Shirley Anita St. Hill Chisholm (Nova Iorque, 30 de novembro de 1924 — Ormond Beach, 1 de janeiro de 2005) foi uma política, educadora e autora norte americana. Ela foi a primeira mulher negra eleita no Congresso dos Estados Unidos em 1968, representando o 12º Distrito Congressista de Nova Iorque por 7 mandatos, de 1969 a 1983. Em 1972, tornou-se a primeira mulher negra candidata a presidência dos Estados Unidos, e a primeira mulher a concorrer à presidência pelo Partido Democrata.
Shirley Anita St. Hill nasceu em 30 de novembro de 1924, no Brooklyn, Nova Iorque. Filha de imigrantes caribenhos, ela teve três irmãs mais novas. Seu pai, Charles Christopher St. Hill, nasceu na Guiana Britânica e viveu em Barbados por alguns anos antes de migrar para os Estados Unidos pelas Antilhas, Cuba, em 10 de abril de 1923, a bordo do S.S. Munamar. Sua mãe, Ruby Seale, nasceu em Christ Church, Barbados, e migrou para os Estados Unidos a bordo do S.S. Pocome em 8 de março de 1921.
Seu pai era um trabalhador não qualificado, que trabalhava como ajudante de de padeiro, enquanto sua mãe se dividia entre o trabalho de costureira e a criação dos filhos. Por conta das dificuldades da família, em novembro de 1929 Shirley e suas irmãs foram enviadas para Barbados para viver com sua avó materna, Emaline Seale, em uma fazenda na aldeia Vauxhall em Christ Church. Ela não voltou aos Estados Unidos até 19 de maio de 1934 e por conta dos vários anos vividos em Barbados carregou por toda sua vida um forte sotaque indiano ocidental. Como resultado do tempo vivido na ilha, e independentemente do seu nascimento nos Estados Unidos, Chisholm sempre se considerou uma americana barbadiana.
Em 1939, começou a estudar em uma escola para meninas no bairro de Bedford-Stuyvesant, no Brooklyn. Obteve seu diploma de bacharel em Artes pela Brooklyn College em 1946, onde ganhou prêmios para suas habilidades de debate.
Conheceu Conrad O. Chisholm no final de 1940. Ele tinha vindo da Jamaica para os EUA em 1946 e mais tarde se tornaria investigador particular, se especializando em processos judiciais com base em negligência. Eles se casaram em 1949
Entre os anos 1953 e 1959, ela foi diretora do Friends Day Nursery em Brownsville, Brooklyn, e da Hamilton-Madison Child Care Center em Lower Manhattan. Entre 1959 e 1964, ela foi consultora educacional na Division of Day Care. Ficando conhecida como autoridade em assuntos referentes a educação e bem estar infantil.
Enquanto trabalhava em uma instituição de educação infantil ela formou a base da sua carreira política, trabalhando como voluntária para os clubes políticos dominados por brancos em Brooklyn, e com a liga de mulheres votantes.
Entre 1965 e 1969, Chisholm foi membro democrata da Assembleia Estadual de Nova Iorque. Seus sucessos na legislatura incluem a extensão de subsídios de desemprego para trabalhadores domésticos. Ela também patrocinou a introdução de um programa SEEK (Search for Education, Elevation and Knowledge) para o Estado, o que forneceu a alunos desfavorecidos a chance de entrar na faculdade durante a recepção de ensino de recuperação intensiva.
Em agosto de 1968, ela foi eleita no Comitê Nacional Democrata pelo Estado de Nova Iorque.
Em 1968 Chisholm concorreu para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 12º distrito congressional de Nova Iorque, que como parte de um plano da corte mandatada para redestribuição foi significantemente redesenhado para focar no Bedford-Stuyvesant e, como esperado, resultou na primeira membra negra do Congresso pelo Brooklyn. Chisholm anunciou sua candidatura por volta de janeiro de 1968. Seu slogan de campanha era "Unbought and Unbossed".
Em 18 de junho de 1968, nas primárias democratas, Chisholm derrotou dois outros oponentes negros, William S. Thompson e Dollie Robertson. Nas eleições gerais, ela ganhou de James L. Farmer Jr., o ex-diretor do Congresso da Igualdade Racial, que concorria pelo Partido Liberal com apoio republicano. Assim, Shirley Chisholm tornou-se a primeira mulher negra eleita no congresso
Chisholm foi designada ao Comitê Agrícola da Câmara. Por considerar o cargo irrelevante para seus eleitores, entendeu a atribuição como um insulto. Ao apoiar Hale Boggs
para líder do Congresso, Boogs a colocou no Comissão de Educação e Trabalho. Ela chegou a ser o terceiro membro mais graduado desse comitê ao se aposentar.
Todos os contratados para seu escritório eram mulheres, sendo a metade negra.
Se juntou ao Congressional Black Caucus em 1971 como membro fundadora. No mesmo ano, ela também contribuiu para a fundação do National Women's Political Caucus.
Em maio de 1971, juntamente com sua amiga congressista Bella Abzug, apresentou um projeto de lei para destinar 10 bilhões de dólares em fundos federais para serviços de cuidados infantis até 1975. Uma versão menos cara introduzida pelo senador Walter Mondale foi aprovado eventualmente pela Câmara e Senado como Comprehensive Child Development Bill, mas foi vetada pelo presidente Richard Nixon em dezembro de 1971, que além de considerar um projeto caro, compreendeu que seria prejudicial a instituição da família.
Chisholm começou a explorar sua candidatura em julho de 1971 e anunciou formalmente sua corrida presidencial em 25 de janeiro de 1972 em uma igreja batista de seu distrito no Brooklyn. Nesta ocasião, ela convocou uma revolução sem derramamento de sangue na próxima convocação de nomeação democrática. Ela se tornou a primeira candidata negra a disputar a presidência dos Estados Unidos em 1972, sendo também a primeira candidata mulher ao cargo pelo Partido Democrata.
Sua campanha teve dificuldades de organização e financiamento desde o início, chegando a usufruir de apenas 300,000 dólares em todo o curso. Ela lutou para ser considerada uma candidata séria ao invés de uma figura política simbólica, pois foi ignorada por boa parte do contingente democrata e recebeu pouco apoio de homens negros.