiro local para a propagação do Islã no arquipélago, depois Java, e então para as regiões orientais da Indonésia, Celebes e Molucas. Sumatra se tornou a primeira área a receber a propagação do Islã devido à sua proximidade com o estreito de Malaca. The island of Sumatra became the first area to receive the spread of Islam because of the position of the island of Sumatra which is close to the Malacca strait. The initial process of Islamization related to trade and also the formation of the kingdom. O processo inicial de islamização estava relacionado ao comércio e também à formação do reino. O Islã entrou em Sumatra através de pregadores árabes e comerciantes tâmeis nos séculos VI e VII d.C. No início e no final do século XIII, com a formação do reino, o rei do reino de Samudra tinha se convertido ao Islã. Marco Polo visitou a ilha em 1292, e seu compatriota italiano Odorico de Pordenone em 1321; ibne Batuta ali esteve em duas ocasiões, entre 1345 e 1346.
Banda Achém, no norte de Sumatra, tornou-se conhecido no século XVI como um centro comercial para o comércio de pimenta, enviando pimenta de qualidade. A cidade tornou-se o principal centro comercial do Sultanato de Achém, e rotas comerciais foram estabelecidas até o Mediterrâneo via Mar Vermelho para rivalizar com as rotas de navegação portuguesas. O reinado de Iskandar Muda é conhecido como a era de ouro de Sumatra porque ele estendeu a influência cultural do Sultanato de Achém para Padangue e Joor. O Sultanato de Achém manteve a rivalidade com o Sultanato de Joor, os holandeses e os portugueses ao longo dos séculos XVI e XVII. Quando os holandeses enfraqueceram no século XVIII, o império britânico começou a intervir ativamente em Achém, estabelecendo relações próximas entre Banda Achém e Penão. Nos séculos XVII e XVIII, o Sultanato de Achém lutou contra o Sultanato de Siaque, no sul de Sumatra. A cidade portuária de Banda Achém foi registrada nos escritos históricos europeus desde o século XIII. Em termos de desenvolvimento econômico, o porto de Banda Achém só começou a enfrentar concorrência no século XVIII, quando mais portos foram construídos em Sumatra para o transporte marítimo. No entanto, os principais fornecedores de pimenta continuaram a usar o porto de Banda Achém no início do século XIX. O porto de Medã cresceu rapidamente no final do século XIX e início do século XX. Enquanto isso, o porto de tamanho médio de Palimbão enfrentou um declínio econômico acentuado à medida que a herança do império Serivijaia foi suplantada pela política econômica dos Singassaris e Majapaítas. O Sultanato de Palimbão experimentou um declínio terminal no início do século XIX.
Com a chegada dos neerlandeses, muitos Estados principescos de Samatra gradualmente passaram ao controle dos Países Baixos. Achém, ao norte, tornou-se o maior obstáculo ao avanço neerlandês, o que levou à longa e custosa Guerra de Achém (1870-1905).