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Stanisław Lem

Escritor de fição científica, ensaista e filósofo polaco

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Stanisław Herman Lem (Lwów, Segunda República Polonesa, atual Lviv, Ucrânia, 12 de setembro de 1921 — Cracóvia, 27 de março de 2006) foi um proeminente escritor polaco de ficção científica, filosofia e sátira. Ele foi Cavaleiro da Ordem da Águia Branca. Seus livros foram traduzidos para mais de 57 idiomas e venderam mais de 45 milhões de cópias. Ele talvez seja mais bem conhecido como o autor do romance Solaris de 1961, que foi adaptado para o cinema três vezes. Em 1976, Theodore Sturgeon declarou que Lem era o autor de ficção científica mais lido em todo o mundo.

Sua obra explora temas filosóficos; especulação sobre tecnologia, a natureza da inteligência, a impossibilidade de comunicação e compreensão mútuas, desespero face às limitações humanas e o lugar da humanidade no universo. Estes são por vezes apresentados como ficção, e por outras na forma de ensaios ou livros de filosofia. Sua obra é de difícil tradução devido a sofisticadas formações de palavras e figuras de linguagem, destacando-se poesia e trocadilhos apócrifos de máquinas sencientes e vocabulário tecnológico fictício. Existem múltiplas traduções para uma mesma língua, que são alvo de constantes críticas; o próprio Lem criticou severamente a tradução de Solaris para francês, que foi usada como base para a versão em língua inglesa. Poucos livros de Lem encontram-se traduzidos para o português de Portugal (listados abaixo), enquanto no Brasil apenas Solaris é encontrado nas livrarias. Este artigo usa os títulos das traduções portuguesas disponíveis, e na falta delas os títulos das traduções para inglês ou os títulos originais.

Stanisław Lem (pronúncia em polaco [staˈɲiswav ˈlɛm] -? Escute) nasceu em 12 de setembro de 1921 em Lviv ou Львів, em ucraniano (em polonês: Lwów), então uma região de maioria ucraniana da Segunda República Polonesa (1919-1939), hoje território da província ou oblast de Lviv, na Ucrânia ocidental moderna. Nascido no seio de uma família de classe média alta, seus pais eram Samuel Lem (1879–1954), um polonês étnico que atuava como médico laringologista e foi veterano do Exército Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial, e Sabina Wöller-Lem (1891–1972), dona-de-casa natural de Varsóvia, filha de uma polenesa e de um alemão. Embora educado dentro do Catolicismo Romano, Stanislaw posteriormente tornou-se um ateu "por motivos morais … o mundo me parece construído de modo tão doloroso que eu prefiro acreditar que ele não foi criado … intencionalmente". Após a ocupação soviética da Polônia Oriental, ele foi proibido de estudar na Escola Politécnica como desejava devido à sua "origem burguesa", e foi somente devido aos contatos de seu pai que ele foi aceito na faculdade de medicina da Universidade de Lviv em 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação nazista (1941–1944), Lem sobreviveu com documentos falsos, sustentando-se como mecânico de automóveis e soldador, e participando ativamente na resistência polonesa na Segunda Guerra Mundial (a família de Lem tinha ancestrais judeus, e portanto corria perigo ainda maior do que correria apenas por serem intelectuais poloneses). Em 1945, a região polonesa oriental de Kresy foi anexada pela Ucrânia Soviética e a família, como tantos outros poloneses, foi reassentada em Cracóvia onde, por pressão de seu pai, Lem retomou a faculdade de medicina na Universidade Jaguelônica. Ele recusou-se a enquadrar suas respostas dentro do lysenkoismo predominante e fracassou seus exames finais de propósito para não ser obrigado a tornar-se médico das forças armadas. Antes disso ele começara a trabalhar como assistente de pesquisa num instituto científico e escrevia histórias em seu tempo livre.

