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Serguei Axionov

Serguei Valerievitch Axionov (em russo: Сергей Валерьевич Аксёнов; Bălți, 26 de novembro de 1972) é um político russo e

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Serguei Valerievitch Axionov (em russo: Сергей Валерьевич Аксёнов; Bălți, 26 de novembro de 1972) é um político russo e ucraniano que atua como Chefe da República da Crimeia desde outubro de 2014, após a anexação da península pela Rússia. Membro do partido Rússia Unida e figura central no processo de separação da Crimeia, Axionov foi um dos organizadores do referendo de março de 2014, considerado “ilegal e ilegítimo” pela Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos. O pleito, no entanto, resultou em 95,5% dos votos favoráveis à adesão da Crimeia à Federação da Rússia, de acordo com os dados divulgados pelas autoridades locais.

Formado posteriormente com distinção em Economia e Gestão, obtendo graus de bacharel e mestre em Finanças e Crédito, Axionov teve passagem pelo ensino militar, estudando na Escola Superior de Construção Político-Militar de Simferopol, sem concluir o curso. Após 1993, trabalhou como vice-diretor em várias empresas na Crimeia. Sua carreira política começou em 2008, quando fundou e passou a liderar o partido Unidade Russa, de orientação pró-Moscou. Em 2010, foi eleito deputado do Conselho Supremo da Crimeia, e em fevereiro de 2014 assumiu o cargo de primeiro-ministro da então República Autônoma da Crimeia, em meio à crise política que se seguiu à queda de Viktor Ianukovytch na Ucrânia.

Durante o processo de separação da Crimeia, Axionov tomou o controle das forças de segurança locais em 1 de março de 2014 e declarou-se comandante supremo das Forças Armadas da península. Solicitou oficialmente ao presidente russo Vladimir Putin “assistência para garantir a paz e a ordem na Crimeia”, pedido apoiado por Ianukovytch. Dias depois, anunciou a criação das Forças Navais da Crimeia e afirmou a intenção de ampliar a autonomia da região e criar um Ministério da Defesa local. Em 11 de março, determinou a nacionalização do equipamento naval ucraniano em Sebastopol. Em 18 de março de 2014, assinou junto de Putin, Vladimir Konstantinov e Alexei Tchaly o tratado que formalizou a entrada da Crimeia na Federação da Rússia.

Posteriormente, em março de 2014, Axionov declarou que o russo, o ucraniano e o tártaro da Crimeia seriam as línguas oficiais da república. Em 24 de março recebeu a cidadania russa, e dois dias depois foi confirmado como chefe do governo da República da Crimeia já como sujeito federado da Rússia. Desde então, ocupa o cargo de chefe da república, tendo também presidido o Conselho de Ministros até 2019. Por seu papel na anexação da Crimeia e pela violação da integridade territorial da Ucrânia, Axionov é alvo de sanções impostas pela União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e diversos outros países.

Nasceu na cidade de Bălți, na RSS da Moldávia. Seu pai, Valeri Nikolaievitch Axionov, formou-se no Instituto Pedagógico da Moldávia, trabalhou na juventude como chefe de oficina na fábrica que levava o nome de Lenin em Bălți e chefiou a “Comunidade Russa” da cidade. Em 1995 tornou-se vice-presidente do comitê executivo municipal de Bălți e, mais tarde, passou a atuar no setor empresarial. Atualmente, o pai de Axionov é deputado do Conselho de Estado da Crimeia, vice-presidente do Comitê de Construção, Transporte e Complexo de Combustível e Energia e membro da bancada do Rússia Unida no parlamento republicano, além de integrar a presidência da Comunidade Russa da Crimeia. Sua mãe, Nina Semionovna Axionova, é formada pela Universidade de Aviação de Ufa e atualmente é aposentada.

Serguei Axionov concluiu a escola em Bălți com medalha de prata e, em 1989, ingressou na Escola Superior de Construção Político-Militar de Simferopol. Quatro anos depois, realizou todos os exames de formatura, mas não recebeu diploma nem patente, pois em 1991 a União Soviética se desintegrou e Axionov, segundo suas próprias palavras, não quis jurar lealdade à Ucrânia. Em entrevista à TASS, ele explicou que já havia prestado juramento à União Soviética em 1989 e que jurar uma segunda vez lhe parecia “imoral”, além de afirmar que “o exército ucraniano, naquele momento, de fato, ainda não existia”.

