Maristela Azevedo de Miranda (São Paulo, 5 de outubro de 1950) é uma atriz, diretora e jornalista brasileira. Formada em uma escola francesa de atuação, ficou conhecida por sua forte atuação e timbre vocal, especialmente nas comédias e no teatro musical, em que se tornou popular no país. Miranda é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Prêmio Shell, um APTR e um Prêmio Governador do Estado.
Miranda fez sua estreia profissional na peça O Triste Fim de Policarpo Quaresma, em 1978, e logo depois concluiu seus estudos École Jacques Lecoq, em Paris. Ela é mais conhecida por suas participações no teatro musical, participou de inúmeros grandes espetáculos como atriz e diretora, além de escrever e produzir musicais de sucesso, ganhando alguns dos prêmios mais significativos do teatro brasileiro. Teve destaque em Ópera do Malandro (1979), O Analista de Bagé (1983), Bel Prazer (1985), Qualquer Nota (1988) e Caidaça na Fossa (1988).
Recebeu o Prêmio Shell e o Prêmio Governador do Estado por sua eleogiada interpretação como Carmem Miranda no musical South American Way (2001), em que apresentou-se internacionalmente. Na televisão, sua estreia foi em 1987 na telenovela Direito de Amar como a cantora Mignion. Destacou-se ainda em Salsa e Merengue (1996), eleita Melhor Atriz Coadjuvante no Melhores do Ano, A Lua Me Disse (2005) e Aquele Beijo (2011). No entanto, foi como a síndica Álvara no sitcom Toma Lá, Dá Cá (2007-09) que teve seu trabalho mais marcante, sendo indicada por três anos consecutivos ao Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz de humor.
Stella teve uma bem-sucedida dupla sertaneja nos anos 1990, conhecida como “Xicotinho e Salto Alto”, que chegou a se apresentar no exterior. Ela decidiu criar o projeto após assistir a um show de Milionário & José Rico. Originalmente, ela era Xicotinho e Vera Holtz foi a primeira Salto Alto. Quando Vera teve que se afastar, a atriz convidou Katia B, que se destacou na dupla. A dupla alcançou grande sucesso, cantando ao vivo e com músicas compostas por renomados artistas brasileiros, como Herbert Vianna e Marisa Monte. Eles chegaram a realizar um show no Tennessee (EUA) e percorreram o Brasil com apresentações para até 30 mil pessoas. Esses anos foram descritos como verdadeiramente dourados para ela.
Nascida em São Paulo, em 5 de outubro de 1950, Stella Miranda é formada em jornalismo, graduando-se com seus então 23 anos. Neste período, saiu de casa e foi morar na França com o primeiro marido, Márcio Miranda. Em 1979, formou-se na École Jacques Lecoq de Paris, sendo a primeira brasileira admitida no curso de interpretação.
Stella fez sua estreia profissional em 1978, participando do grupo Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração, em O Triste Fim de Policarpo Quaresma, adaptação de Lima Barreto pelo diretor Buza Ferraz. Deste então, Miranda passou a integrar diversos espetáculos, em sua maioria voltados para o lado cômico, como atriz e diretora, além de escrever e produzir musicais de sucessos. Em 1979, atua em A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, com direção de Luis Antônio Martinez Corrêa e, em 1980, em As Mil e Uma Encarnações de Pompeu Loredo, de Mauro Rasi e Vicente Pereira, dirigido por Jorge Fernando. Em 1982, estreia como autora, quando criou o espetáculo As Bodas de Felissa, onde também dirigiu e encenou ao lado de Diogo Vilela, e também, nesse ano, faz sua estreia no cinema com uma participação no filme de comédia Um Casal de Três.
Em 1983, integrou o elenco de Galvez, o Imperador do Acre, de Márcio Souza e Luiz Carlos Góes, com direção de Luiz Carlos Ripper, e também substituiu um dos atores em O Analista de Bagé, de Luis Fernando Verissimo. No mesmo ano, aparece no curta-metragem No Mundo da Lua no papel de "Srª Menezes". Em 1985, em parceria com Tim Rescala, cria e interpreta Bel Prazer, que a dupla descreve como um "sarau moderno". Em 1987, com Miguel Falabella, que viria a se tornar um de seus principais parceiros de trabalho, estrela o espetáculo cômico musical Uma Noite Com Stella Miranda e Miguel Falabella, com direção de Flávio Marinho. Concomitantemente, fez sua estreia na televisão na telenovela Direito de Amar (1987), de Walther Negrão, na TV Globo, uma novela de época na qual ela interpreta a cantora "Mignon" em uma participação especial. Sua personagem é conhecida como "Fric Fric de La Fontaine", uma cantora de fachada francesa que se apresenta na Casa Barboza, fictícia na trama, e nas ruas.
