Soraya Vieira Thronicke (Dourados, 1.º de junho de 1973) é uma advogada e política brasileira, filiada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). É senadora por Mato Grosso do Sul desde 2019, eleita em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL), e foi candidata à Presidência da República em 2022, pelo União Brasil, ficando em 5.º lugar.
Em 2026, candidatou-se à reeleição pelo PSB, com apoio do presidente Lula, e não foi reeleita.
Descendente de alemães, nasceu em Dourados, que na época pertencia ao estado de Mato Grosso (o município passou ao novo estado de Mato Grosso do Sul, criado em 1977), e foi criada em Campo Grande. A família é proprietária de uma rede de motéis no estado. Antes da política, ficou conhecida por participar de movimentos de rua desde 2013 e por ações judiciais que moveu contra políticos e empresas.
Formou-se em Direito pela UNAES, em Campo Grande (2002), e fez MBA em Direito Empresarial na Fundação Getúlio Vargas (2006), além de pós-graduação em Direito Tributário e em Direito de Família e Sucessões na Faculdade de Direito Professor Damásio de Jesus. Atuou como advogada no escritório Cabral Gomes e Thronicke Advogados Associados.
Eleição ao Senado e primeiro mandato
Elegeu-se senadora por Mato Grosso do Sul em 2018, em sua primeira eleição, com 373.712 votos (16,19% dos votos válidos), na onda de apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. No início do mandato, posicionou-se como conservadora nos costumes e liberal na economia, e defendeu o porte de armas, o endurecimento da legislação penal, o combate à corrupção e a propriedade privada.
Em fevereiro de 2019, assumiu a presidência da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado e voltou ao posto em 2023. Em audiência pública sobre saúde indígena, em 2019, entrou em conflito com Sônia Guajajara ao falar de direitos a terras. Presidiu o PSL Mulher e disse, em entrevista a O Globo, que sua pauta teria "viés feminino e não feminista"; declarou-se contra o aborto e a liberação das drogas, mas reconheceu a união homoafetiva e afirmou ser contra a homofobia. Também defendeu a cota para mulheres na política e o fim das candidaturas-laranja.
Distanciou-se de Bolsonaro entre 2019 e 2020, em meio às disputas do então presidente com dirigentes do PSL, e ganhou projeção nacional durante a CPI da Covid-19, em 2021.
Candidatura à Presidência da República
Em 2 de agosto de 2022, o União Brasil anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. A campanha foi oficializada em 5 de agosto, em São Paulo, com Marcos Cintra como candidato a vice. Terminou em 5.º lugar, com 600.955 votos, equivalentes a 0,51% dos votos válidos. Durante a campanha e depois, teve atritos públicos com integrantes da família Bolsonaro, como Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, que a chamou de "traíra", o que ela rebateu.
Em 2023, deixou o União Brasil e filiou-se ao Podemos, partido que presidiu em Mato Grosso do Sul nas eleições de 2024. Foi relatora da CPI das Bets, que investigou as apostas esportivas on-line e ouviu influenciadores digitais, como Virgínia Fonseca, em 2025. Em entrevista, detalhou sua atuação na comissão e no envio de verbas a municípios do estado.
Em dezembro de 2024, a revista Veja revelou que o lobista Silvio Barbosa de Assis, investigado pela Polícia Federal por supostos pedidos de propina a empresários do setor de apostas para evitar convocações à CPI, tinha a irmã e o genro contratados no gabinete de Soraya. A senadora respondeu que os contratou pelo "perfil técnico e profissional de ambos", que conheceu o lobista "por intermédio de vários senadores" e que seu nome estaria sendo usado sem seu conhecimento, negou envolvimento e disse ter denunciado a suspeita à PF. O senador Ciro Nogueira, depois de uma discussão com ela na CPI, relatou ao então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, que algo "muito grave" ocorria nos bastidores, sem acusá-la diretamente. Em dezembro de 2025, a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, divulgou imagens da senadora com o lobista em uma loja de luxo em Orlando, nos Estados Unidos. Procurada, ela confirmou ter estado na loja com ele, sem dar mais detalhes.
Em março de 2026, foi eleita a melhor senadora do Centro-Oeste, em premiação do Congresso em Foco.
Em 3 de abril de 2026, último dia da janela partidária, deixou o Podemos e filiou-se ao PSB, com o aval do vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo reportagens, a aproximação da cúpula do Podemos com Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, contribuiu para a decisão. Em julho, desmentiu rumores de desistência da pré-candidatura e, em 17 de julho, anunciou a candidatura à reeleição em aliança com o PT, ao lado de Lula, dizendo ter "recalculado a rota". A candidatura foi oficializada pelo PSB em 26 de julho, em chapa com o deputado Vander Loubet (PT), na coligação "Por um MS do Povo". Durante a campanha, a imprensa noticiou que ela poderia assumir um ministério caso Lula fosse reeleito, o que ela disse, no dia da votação, não considerar.
Em 4 de outubro, ficou em 4.º lugar, com 13,07% dos votos válidos (cerca de 340 mil votos), atrás dos candidatos do PL Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, eleitos, e de Vander Loubet, que somou cerca de 361 mil votos. Com isso, deixará o Senado em janeiro de 2027. No dia seguinte à eleição, durante um voo de Campo Grande a São Paulo, foi hostilizada por passageiros, segundo relatos publicados pela imprensa. Ela respondeu que "estava em paz".
Em 28 de setembro de 2026, apresentou o PL 5.481/2026, que cria o crime autônomo de LGBTIcídio, com pena de 20 a 40 anos e inclusão no rol dos crimes hediondos, além de penas mais severas para outros crimes motivados por discriminação. Também apresentou propostas sobre a proteção a pesquisadoras em licença-maternidade e a portabilidade imediata de prontuários médicos. Apoiou o fim da escala 6x1, aprovado pelo Senado com apoio integral da bancada do PSB, e disse que a mudança traria "mais qualidade de vida" aos trabalhadores. Em entrevista, afirmou que a política é hostil às mulheres e que a violência ocorre principalmente nas redes sociais.
Acusação contra Alfredo Gaspar
Em março de 2026, durante os trabalhos da CPMI do INSS, Soraya e o deputado Lindbergh Farias (PT) afirmaram que o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator do colegiado, teria estuprado uma adolescente de 13 anos. Gaspar, depois anunciado como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, negou a acusação e ajuizou ação por danos morais. Em agosto, o STF determinou que a senadora prestasse informações sobre a acusação, e Gaspar pediu ao Tribunal a realização de um exame de DNA. Em 6 de outubro, o ministro Gilmar Mendes, do STF, acolheu manifestação da Procuradoria-Geral da República e arquivou a representação da Polícia Federal. Em 9 de outubro, a 3.ª Vara Cível de Maceió condenou a senadora a pagar R$ 50 mil por danos morais, entendendo que a acusação foi feita publicamente sem elementos que a sustentassem e que a fala não estava coberta pela imunidade parlamentar. A defesa afirma que ela apenas encaminhou às autoridades uma notícia-crime recebida em seu gabinete, que jamais declarou que Gaspar seria pai de determinada pessoa e que irá recorrer.