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Sorocaba

Município brasileiro do estado de São Paulo

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Sorocaba (pronuncia-se AFI: [so̞ɾo̞ˈkabɐ]) é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Sorocaba possui uma área de 450,38 km² e é a sexta cidade mais populosa do estado, a segunda mais populosa do interior do Brasil e a mais populosa da região sudoeste paulista, com uma população de 762 172 habitantes, de acordo com estimativa publicada pelo IBGE no Diário Oficial da União em 28 de agosto de 2025, sendo uma capital regional.

A Região Metropolitana de Sorocaba é composta por 27 municípios, que somam aproximadamente 2,06 milhões de habitantes, que estão integrados ao Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul.

A cidade é um importante polo industrial do estado de São Paulo e do Brasil, e sua produção industrial chega a mais de 120 países, atingindo um produto interno bruto (PIB) acima dos 44 bilhões de reais, o vigésimo sexto maior do país, à frente de capitais como São Luís, Belém, Vitória, Natal e Florianópolis. As principais bases de sua economia são os setores de indústria, comércio e serviços, com mais 22 mil empresas instaladas, sendo mais de duas mil delas indústrias.

A palavra sorocaba, da língua geral paulista, originou-se do tupi sorok ("rasgar"), -ab, um afixo que indica o lugar onde algo é feito, e -a, um sufixo substantivador. Assim, Sorocaba significa "lugar da rasgadura".

As bases físicas sobre as quais se encontra o município começaram a ganhar forma há milhões de anos, com a definição geológica da bacia do rio Sorocaba, na chamada depressão periférica. Até há pouco tempo, a historiografia sorocabana afirmava que a região em que se encontra o município de Sorocaba era habitada antes de sua fundação por índios Tupis. A prova disso seria um mapa de Guilherme Blaeu, de 1640, em que a região de Sorocaba aparece em território Tupiniquim e as urnas funerárias encontradas na cidade. No entanto, um estudo recente, publicado na REU (Revista de Estudos Universitários) da Uniso (Universidade de Sorocaba), demonstrou que o mapa citado como prova pela historiografia sorocabana é incorreto, tratando-se de uma sobreposição moderna de dois outros mapas, o Plata Americae provincia de Corneille Wytfliet e o Accuratissima Brasilae Tabula de Joannes Janssonius.

Além disso, sabe-se que os Tupi se localizavam na costa do Brasil e não no interior, como fica evidente no trabalho do arqueólogo Joaquim Brochado. Por fim, o importante mapa etno-histórico de Curt Nimuendaju localiza a região de Sorocaba em território Jê. Portanto, ao contrário do que afirma a historiografia sorocabana, a hipótese de que Sorocaba fosse fundada em território Tupi está completamente fora de cogitação. Da mesma forma, a ideia de que o Peabiru cortasse a cidade de Sorocaba permitindo o comércio dos índios com os incas não passa de especulação e carece de fontes históricas e arqueológicas. No entanto até hoje são encontradas cerâmicas indígenas. Por exemplo, durante escavações efetuadas para a instalação do sistema de esgoto em fevereiro de 2006, encontraram-se pedaços de cerâmica rústica a cerca de dez quilômetros do centro da cidade, no bairro Brigadeiro Tobias. Diferentemente do que a antiga historiografia sorocabana prega, esses pedaços de cerâmica não foram produzidos por índios "pré-históricos", mas por indígenas escravizados levados pelos fundadores da vila de Sorocaba.

No ano de 2022, o acervo arqueológico do MHS passou por um processo de reorganização e curadoria por iniciativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, e o material cerâmico foi identificado pelos profissionais arqueólogos como tradição tupi-guarani do período pré-histórico a partir de 1.500 anos atrás e os resultados foram publicados na Revista da Universidade de Sorocaba (UNISO).

