Sofia da Grécia (nome completo em grego: Σοφία Μαργαρίτα Βικτωρία Φρειδερίκη, Sofìa Margarìta Viktōrìa Friderìkī; Atenas, 2 de novembro de 1938) foi Rainha Consorte da Espanha de 1975 até a abdicação do marido, o rei Juan Carlos, em 2014. É mãe do atual Rei Filipe VI.
Nascida princesa da Grécia e da Dinamarca, Sofia é filha do rei Paulo da Grécia. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela e sua família foram obrigadas a deixar o país e viver no exílio. Passou parte da infância na África do Sul e no Egito, retornando à Grécia em 1946. Concluiu seus estudos secundários em um internato na Alemanha e, posteriormente, regressou ao seu país de origem, onde se dedicou aos estudos de puericultura, música e arqueologia.
Em 1962, casou-se com o então infante Juan Carlos da Espanha e converteu-se da Ortodoxia Grega ao Catolicismo. Após o casamento, mudou-se para a Espanha durante a ditadura de Francisco Franco. Em 1969, seu marido foi designado por Franco como herdeiro do regime, recebendo o título de Príncipe da Espanha. Com a morte de Franco, em 1975, Juan Carlos ascendeu ao trono, tornando Sofia rainha. Após a abdicação do rei, em 2014, e sua posterior saída do país, Sofia permaneceu na Espanha. Desde então, detém o título de "Rainha Emérita" e continua a desempenhar funções institucionais e cerimoniais como integrante da família real espanhola.
Sofia nasceu em 2 de novembro de 1938, no Palácio de Psychikó, próximo a Atenas, residência de seus pais, o Príncipe Paulo, posteriormente rei Paulo da Grécia, e Frederica de Hanôver. Seu nascimento foi celebrado pela população grega e motivou uma comemoração nacional, além da concessão de uma anistia geral. Sua mãe desejava chamá-la de Olga, mas, diante da preferência popular pelo nome Sofia, este acabou sendo escolhido em homenagem à sua avó paterna, Sofia da Prússia, esposa do Rei Constantino I, seguindo a tradição da família real grega.
Foi batizada em 9 de janeiro de 1939, no Palácio Real de Atenas, pelo Arcebispo de Atenas e de toda Grécia. A cerimônia, de caráter simples, reuniu familiares próximos, entre eles o Rei Jorge II, os o Duque e a Duquesa de Brunsvique, avós maternos da princesa, e diversos parentes da família real. Os embaixadores do Reino Unido e da Itália representaram duas de suas madrinhas, a Princesa Elizabeth, posteriormente rainha Elizabeth II do Reino Unido, e a rainha Helena da Itália, que não puderam comparecer. Entre seus padrinhos também estavam o Rei Jorge II, a rainha Alexandrina da Dinamarca e a Princesa Irene.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grécia foi invadida inicialmente pela Itália e, posteriormente, pela Alemanha Nazista, obrigando a família real a deixar o país. Em 22 de abril de 1941, poucos dias antes da entrada das tropas alemãs em Atenas, Sofia, sua mãe Frederica e seu irmão Constantino, posteriormente rei Constantino II da Grécia, deixaram a capital. A família viveu sucessivamente em Creta, África do Sul – onde nasceu sua irmã mais nova, Irene, em 1942 – e no Egito. Seu pai, o então Príncipe Paulo, permaneceu entre o Reino Unido e o Egito durante esse período.
Durante o exílio da família real grega, Sofia frequentou o Colégio Feminino El-Nasr, em Alexandria, no Egito. Em 1 de setembro de 1946, um plebiscito realizado na Grécia decidiu pela restauração de seu tio, o Rei Jorge II, ao trono. Com isso, seus pais, o Príncipe Paulo e a Princesa Frederica, passaram a ocupar a posição de herdeiros da Coroa grega. Em 1 de abril de 1947, após a morte de Jorge II, Paulo ascendeu ao trono como rei dos Helenos, tornando Sofia filha do soberano reinante.
Aos 14 anos de idade, Sofia foi enviada pelos pais à Alemanha para prosseguir seus estudos na Escola Schloss Salem, instituição administrada por seu tio materno, o príncipe Jorge Guilherme de Hanôver. Após retornar à Grécia, estudou puericultura, música e arqueologia, além de realizar estágio em uma enfermaria de Atenas. Posteriormente, frequentou o Fitzwilliam College, da Universidade de Cambridge.
