Sharon Tate Polanski (Dallas, 24 de janeiro de 1943 – Los Angeles, 9 de agosto de 1969), foi uma atriz e modelo norte-americana. Durante a década de 1960, ela desempenhou pequenos papéis na televisão antes de aparecer em filmes e foi regularmente apresentada em revistas de moda como modelo e capa. Após receber críticas positivas por suas performances cômicas e dramáticas, Tate foi aclamada como uma das estreantes mais promissoras de Hollywood, sendo comparada favoravelmente a Marilyn Monroe.
Tate estreou no cinema em 1961 como figurante em Barrabás com Anthony Quinn. Apareceu em seguida no filme de terror Eye of the Devil (1966). Sua atuação mais lembrada foi como Jennifer North no filme clássico cult de 1967 Valley of the Dolls, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro. Naquele ano, ela também atuou no filme The Fearless Vampire Killers, dirigido por seu futuro marido Roman Polanski. O último filme completo de Tate, 12+1, foi lançado postumamente em 1969.
Em 9 de agosto de 1969, Tate e outras quatro pessoas foram assassinadas por membros do culto da Família Manson, na casa que ela dividia com Polanski em Los Angeles. Ela estava grávida de oito meses e meio.
Sharon foi a primeira de três filhas a nascer da união entre o coronel Paul Tate, um oficial do Exército dos Estados Unidos e Doris Gwendolyn. Aos seis meses, ganhou o seu primeiro concurso de beleza, sendo coroada Miss Tiny Tot de Dallas, sua cidade natal, mas seus pais não tinham ambições artísticas para a filha. Seu pai, como militar, era promovido e transferido de cidade em cidade. Aos 16 anos, Sharon já tinha morado em seis cidades e se queixava de não conseguir fazer amizades. Sua família a descrevia como tímida e com falta de autoconfiança. Quando se tornou adulta, ela comentou que as pessoas confundiam sua timidez com indiferença até que a conhecessem melhor.
Á medida que crescia, sua beleza começava a chamar a atenção e ela começou a trabalhar como modelo e participou de vários concursos de beleza, sendo eleita "Miss Richland", do estado de Washington, aos 16 anos. Não pode participar do concurso estadual porque o pai foi logo a seguir transferido para a Itália, levando toda a família. Ao chegar em Verona, ela descobriu que tinha se tornado uma celebridade local, com uma foto sua de maiô publicada na capa do Stars and Stripes, o jornal das Forças Armadas. Começou a fazer amigos na escola americana de Vicenza e com eles, participou como figurante de um filme sendo feito no local, Adventures of a Young Man, com Paul Newman. Notada por um dos atores do filme, Richard Beymer, os dois começaram a namorar e Beymer a incentivou a entrar para a carreira artística. Em 1960, quando Barrabás estava sendo filmado perto de Verona, ela conseguiu outro trabalho como figurante. Um dos atores do filme, Jack Palance, ficou impressionado com sua beleza e atitude apesar de sua participação ser muito pequena para que se pudesse julgar o talento. Ele arranjou um teste para ela numa produtora de Roma mas a oportunidade não foi adiante. Quando Barrabás estreou ela retornou aos Estados Unidos sozinha, dizendo à família que queria completar os estudos no próprio país, mas em vez disso foi atrás de oportunidades no cinema. Após alguns meses, a mãe Doris teve um distúrbio nervoso e Tate foi convencida a voltar para a Itália.
Quando a família voltou aos Estados Unidos, Sharon resolveu perseguir o seu sonho de ser estrela de cinema. Em Hollywood, ela procurou Hal Gefsky, o agente de Beymer, que disse que "ela era tão linda e jovem que eu não sabia direito o que fazer com ela". Praticamente assim que voltou para casa, ela começou a trabalhar constantemente em comerciais de tv e revistas de moda, com os melhores fotógrafos do mercado, como Bert Stern e Philippe Halsman. Gefsky apresentou Tate a um dos mais importantes produtores de Hollywood, Martin Ransohoff, que ficou chocado com a beleza dela, decidiu contratá-la e fazer dela uma estrela. Como Sharon era menor de 21 anos, seus pais foram chamados para discutir um contrato e, atendendo aos desejos da filha, Paul e Doris concordaram que Sharon seguisse seu caminho no show business.
Em 1964, ela viria a conhecer e a namorar Jay Sebring, que começava a se estabelecer como cabeleireiro das celebridades em Hollywood e que, apaixonando-se por ela, a pediu em casamento, o que Sharon recusou. Era sua intenção deixar a vida artística quando casasse, mas ela ainda tinha muito pela frente antes de deixar a carreira que mal se iniciava. Sebring, com o passar dos anos e de seu posterior casamento com Polanski, acabou tornando-se seu grande amigo e os dois morreriam juntos cinco anos depois.
