Sonora é um município brasileiro do estado de Mato Grosso do Sul, na Região Centro-Oeste do Brasil. Integra a região imediata de Coxim e a região intermediária de Campo Grande, conforme a divisão regional vigente do IBGE.
Localizado no extremo norte do estado, na divisa com Mato Grosso e às margens do rio Correntes, o município é atravessado pela rodovia federal BR-163, que o liga a Campo Grande, ao sul, e a Cuiabá, ao norte. Com área de 4 185,528 km², tinha 14 516 habitantes no Censo 2022; a estimativa do IBGE para 2026 é de 14 804 habitantes.
O povoamento do território teve origem na instalação da Usina Aquárius, em 1977, em terras que então pertenciam a Pedro Gomes; o núcleo urbano formado em torno da agroindústria tornou-se distrito em 1985 e foi elevado a município em 1988. A economia municipal baseia-se na agropecuária e na agroindústria, com destaque para as lavouras de soja, milho e cana-de-açúcar e para a pecuária bovina.
O topônimo Sonora foi atribuído ao núcleo populacional pelo comandante Maurício Coutinho Dutra, que se inspirou nos filmes de faroeste que costumava assistir em Rondonópolis, no Mato Grosso: nas produções, os fora da lei refugiavam-se no estado de Sonora, no México, na fronteira com os Estados Unidos, para escapar dos xerifes texanos.
Colonização e formação do povoado
O histórico do IBGE registra que, durante o governo de Getúlio Vargas, foi criada a Panair, companhia de aviação para missões especiais, cujo serviço de correio aéreo noturno interligava Rio de Janeiro, São Paulo, Cuiabá e Manaus, chefiado pelo comandante Maurício Coutinho Dutra. Por volta de 1964, com o agravamento do quadro político nacional, o comandante refugiou-se na região central do então estado de Mato Grosso, próxima ao rio Correntes, no município de Pedro Gomes, onde construiu um rancho e, ao longo dos anos, tornou-se proprietário de extensas áreas de terra.
Em 1975, Coutinho Dutra ofereceu ao sobrinho Raul Kelvin Thuin, coronel do Exército, cerca de 10 mil hectares para que os utilizasse em um empreendimento. Em 1976, o coronel contratou a consultoria da empresa Planec, de Campo Grande, que realizou o diagnóstico da área com a participação de um de seus sócios, o engenheiro suíço Beat Rolf Stucki. Inicialmente, avaliou-se a instalação de um frigorífico, ideia descartada pela falta de matéria-prima; optou-se, então, pela implantação de uma usina de produção de álcool, projeto orientado por Lamartino Navarro, um dos precursores do Proálcool no Brasil. Em 1977 teve início a construção da Usina Aquárius, cujo nome homenageia o signo da esposa do coronel; o histórico do IBGE registra que foi a primeira usina de álcool projetada no Brasil para a região do Cerrado. No mesmo ano, a região passou a integrar o novo estado de Mato Grosso do Sul.
A produção experimental da usina começou em meados de 1978 e se efetivou em 1979, quando a agroindústria contava com cerca de 850 funcionários, que formavam um pequeno núcleo urbano. Por volta de 1983, diante de dificuldades administrativas, a Usina Aquárius foi adquirida pelo Grupo Giobbi e pela Cigla, subsidiária da Fiat italiana, passando a se chamar Companhia Agrícola Sonora Estância. Grande parte da mão de obra fixou residência no núcleo urbano, contribuindo para a expansão populacional da comunidade, o que levou a localidade à condição de distrito em 1985.
Pela lei estadual n.º 828, de 3 de junho de 1988, o distrito de Sonora foi elevado à categoria de município, com sede no distrito homônimo e território desmembrado de Pedro Gomes, passando a integrar a Comarca de Pedro Gomes. A instalação do município ocorreu em 1.º de janeiro de 1989, e o primeiro mandato de prefeito foi exercido por João Cavalcante Costa. Nas divisões territoriais de 1995 e de 2009, o município era constituído apenas pelo distrito-sede.
A emancipação ocorreu pouco mais de uma década após a criação do estado de Mato Grosso do Sul, instituído pela lei complementar federal n.º 31, de 11 de outubro de 1977.
Sonora localiza-se no extremo norte de Mato Grosso do Sul, na divisa com o estado de Mato Grosso. A sede municipal encontra-se nas coordenadas 17°34'37" de latitude sul e 54°45'28" de longitude oeste, a 366 km de Campo Grande por rodovia. O território municipal, com 4 185,528 km², tinha densidade demográfica de 3,47 habitantes por quilômetro quadrado no Censo 2022.
Os limites municipais são: ao norte, Itiquira, e a leste, Alto Araguaia, ambos no Mato Grosso; ao sul, Pedro Gomes; a sudoeste, Coxim; e a oeste, Corumbá.
O clima do município é classificado como Aw na classificação climática de Köppen-Geiger — tropical megatérmico, com estação seca pouco definida e chuvas de verão, sendo a temperatura média do mês mais frio superior a 18 °C. A região é controlada por massas de ar tropicais e polares, com predominância da massa polar atlântica e participação efetiva da massa tropical continental. Segundo dados do INMET, a temperatura média é de 22 °C e a precipitação anual média situa-se entre 1 000 e 1 500 mm, com os meses mais chuvosos entre dezembro e março e os mais secos entre junho e setembro.
A sede municipal assenta-se sobre relevo com declives em direção ao oeste; as cotas altimétricas da área urbana variam de 415 a 486 metros, com um altiplano no entorno da cota mais elevada. A cidade não possui áreas inundáveis, e o rio Correntes encontra-se em cota muito abaixo dos platôs urbanos, o que indica que o lençol freático não está localizado nas camadas superficiais do terreno. A sede está a 442 metros de altitude. Os solos predominantes são o Latossolo Vermelho-Escuro de textura argilosa e média e os Neossolos, todos de baixa fertilidade natural; na depressão pantaneira ocorrem Plintossolos associados a Luvissolos.
O município pertence à Região Hidrográfica do Paraguai e a sede está inserida na Unidade de Planejamento e Gerenciamento (UPG) Correntes, na qual a irrigação é o principal uso do recurso hídrico; nessa unidade, as maiores vazões ocorrem em fevereiro, chegando a 114 m³/s, e as menores entre setembro e outubro, em torno de 13,1 m³/s. O principal curso d'água do município é o rio Correntes, que banha a cidade e a região. A geologia local inclui a Formação Furnas, constituída de arcósio grosso, arenito conglomerático e conglomerado oligomítico de idade devoniana.
A sede municipal está sobreposta à área de incidência do bioma Cerrado, que se estende por cerca de 61% do território de Mato Grosso do Sul e inclui formações que variam do campo limpo, com predominância de gramíneas, ao campo cerrado e ao cerradão. A fisionomia vegetal original da região é a savana, hoje majoritariamente convertida em áreas de agricultura.
No Censo 2022, Sonora tinha 14 516 habitantes. Entre os censos de 2010 e 2022, a população passou de 14 833 para 14 516 habitantes. A densidade demográfica calculada pelo IBGE em 2022 era de 3,47 habitantes por quilômetro quadrado, e a estimativa populacional para 1.º de julho de 2026 é de 14 804 habitantes.
O IDHM de Sonora é 0,681, referente a 2010, classificado na faixa média do índice; nesse ano, as dimensões renda, longevidade e educação registravam, respectivamente, 0,706, 0,803 e 0,557. Em 2013, o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM) do município era de 0,7162. A taxa de mortalidade infantil era de 4,88 óbitos por mil nascidos vivos em 2022.