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Serviço público

Serviço prestado direta ou indiretamente por um governo às pessoas que vivem em sua jurisdição

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Serviço público designa o conjunto de funcionários de carreira do Estado que integram a burocracia governamental, distinguindo-se dos agentes políticos eleitos ou nomeados para cargos de direção. Vale ressaltar, que não podemos confundir serviço público com setor público. Enquanto o primeiro refere-se aos funcionários públicos de carreira e suas relações institucionais, o segundo abrange toda entrega de politicas públicas à sociedade. O conceito de serviço público articula-se com questões de accountability democrática, eficiência administrativa, insulamento burocrático e politização da burocracia.

Sob a perspectiva weberiana, isto é, do desenho do Estado Moderno, este serviço representa a institucionalização da autoridade racional-legal, caracterizada pelo recrutamento meritocrático, hierarquia funcional, especialização técnica e permanência institucional que transcende mudanças de governo. Essas características formam o que Max Weber descreveu como tipos ideais dessa burocracia. Este modelo de administração pública moderna, fundamental para a sociologia das organizações, pressupõe separação entre esfera pública e privada, visando impedir o patrimonialismo e a apropriação privada do Estado.

Já a escola americana estabeleceu distinção entre política e administração, fundamentando reformas meritocráticas em prol da profissionalização do serviço público e redução do clientelismo. Todavia, estudos mais recentes sobre a implementação de políticas públicas demonstram que burocratas exercem discricionariedade, conformando as políticas em seus cotidianos.

Reformas orientadas pelo New Public Management a partir dos anos 1980 propuseram substituir o modelo burocrático weberiano por uma lógica gerencial inspirada no setor privado, induzindo a contratualização, metas de desempenho, competição, terceirização. No Brasil, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995) de Bresser-Pereira incorporou estes princípios. Críticos apontam que tal abordagem negligencia especificidades do setor público, fragiliza carreiras de Estado e pode comprometer princípios do Estado Democrático de Direito.

Sistema de Exames na China Imperial

O primeiro sistema institucionalizado de recrutamento meritocrático surgiu na China Imperial durante a Dinastia Sui (581-618 d.C.), consolidando-se sob a Dinastia Tang (618-907) e alcançando apogeu na Dinastia Song (960-1279). Baseava-se em exames dos clássicos confucionistas para seleção de mandarins, criando burocratas estudiosos independente de laços aristocráticos. Este modelo influenciou reformadores europeus do século XVIII, notadamente philosophes franceses e administradores britânicos.

Em teoria, o sistema de serviço público chinês fornecia uma das principais saídas para a mobilidade social na sociedade chinesa, embora, na prática, devido à natureza demorada do estudo, o exame era geralmente feito apenas por filhos da nobreza rural. O exame testou a memorização do candidato de Nove Clássicos do Confucionismo e sua capacidade de compor poesia usando formas fixas e tradicionais e caligrafia.

No final do século XIX, o sistema sofria uma crescente insatisfação interna e era criticado por não refletir a capacidade do candidato de governar bem e por dar prioridade ao estilo em detrimento do conteúdo e da originalidade do pensamento. O sistema foi finalmente abolido pelo governo Qing em 1905, como parte do pacote de reformas Novas Políticas.

No século XVIII, em resposta às mudanças econômicas e ao crescimento do Império Britânico, as burocracias de suas instituições expandiram-se consideravelmente. Cada uma tinha seu próprio sistema, mas, em geral, os funcionários eram nomeados por apadrinhamento ou compra direta. No século XIX, tornou-se cada vez mais evidente que esses arranjos eram insuficientes.

Durante o século XVIII, o primeiro passo na direção de um "serviço público" foi dado pela Companhia Britânica das Índias Orientais, em 1806. Naquele ano, a Companhia estabeleceu uma faculdade, o Colégio da Companhia das Índias Orientais, perto de Londres, para treinar e examinar administradores dos seus territórios. Essa proposta originou-se, significativamente, de membros do posto comercial da Companhia das Índias Orientais em Cantão, na China. Os exames para o "serviço civil" indiano — termo cunhado pela Companhia — foram introduzidos em 1829.

O mesmo modelo foi implementado na Índia Britânica a partir de 1858, após o fim do domínio da Companhia das Índias Orientais através da Rebelião Indiana de 1857, que quase derrubou o domínio britânico no país. Este modelo inspirou reformas em França, Alemanha e Estados Unidos, constituindo a matriz do serviço público moderno.

Reforma Pendleton nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o sistema de spoils system (empregos públicos como recompensa partidária) prevaleceu durante o século XIX. A Lei Pendleton (1883) estabeleceu Comissão de Serviço Civil e exames competitivos, expandindo gradualmente cobertura meritocrática. Em 1909, dois terços dos funcionários federais eram recrutados por mérito. A Lei Hatch (1939) proibiu atividade político-partidária por servidores, consolidando neutralidade burocrática.

Independência do serviço público

Historicamente, sistemas autocráticos de governo (como as monarquias) podem favorecer nomeações para cargos administrativos com base em nepotismo, clientelismo e favoritismo, com relações estreitas entre figuras políticas e administrativas. Os primeiros imperadores romanos, por exemplo, atribuíam a seus escravos domésticos e libertos grande parte da tarefa de administrar o Império, marginalizando os funcionários eleitos que continuavam as tradições da República Romana.

A agitação contra o sistema de clientelismo, nos Estados Unidos, resultou no aumento da independência do serviço público — visto como um princípio importante nos tempos modernos. Algumas estruturas governamentais incluem uma comissão de serviço civil (ou equivalente) cujas funções incluem manter o trabalho e os direitos dos funcionários públicos à distância de potencial politização ou interferência política.

No Brasil, sistema de cargos em comissão/DAS permitem significativa discricionariedade executiva. A existência de aproximadamente 21 mil cargos de livre nomeação, no governo federal, permite controle político sobre burocracia, gerando tensões entre responsividade democrática e expertise técnica. Coalizões partidárias distribuem cargos comissionados como moeda de troca, afetando capacidade de coordenação governamental e implementação de políticas.

Burocracia e Implementação de Políticas Públicas

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