Começou por pequenos papéis na televisão, em séries de TV como The Beverly Hillbillies e O Agente da UNCLE, mas Sharon estava ansiosa por conseguir melhores papéis no cinema e chegou a fazer um teste para o papel de 'Liesl', a filha mais velha do Barão von Trapp em A Noviça Rebelde e para o par amoroso de Steve McQueen em The Cincinnati Kid, papel que perdeu para Tuesday Weld. Sam Peckinpah, o diretor do filme, e Ransohoff, concordaram que sua timidez e inexperiência na profissão a fariam perder-se num papel tão grande. Mas Ransohoff estava tão certo de que Tate viraria uma superestrela que investiu cerca de um milhão de dólares em sua preparação, divulgação e treinamento. Chegou a ser conhecida na época como a Million Dolar Baby, a última das estrelas de estúdio e o The Edmonton Journal a colocou na capa com a manchete de que Tate era a nova aposta de Hollywood em quem se estava investindo uma pequena fortuna.
Em 1966, seu mentor conseguiu para ela seu primeiro papel importante num filme, O Olho do Diabo, a ser filmado em Londres com David Niven, Deborah Kerr e David Hemmings, que no mesmo ano viraria uma grande estrela internacional como o fotógrafo de Blow-Up. O filme seria o grande teste de Sharon, da sua capacidade de impressionar na tela e de representar papéis de importância. O diretor J. Lee Thompson teve inicialmente grandes dúvidas sobre seu potencial e chegou a comentar com Ransohoff que "se ela não desempenhasse o que esperávamos nas duas primeiras semanas, eu iria colocá-la na geladeira, diminuindo seu papel" mas logo percebeu que sua presença na tela era "tremendamente excitante". Ela interpretou Odile de Caray, uma linda jovem com poderes sobrenaturais, que exerce um misterioso poder sobre um dono de terras e sua mulher. Apesar de não ter tantas falas quanto seus colegas mais famosos, o desempenho de Tate foi considerado crucial para o filme e sua personagem foi necessária, mais do que a dos outros membros do elenco, para definir um tom etéreo na trama. Ransohoff ficou animado com o trabalho de Tate e foi atrás de outros papéis importantes. Continuou em Londres, vivendo o mundo da moda e a noite londrinas, já que Sebring tinha voltado aos Estados Unidos por compromissos profissionais. Foi nessa época que conheceu Roman Polanski.
No fim daquele ano, Ransohoff começou a produzir um novo filme a ser dirigido por Polanski, A Dança dos Vampiros, uma comédia de humor negro. Polanski queria Jill St. John para o principal papel feminino mas concordou em conhecer Sharon a pedido do produtor. Depois de um jantar em que discutiram o papel, ele concordou que ela pudesse estrelar o filme, desde que Sharon usasse uma peruca vermelha para a personagem. Durante as filmagens, em que inicialmente o diretor teve pouca paciência com Sharon, chegando a rodar setenta vezes uma mesma cena para ficar satisfeito mas depois elogiando seu desempenho, os dois se apaixonaram e ela foi viver com Polanski no apartamento dele em Londres. Sebring, em Hollywood, ficou devastado com a notícia. Para a promoção do filme, o fotógrafo Francesco Scavullo fotografou Tate na neve de casaco de pele e peruca vermelha para a revista Vogue e o próprio Polanski fez um ensaio com ela seminua para a revista Playboy. A Dança dos Vampiros veio a ser um grande sucesso de público para Polanski e lançou Sharon Tate ao estrelato.
Pouco tempo depois, Sharon voou de volta para Los Angeles para participar de nova produção de Ransohoff, Não Faça Onda, uma comédia hedonista passada nas praias da Califórnia onde ela enfeitiça Tony Curtis com seu rosto e corpo absolutamente perfeitos, aparecendo quase o tempo todo de biquíni. Como uma atlética pára-quedista e ginasta chamada 'Malibu', ela mesmo fez todas as suas cenas de dublê impressionando a equipe de filmagem. Para promover o filme, incontáveis fotos de Tate de biquíni como "Malibu" saíram na mídia e seu sucesso foi tão grande - apesar das críticas e bilheterias medíocres que o filme conseguiu - que na estreia dele fotos em tamanho natural da personagem estavam por todas as salas de entrada dos cinemas dos Estados Unidos e ela se tornou garota-propaganda da Coppertone. Durante as filmagens, Curtis tornou-se um amigo íntimo do casal Tate-Polanski e virou conselheiro sentimental da atriz.