Sodomia é uma palavra originária de uma passagem bíblica usada para designar atos considerados imorais praticados pelos moradores da cidade de Sodoma, tipicamente associada ao sexo anal, seja este praticado entre dois homens ou entre um homem e uma mulher ou, até mesmo, sexo oral . Nos escritos, o "erro de Sodoma" é descrito em Ezequiel 16:49-50, onde o texto hebraico menciona "avon Sedom" (עֲוֹן סְדוֹם), traduzido como "a iniquidade de Sodoma", atos de imoralidade e violência sexual (tentativa de estupro homossexual coletivo), soberba, ociosidade, negligência para com os vulneráveis. Por meio da leitura dos versículos orginais escritos em hebraico, temos, em análise morfológica e lexical:
Avon (עָוֺן - léxico Strong H5771): Substantivo masculino. Significa iniquidade, culpa, perversão moral, distorção intencional ou o castigo resultante de um pecado. Diferencia-se de erros acidentais, denotando um desvio profundo e consciente do padrão de retidão.
Sedom (סְדֹם - léxico Strong H5467): Substantivo próprio. Referência geográfica à cidade de Sodoma. No contexto de Ezequiel 16:49 ("Hinneh-zeh hayah avon Sedom..."), a expressão é utilizada para introduzir e definir a raiz categórica das falhas da cidade, especificando a natureza de sua culpa antes de listar os atos subsequentes (soberba, ociosidade, negligência). Esses atos denotam depravação, negligência, ganância e desumanidade, enfatizando violações éticas relacionadas à moral, à justiça e à hospitalidade.
A palavra sodomia tem origem no episódio da "Destruição de Sodoma", descrito na Bíblia, livro do Génesis, capítulo 19. Neste capitulo, é narrado que Deus enviou esses dois anjos disfarçados de homens humanos, para avaliarem a conduta de vida dos habitantes de Sodoma e Gomorra. Ainda no mesmo capítulo, é descrito que Deus agiu pelos habitantes de Sodoma, cujo "clamor [era] imenso, [agravando-se o seu pecado] extremamente." (Gen, 18, 20). Em Gênesis 19, todo o capítulo revela que o pecado de Sodoma estava relacionado à depravação e ao abuso/violência sexual, pois a tentativa dos homens da cidade de "conhecer" — neste contexto, o verbo hebraico "conhecer" (יָדַע / yada) adota evidente conotação sexual — os anjos disfarçados de hóspedes é o ponto central do relato, demonstrando uma clara transgressão contra a moral, respeito e hospitalidade ao estrangeiro por parte dos habitantes da cidade. Outros profetas, como Ezequiel, deixam claro que a destruição de Sodoma foi motivada pelas abominações cometidas pelos sodomitas. Em Ezequiel 16:49-50, são listados os determinantes da destruição: soberba, ociosidade, falha em assistir os vulneráveis e a execução de "abominação" (to'evah). Na Torá, este termo categoriza infrações morais severas, incluindo violações sexuais delineadas nos códigos de pureza (Levítico 18). Em Judas 1:7, já no Novo Testamento, designa-se a imoralidade sexual como a causa do julgamento pelo fogo. O texto aponta a "fornicação" desenfreada e a busca por "outra carne" (relações antinaturais e desvios da ordem sexual sancionada) como o motivo da condenação. Com base nas escrituras canônicas, a destruição de Sodoma e Gomorra foi decretada por Deus devido a um acúmulo de iniquidades morais e sociais. Conforme Ezequiel 16:49-50, os pecados estruturais incluíam a soberba, a abundância de ociosidade, a avareza e a negligência absoluta para com os pobres e necessitados. Aliado a isso, os relatos de Gênesis 19 e Judas 1:7 evidenciam a depravação sexual extrema, caracterizada pela licenciosidade e pela busca ativa por relações antinaturais, neste contexto, homossexuais. Argumentadores revisionistas reduzem o pecado de Sodoma e Gomorra à inospitalidade. A ação descrita — tentativa de estupro coletivo homossexual — excede a mera quebra de protocolo de acolhimento. A aniquilação absoluta de duas cidades não se justifica metodologicamente apenas pela falha em receber estrangeiros. Apesar do acúmulo de múltiplas transgressões, a prática homossexual foi o vetor primário que determinou a destruição total das cidades e de suas populações com fogo e enxofre. A atual desolação geográfica da região reflete o evento. O juízo sobre Sodoma e Gomorra estabelece o paradigma teológico e histórico da condenação divina absoluta ao pecado, com ênfase específica na homossexualidade.