Lem fez seu debut literário em 1946 como poeta, e na mesma época publicou diversos dime novels. A partir deste ano,

o primeiro romance de ficção científica de Lem, Człowiek z Marsa, começou a ser publicado no periódico Nowy Świat Przygód (Novo Mundo de Aventuras). Entre 1947 e 1950, enquanto dava continuidade ao seu trabalho como assistente de pesquisa científica, Lem publicou poemas, contos e ensaios científicos. Entretanto, durante a era do Stalinismo, todo trabalho publicado tinha de ser diretamente aprovado pelo regime comunista. Lem terminou em 1948 uma novela em parte autobiográfica chamada Szpital Przemienienia, mas ela foi suprimida pelas autoridades até 1955, quando ele escreveu uma versão mais aceitável para a doutrina do realismo socialista. Em 1951 ele publicou seu primeiro livro, Astronauci; tratava-se de uma encomenda de

ficção científica para jovens e adolescentes, e Lem foi forçado a incluir nele várias referências ao 'glorioso futuro do comunismo'. Ele posteriormente criticou o romance (assim como diversas outras de suas primeiras obras, submetidas à pressão ideológica) como simplista; mesmo assim, sua publicação o convenceu a tornar-se um escritor em tempo integral.

Lem tornou-se realmente produtivo após 1956, quando a desestalinização na União Soviética levou ao "Outubro Polaco", quando a Polônia viu crescer a liberdade de expressão. Entre 1956 e 1968, Lem escreveu 17 livros. Suas obras foram amplamente traduzidas no exterior (principalmente nos países do Bloco do Leste). Em 1957 ele publicou seu primeiro livro de não-ficção, Dialogi; este e Summa Technologiae (1964) são seus dois textos filosóficos mais famosos. Ao longo das décadas ele gradualmente abandonou a ficção em favor de crítica social, filosofia e futurologia.

Lem atingiu notoriedade internacional por Cyberiada (1967), uma série de contos espirituosos ambientados num universo habitado por máquinas (que ocasionalmente entram em contato com "repulsivas criaturas biológicas"). Seus romances mais conhecidos incluem Solaris (1961), A Voz do Mestre (1968), e o temporão Fiasco (1986), todos expressando primeiramente seu tema recorrente da futilidade dos esforços da humanidade em tentar compreender algo realmente alienígena. Solaris foi adaptado para o cinema em 1972 pelo diretor russo Andrei Tarkovsky e ganhou um prêmio especial do júri no Festival de Cannes do mesmo ano; em 2002, Steven Soderbergh dirigiu outra adaptação estrelando George Clooney.

A Science Fiction and Fantasy Writers of America (SFWA) concedeu a Lem o título de membro honorário em 1973: este título é concedido a pessoas que não satisfazem os requisitos formais para associarem-se mas que seriam bem-vindas na sociedade. Lem, contudo, nunca teve grande apreço pela ficção científica americana descrevendo-a como "mal pensada, mal escrita, e mais preocupada em aventuras do que em ideias ou novas formas literárias". Após sua publicação nos Estados Unidos, o que tornou-o elegível como membro normal, seu título de membro honorário foi suspenso. Alguns membros da SFWA aparentemente endossaram esta ação como uma forma de reprimenda, e parece que Lem interpretou o gesto de acordo, mas a posição oficial da organização é de que o título honorário é concedido apenas àqueles inelegíveis para a associação normal. Após a publicação nos Estados Unidos, Lem foi convidado para permanecer como membro regular, mas recusou.

Lem destacou um único escritor de ficção científica americano como digno de nota, Philip K. Dick — vide sua antologia de ensaios críticos em inglês de 1986, Microworlds. Dick, entretanto, achava que Lem era um comitê multidisciplinar agindo sob ordems do Partido Comunista para ganhar controle sobre a opinião pública, e escreveu uma carta para o FBI neste sentido. Depois que vários membros (incluindo Ursula K. Le Guin) protestaram contra o tratamento dispensado pela SFWA a Lem, um membro ofereceu-se para pagar suas taxas. Lem jamais aceitou a oferta.

Em 1982, com a declaração da lei marcial na Polônia, Lem mudou-se para Berlim Ocidental, onde tornou-se membro do colegiado do Instituto de Estudos Avançados de Berlin (Wissenschaftskolleg zu Berlin). Depois disso, ele fixou-se em Viena. Ele retornou à Polônia em 1988.

No início dos anos 1990, Lem teve vários encontros com um crítico e acadêmico de letras, Peter Swirski, cujas extensas entrevistas foram publicadas, em conjunto com outros materiais críticos e traduções, sob o título A Stanislaw Lem Reader (1997). Em entrevistas posteriores (2005), Lem expressou sua decepção com a ficção científica como gênero literário, e seu pessimismo generalizado em relação ao progresso tecnológico. Ele via o corpo humano como inadequado para viagens espaciais, argumentava que a tecnologia da informação afundava as pessoas num lodaçal de informações de baixa qualidade, e considerava robôs realmente inteligentes ao mesmo tempo indesejáveis e inexequíveis.

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