Em 1988, integra o elenco do programa humorístico especial de fim de ano Grupo Escolacho, na TV Globo, projeto com texto de seu parceiro no teatro Miguel Falabella e liderado por Chico Anysio que interpretava um personagem que, ao visitar sua antiga escola no último dia de aula do ano, recorda as travessuras que fazia quando era criança. Também volta ao roteiro no teatro, dessa vez em parceria com Flávio Marinho em Qualquer Nota, que tinha Vera Holtz no elenco principal. Em 1989, destacou-se na peça Caidaça na Fossa, em que escreveu, dirigiu e protagonizou em mais uma parceria com Marinho. No mesmo ano, atua na novela Kananga do Japão, na TV Manchete, em uma participação especial interpretando a cantora Carmem Miranda.
Em 1990, com Gringo Cardia, criou e dirigiu o espetáculo ARN, e volta à TV Globo para integrar o elenco principal do seriado Delegacia de Mulheres, que acompanha a rotina de uma delegacia voltada exclusivamente à mulher, com seus problemas e a luta para defender seus direitos, onde interpreta a assistente social "Paula Pinto". Em 1993, Stella compõe a trilha sonora do espetáculo ARN 2, de Gringo Cardia. Em 1995, dirige Subversões 3 - Unplugged em parceria com Gringo Cardia, com roteiro de Aloísio de Abreu, Luiz Salém e Márcia Cabrita, além de reaparecer na televisão no episódio "A Barbada do Além" do seriado Você Decide, seriado popular da década de 1990 que tinha interação com público.
Regressa às telenovelas em 1996 a convite do autor Miguel Falabella para Salsa e Merengue, trama do horário das sete da TV Globo. Na trama, interpreta a cômica fofoqueira "Maria do Socorro", típica mulher exagerada que aumenta as notícias e as levam de porta em porta. É esposa de "Candinho" (Marcos Oliveira) e mãe de "Walter" (André Gonçalves) e "Wellington" (Bruno Murtinho). Sua personagem fez sucesso entre o público e lhe valeu o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no Prêmio Globo de Melhores do Ano, apresentado no Domingão do Faustão.
Com a Bolsa Vitae de Artes, aprofunda seus estudos sobre a biografia de Nelson Gonçalves e, em 1996, estreia Metralha, para o qual assina o texto e a direção, com Diogo Vilela no papel principal. O crítico Macksen Luiz observa que o texto não explora profundamente a personalidade de Nelson, tratando sua vida pessoal de forma esquemática e focando mais nas músicas que ele cantou ao longo da carreira. Segundo ele, a peça carece de um clima de época e mistura gírias antigas e atuais, revelando uma perspectiva moderna. A montagem de Stella Miranda é descrita como adequada ao tom leve e despretensioso do texto, com um ritmo ágil que torna o espetáculo dinâmico e divertido, sem maiores pretensões além do entretenimento.
Em 1998, dirige a peça Salém da Imaginação, de Antônio Bivar, e, no ano seguinte, um roteiro seu, Café Satie: Memórias de um Amnésico. Após pesquisar a vida de Elza Soares, escreve Crioula, um show musical que retrata sua história de miséria e tragédia. O crítico do Jornal do Brasil aponta que os diálogos incluem gírias de várias décadas, mas a peça carece da atmosfera da cultura de Elza Soares. Embora algumas características pessoais da cantora sejam evidentes, a imagem de Elza está desfocada e sem o cenário apropriado, e as Elzas no palco pouco cantam, vestidas com referências visuais sofisticadas e no estilo de um show de boate dos anos 60. Em seguida, em 2000, Stella Miranda dirige Subversões 3 ½, com roteiro de Aloísio de Abreu, Luiz Salém e Márcia Cabrita.
Em 2001, volta aos palcos atuando em South American Way, musical de 2001 com texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, em que ela deu vida a Carmen Miranda, em parceria com Soraya Ravenle. Sua atuação foi sucesso de crítica e lhe rendeu os prêmios Shell e Governador do Estado de Melhor Atriz. A convite do ator e diretor Miguel Falabella, seu grande amigo e gestor da Rede Municipal de Teatro do Rio de Janeiro, Stella Miranda assumiu a Sala Baden Powell em março de 2003. Nos anos seguintes, dedicou-se à direção de diversos espetáculos, com destaque em O Pé da Árvore de Natal (2003), onde também encenou ao lado de Miguel Falabella, Vamos Brincar de Amor em Cabo Frio (2003), A Turma do Pererê (2004) e De Segunda (2004).