Como filha do rei, Sofia participou regularmente de cerimônias oficiais e envolveu-se em atividades beneficentes, assumindo também algumas responsabilidades representativas da família real. Em 1960, integrou como suplente a equipe grega de vela nos Jogos Olímpicos de Verão. Poliglota, Sofia dominava diversos idiomas, entre eles alemão, inglês, italiano, castelhano e grego.
Em 1954, Sofia participou do Cruzeiro dos Reis, organizado por sua mãe no Mar Mediterrâneo, ocasião em que conheceu o infante Juan Carlos da Espanha. Na época, ambos eram adolescentes e não demonstraram interesse romântico um pelo outro. Juan Carlos, então com quinze anos, mostrava-se mais interessado em sua prima Maria Gabriela de Saboia, com quem mantinha um relacionamento próximo. Também circulavam comentários de que Sofia tinha mais afinidades com o príncipe herdeiro Haroldo da Noruega do que com seu futuro marido.
O romance com Juan Carlos só começou anos depois, em junho de 1961, quando se reencontraram no casamento de Eduardo, Duque de Kent, em Londres. O namoro culminou no noivado do casal, anunciado em 13 de setembro de 1961, em Lausana, na Suíça, onde morava a rainha Vitória Eugênia de Battenberg, avó de Juan Carlos. Segundo Sofia, ele atirou a caixinha que continha seu anel para o ar e disse: "Sofia, pegue". Para a imprensa Juan Carlos disse depois que havia amado a princesa desde o primeiro momento em que a viu. "É uma das poucas mulheres que conheço que é capaz de levar a coroa real com toda dignidade", declarou.
O casamento foi celebrado em 14 de maio de 1962, em Atenas. O evento reuniu cerca de 143 príncipes e princesas pertencentes a 27 casas soberanas ou anteriormente soberanas da Europa. Foram realizadas quatro cerimônias: uma católica romana, na Catedral de São Dinis; uma ortodoxa grega, na Catedral Metropolitana de Atenas; e duas cerimônias civis, uma de acordo com a legislação espanhola e outra segundo a legislação grega, ambas realizadas na sala do trono do Palácio Real.
Após o casamento, o casal estabeleceu residência no Palácio da Zarzuela, nos arredores de Madrid. Sofia dedicou-se à adaptação à cultura e às tradições espanholas e concentrou-se principalmente na criação dos três filhos do casal: Elena (nascida em 1963), Cristina (nascida em 1965) e Filipe (nascido em 1968). As filhas foram matriculadas no Colégio Santa María del Camino, enquanto Felipe estudou no Colégio Santa María de los Rosales, ambos em Madrid. Sofia acompanhou de perto a educação dos filhos e procurou garantir que eles não recebessem tratamento privilegiado.
Juan Carlos tornou-se Príncipe da Espanha em 1969 e foi proclamado Rei da Espanha como Juan Carlos I em 1975, após a morte do general Francisco Franco, que governava o país desde 1939. O casal optou por não residir no Palácio Real de Madrid, utilizado principalmente para cerimônias oficiais e parcialmente aberto à visitação pública, escolhendo em seu lugar o mais discreto Palácio da Zarzuela como residência oficial. Em contraste com as tradições monárquicas da época, não estabeleceram uma corte formal, e a Rainha Sofia não contou com damas de companhia, o que a distinguia de outras soberanas europeias. Durante os primeiros anos do reinado, Juan Carlos desempenhou um papel fundamental na transição democrática da Espanha, contando com o apoio discreto de sua esposa.
Sofia dedicou grande parte de sua atuação pública a causas sociais, à pesquisa científica e à promoção de iniciativas de interesse público. Desde 1977, preside a Fundação Rainha Sofia, por meio da qual desenvolve projetos relacionados à imigração, educação, assistência social e proteção ambiental. Também foi presidente honorária da Fundação de Ajuda contra a Dependência de Drogas até 2015, quando transferiu essa função para a Rainha Letizia. Em reconhecimento ao seu trabalho em prol da convivência, da harmonia social e dos valores democráticos, recebeu, em 2013, o Prêmio Convivência, concedido pela Fundação Professor Manuel Broseta.
A partir de 1992, a imprensa espanhola e internacional passou a divulgar com frequência informações sobre as dificuldades conjugais enfrentadas pelo casal real. Ao longo dos anos, Juan Carlos, frequentemente descrito pela mídia como "mulherengo", foi alvo de rumores e especulações sobre relacionamentos extraconjugais, inicialmente com a decoradora catalã Marta Gayà e, posteriormente, com maior destaque, com a empresária alemã Corinna Larsen. Apesar da repercussão desses episódios, Sofia manteve uma postura discreta diante das controvérsias e, ao final do reinado do marido, era considerada uma das integrantes mais populares da família real.