Sertã é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Castelo Branco e integrando atualmente a Região do Centro e, desde 2024, a sub-região da Beira Baixa, contando, em 2021, cerca de 5 500 habitantes.
É sede do Município da Sertã que tem 453,13 km² de área e 14 769 habitantes (2021), subdividido em 10 freguesias.
A Sertã, tendo pertencido à antiga província da Beira Baixa, faz parte da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.
É provável que a urbe que é atualmente a Sertã tenha sido conhecida durante o Império Romano, na Antiguidade Clássica, com o nome de Sartago, em acusativo Sartágimem, de cujo declinação deriva o topónimo Sertã. No famoso Dicionário etimológico do filólogo, linguista e lexicógrafo brasileiro Antenor Nascentes, menciona Sartã como provindo do latim Sartagine, através do espanhol sartén e da versão arcaica sartãe.
Variações ortográficas arcaicas, modernas e hodiernas
De entre as grafias arcaicas, podem assinalar-se Sartagine nas Inquirições de Afonso II, Sartaãe nos documentos dos tempos de D. Dinis, Sertaã durante o reinado de Afonso IV, Sartaã e Sartãe durante o reinado de Afonso V, Asertam, Sertam Sertaam ou Sertaãe nos tempo de Manuel I, Certãa Certan e Sertãa no século XVIII. A grafia Certã tornou-se comum no século XVII, embora se ateste a forma etimológica Sertã desde a dinastia filipina. No entanto, outras grafias, tais como Certãa ainda eram frequentes no final do século XIX. Deve assinalar-se ainda a forma Sertãe em obras como o Auto da Lusitânia de Gil Vicente. É possível encontrar também as grafias Certam, Sertan, Sartan e Sartã
No Vocabulario Portuguez e Latino, do padre Raphael Bluteau, o primeiro grande dicionário de língua portuguesa, publicado em dez volumes entre 1712 a 1728 em Coimbra, pelo Colégio das Artes da Companhia de Jesus surgem tanto as palavras Certãa, Certan, Sartãa, Sertãa e Sertaâ, explicando que estas últimas palavras derivam de Sertago e Sartão. No Diccionario da Língua Portugueza de António de Morais Silva, de 1789, já só surge Certã.
O Compendio de Orthografia de Luis do Monte Carmello de 1767 clarifica que o nome da localidade é Certaã, mas que Sertãa (com S e e) seria preferível dada a fundação por Sertório, enquanto que sartãa (com a) seria sinónimo de frigideira.
Um outro caso interessante encontra-se no Novo Diccionario da Lingua Portugueza de Eduardo de Faria, o objeto para fritar é grafado alternativamente como sartã, sartan, sartagem ou sertagem, mas a grafia da localidade é indicada como Certã.
Antes da reforma ortográfica de 1911 (adoptada pela portaria de 1 de Setembro de 1911), era comum grafar-se Certã. No entanto essa grafia convivia antes dessa data com a grafia etimológica moderna, e essa situação persistiria durante mais algum tempo. O município local persistiu na grafia com inicial C até 1931, quando o vereação liderada por João Pinto de Albuquerque, passou a usar a grafia com S inicial a partir da sessão camarária de 14 de setembro de 1931. No vocabulário ortográfico de Gonçalves Viana, o pai da reforma ortográfica de 1911, surge sertã (e também sertãe), mas não certã.
O vocabulário da Academia das Ciências de Lisboa de 1940 incluía a grafia Sertã, mas indicando "também escrito Certã".
As bases analíticas do acordo ortográfico de 1945, incluem especificamente (Base V-3.°) o termo sertã (com minúscula inicial), como exemplo de distinção entre o s e o c.
O acordo ortográfico de 1990 inclui explicitamente, na Base III-3.°, o vocábulo Sertã (com inicial maiúscula) como exemplo de distinção entre o s e o c.
Confrontações com municípios vizinhos, menores ou subservientes
O município é limitado a norte pelo municípios da Pampilhosa da Serra, a nordeste por Oleiros, a sueste por Proença-a-Nova, a sul por Mação e Vila de Rei, a oeste por Ferreira do Zêzere e a noroeste por Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, nestes três últimos a fronteira concelhia é estabelecida pelo rio Zêzere. Todos esses outros municípios são de pequena dimensão demográfica e pouco significado económico, e todos eles têm uma relacão de subserviência sociocultural em relacão a Sertã; assim se entendendo os dizeres de Orlando Ribeiro.
A vila da Sertã localiza-se num elegante vale xistoso, numa área densa de floresta com predominância de pinheiro bravo e, mais recentemente, de eucalipto. O ponto mais alto do município, nos limites do município de Oleiros, é a Serra de Alvelos, que atinge os 1082 m. O ponto mais baixo do município tem uma altitude de 125 m. Não se trata de um ponto de mais baixa altitude, mas de toda a linha ao longo da Albufeira do Castelo De Bode, no rio Zêzere.
A zona compreendida entre o rio Zêzere, o rio Ocreza (a oriente), dentro da qual se insere o município da Sertã (e também Proença-a-Nova) é, do ponto de vista geológico, pertencente ao Maciço Antigo, onde predominam os xistos argilosos, gneisses, grauvaques e quartzitos. Nalguns casos, afloram pequenas manchas de granitos, como a que abrange a freguesia de Pedrógão Pequeno. Ao longo de algumas ribeiras, observam-se terraços fluviais com minerais, cuja importância na economia dos povos indígenas, e posteriormente, dos povos romanizados, poderá ter tido alguma importância. Trata-se de uma área muito montanhosa, profundamente recortada por ribeiras e ribeiros.
A localidade é banhada por dois formosos cursos de água, a ribeira da Sertã, também conhecida localmente como ribeira Grande, e a ribeira de Amioso (ou ribeira Pequena), juntando-se esta àquela no sítio de Entre-Águas. Estes dois cursos de água são deveras caudalosos no inverno, mas podem quase secar na estação do estio.