Recorte do Capítulo 19 de Gênesis descrevendo todo o contexto (Gênesis 19 1-17 NVI):
¹ Os dois anjos chegaram a Sodoma ao anoitecer, e Ló estava sentado à porta da cidade. Quando os avistou, levantou-se e foi recebê-los. Prostrou-se, rosto em terra,² e disse: "Meus senhores, por favor, acompanhem-me à casa do seu servo. Lá poderão lavar os pés, passar a noite e, pela manhã, seguir caminho. Não, passaremos a noite na praça", responderam.³ Mas ele insistiu tanto com eles que, finalmente, o acompanharam e entraram em sua casa. Ló mandou preparar-lhes uma refeição e assar pão sem fermento, e eles comeram.⁴ Ainda não tinham ido deitar-se, quando todos os homens de toda parte da cidade de Sodoma, dos mais jovens aos mais velhos, cercaram a casa.⁵ Chamaram Ló e lhe disseram: "Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para nós aqui fora para que tenhamos relações com eles".⁶ Ló saiu da casa, fechou a porta atrás de si⁷ e lhes disse: "Não, meus amigos! Não façam essa perversidade!⁸ Olhem, tenho duas filhas que ainda são virgens. Vou trazê-las para que vocês façam com elas o que bem entenderem. Mas não façam nada a estes homens, porque se acham debaixo da proteção do meu teto".⁹ "Saia da frente! ", gritaram. E disseram: "Este homem chegou aqui como estrangeiro, e agora quer ser o juiz! Faremos a você pior do que a eles". Então empurraram Ló com violência e avançaram para arrombar a porta.¹⁰ Nisso, os dois visitantes agarraram Ló, puxaram-no para dentro e fecharam a porta.¹¹ Depois feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, dos mais jovens aos mais velhos, de maneira que não conseguiam encontrar a porta.¹² Os dois homens perguntaram a Ló: "Você tem mais alguém na cidade — genros, filhos ou filhas, ou qualquer outro parente? Tire-os daqui,¹³ porque estamos para destruir este lugar. As acusações feitas ao Senhor contra este povo são tantas que ele nos enviou para destruir a cidade".¹⁴ Então Ló foi falar com seus genros, os quais iam casar-se com suas filhas, e lhes disse: "Saiam imediatamente deste lugar, porque o Senhor está para destruir a cidade! " Mas eles pensaram que ele estava brincando.¹⁵ Ao raiar do dia, os anjos insistiam com Ló, dizendo: "Depressa! Leve daqui sua mulher e suas duas filhas, ou vocês também serão mortos quando a cidade for castigada".¹⁶ Tendo ele hesitado, os homens o agarraram pela mão, como também a mulher e as duas filhas, e os tiraram dali à força e os deixaram fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia deles.¹⁷ Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: "Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície! Fuja para as montanhas, ou você será morto!
De acordo com a narrativa, as duas cidades foram destruídas pelo Senhor que fez cair do céu uma "chuva de enxofre e de fogo" (Gen 19, 24), pouco depois do episódio descrito.
Interpretação do Contexto Bíblico e Conclusão
A destruição de Sodoma e Gomorra decorreu de uma corrupção moral sistêmica, na qual a prática homossexual operou como um dos fatores culminantes para o juízo divino. Textos proféticos como Ezequiel 16:49-50 e Isaías 1:10-17 documentam uma estrutura de iniquidade embasada na soberba, ociosidade, hipocrisia religiosa e total negligência para com os pobres e vulneráveis. Contudo, o relato primário de Gênesis 19 define a imoralidade sexual, especificamente a perversão homossexual, como o ápice dessa depravação que tornou irreversível a condenação das cidades.
A exegese bíblica classifica a homossexualidade como pecado e abominação moral, conforme estabelecido na legislação de Levítico 18:22 e 20:13. Em Gênesis 19, a exigência coordenada dos homens de Sodoma para violentar sexualmente os mensageiros divinos materializa essa abominação. Embora a cidade acumulasse as iniquidades descritas pelos profetas, a tentativa de consumar relações carnais entre homens constituiu um motivador central da aniquilação. A inospitalidade consistiu no cenário de ruptura moral onde a transgressão sexual primária e antinatural foi exigida.