Os bandeirantes passavam por essa região quando iam para Minas Gerais e Mato Grosso à procura de ouro, prata e ferro. Em 1589, o português Afonso Sardinha esteve no morro de Araçoiaba à procura do ouro mas encontrou somente minério de ferro. No local, nesse ano, Afonso Sardinha construiu a primeira casa da região, que deu origem à fundação da vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrat, mudando-se para a vila de São Filipe no Itavuvu em 1611. Por ordem do então governador-geral do Brasil (período entre 1591 e 1602), Dom Francisco de Sousa, foi inaugurado o pelourinho (símbolo do poder real) na vila de Nossa Senhora da Ponte de Monte Serrat, no morro de Araçoiaba em 1599. Após o retorno de dom Francisco à corte, o capitão Baltasar Fernandes instalou-se na região em 1654 com família e escravaria indígena vindas de Santana de Parnaíba nas terras que recebeu do rei de Portugal. Fundou então, a 15 de agosto de 1654, um povoado com o nome de Sorocaba. O nome foi dado conforme a etimologia apresentada na seção "Etimologia".

Baltasar Fernandes doou terras aos beneditinos de Parnaíba, para que estes construíssem um convento e uma escola. Essa edificação foi o mosteiro de São Bento, fundado em 1660. O povoado foi elevado a município no dia 3 de março de 1661, passando a chamar-se vila de Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba e, na ocasião, foi instalada a primeira câmara municipal.

O primeiro ciclo a marcar a vida econômica de Sorocaba foi o bandeirismo, quando os Sorocabanos aprofundaram-se além das linhas de Tordesilhas, montando entrepostos comerciais e de mineração. Os bandeirantes sorocabanos Paschoal Moreira Cabral e Miguel Sutil são fundadores da cidade de Cuiabá, no estado de Mato Grosso. Segundo uma historiografia antiga, as cidades de São Paulo exportavam indígenas escravizados ao nordeste açucareiro. No entanto, foi demonstrado pelo importante historiador John Manuel Monteiro que São Paulo concentrava mão de obra escrava indígena para a produção agrária. Portanto, não é verdade que os bandeirantes paulistas caçavam índios para vendê-los às fazendas nordestinas. Os bandeirantes aprisionavam índios para que eles fossem escravizados nas próprias fazendas paulistas e em Sorocaba não foi diferente. Ségio Buarque de Holanda mostrou que Sorocaba nos séculos XVII e XVIII vivia intensamente e tinha importante produção agrícola. Diferentemente dos negros escravizados, os indígenas escravizados não habitavam senzalas, mas pequenas aldeias nas fazendas paulistas. Em Sorocaba, a escravidão indígena era tão difundida nos séculos XVII e XVIII, que até mesmo os padres mantinham indígenas escravizados. Assim, a cerâmica indígena encontrada em Sorocaba atualmente não foi feita pelos índios antes da colonização, mas por indígenas escravizados que habitavam a cidade.

A partir do século XVIII, o bandeirantismo de predação foi gradativamente substituído pelo comércio de mulas. O coronel Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do estado do Rio Grande do Sul, conduziu pelas ruas do povoado a primeira tropa de muares no ano de 1733, inaugurando o ciclo do tropeirismo. Sorocaba tornou-se um marco obrigatório para os tropeiros devido a sua posição estratégica, eixo econômico entre as regiões Norte, Nordeste e Sul. Com o fluxo de tropeiros, o povoado ganhou uma feira onde os brasileiros de todos os estados reuniam-se para comercializar animais, a feira de Sorocaba. Este fluxo intenso de pessoas e riquezas promoveu o desenvolvimento do comércio e das indústrias caseiras baseadas na confecção de facas, facões, redes de pesca, doces e objetos de couro para a montaria.[carece de fontes?]

Em 1842, Rafael Tobias de Aguiar, o brigadeiro Tobias, comandou a revolução Liberal juntamente com o padre Diogo Antônio Feijó para combater a ascensão dos conservadores durante o início do reinado de Dom Pedro II, mas foi derrotado pelas forças imperiais. Foi, por duas vezes, presidente da província de São Paulo.[carece de fontes?]

Em 1852, apareceram as primeiras tentativas fabris. No entanto, o comércio do algodão cru revertia melhores lucros aos Sorocabanos. A cultura do algodão desenvolveu-se grandemente, a ponto de levar Luís Mateus Maylasky, o maior comprador de algodão da zona, a construir, em 1870, a Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) inaugurada em 1875. A ferrovia foi um dos fatores do desenvolvimento industrial, que teve início com a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, primeira metalúrgica em escala industrial da América Latina, de onde saiu um dos grandes Sorocabanos, Francisco Adolfo de Varnhagen, o Visconde de Porto Seguro.

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