Na década de 1990, Axionov iniciou atividades empresariais. Entre 1993 e 1998 foi vice-diretor da cooperativa Ellada, que comercializava alimentos, e de 1998 a 2001 ocupou o mesmo cargo na sociedade limitada Asteriks. De 2001 a 2014 trabalhou na empresa Eskada. Paralelamente à vida empresarial, estudou na Universidade de Economia e Gestão de Simferopol, na especialidade Economia das Empresas, obtendo posteriormente o grau de mestre em Finanças e Crédito.

Durante esse período, Axionov consolidou-se como empresário do setor alimentício, lidando com produtos de consumo e exportação. Ele próprio afirmou: “Lidávamos com produtos alimentícios, conservas e enviávamos bens de consumo para o exterior.” Em suas palavras, “eu nunca enganei ninguém, nunca tirei nada de ninguém. E se a gente combina algo nos negócios, é assim que acontece. Nunca tivemos incidentes.”

Desde 2008, Axionov é membro da Comunidade Russa da Crimeia e da organização pública Ativo Cívico da Crimeia. A partir de 2009, passou a integrar o conselho do Ativo Cívico da Crimeia, liderado por Vitali Lazutkin, e tornou-se copresidente do conselho de coordenação Pela Unidade Russa na Crimeia!. Nesse período, criticou o presidente do parlamento da Crimeia, Anatoli Gritsenko, os deputados Alexandr Melnick e Igor Lukatchov e o prefeito de Simferopol, Guennadi Babenko. Ao mesmo tempo, apoiou a nomeação de Guennadi Moskal como chefe da Direção Principal do Ministério do Interior da Crimeia.

Em 2009, o vice-presidente do Conselho Supremo da Crimeia, Mikhail Bakhariev, acusou Axionov de envolvimento com o grupo criminoso Seilem, ativo nos anos 1990. Axionov processou Bakhariev por difamação e defesa da honra, dignidade e reputação empresarial. O tribunal de primeira instância decidiu a seu favor, mas o tribunal de apelação considerou que ele não conseguiu comprovar sua inocência e manteve a decisão favorável a Bakhariev. Segundo a milícia ucraniana, o grupo Seilem, junto com o Bashmaki, controlava boa parte do setor empresarial da Crimeia até sua liquidação definitiva em 1999. Axionov negou qualquer ligação com esses grupos, insistindo que na época “apenas trabalhava com produtos alimentares, conservas e exportação”.

Em entrevista ao jornalista ucraniano Dmytro Gordon, a ex-procuradora da Crimeia, Natalia Poklonskaia, que investigou o grupo Bashmaki, afirmou que Axionov não figurou em nenhum de seus processos criminais. Já em 2022, o chefe da Crimeia venceu um processo judicial contra o blogueiro Ilia Boltchedvorov, que o havia acusado de ligações com o crime organizado, recebendo 900 mil rublos de indenização por danos morais e à reputação.

Axionov iniciou sua trajetória política em 2008, quando ingressou no partido Comunidade Russa da Crimeia, e, no ano seguinte, passou a integrar o conselho da organização pública Ativo Cívico da Crimeia. Nesse contexto, tornou-se copresidente do conselho de coordenação Pela Unidade Russa na Crimeia!. Em 2010, assumiu a liderança do movimento sociopolítico Unidade Russa e do partido homônimo. No mesmo ano, nas eleições para o Conselho Supremo da república, o Unidade Russa obteve 4% dos votos, garantindo a Axionov um assento parlamentar. Em outubro de 2012, concorreu às eleições para o Conselho Supremo da Ucrânia por um distrito uninominal, mas obteve apenas 9% dos votos, não conseguindo eleger-se.

Em 27 de fevereiro de 2014, um grupo de militares russos sem insígnias reuniu deputados do Conselho Supremo da Crimeia em Simferopol e os levou ao prédio do parlamento, que havia sido tomado. Os deputados, segundo relatos, não demonstravam vontade de participar da sessão. Igor Guirkin, cidadão russo e um dos comandantes envolvidos nos acontecimentos, afirmou que foi preciso “empurrar” os deputados para o plenário a fim de tomarem decisões. No edifício ocupado, realizou-se uma sessão extraordinária do parlamento da Crimeia, na qual foram aprovadas decisões previamente preparadas para destituir o primeiro-ministro Anatoli Moguilev, nomeado por Viktor Ianukovytch. Serguei Axionov, líder do partido Unidade Russa, apoiado pelos serviços de segurança russos, foi nomeado presidente do Conselho de Ministros da República Autônoma da Crimeia. Embora seu partido tivesse conquistado apenas três assentos nas eleições, Axionov possuía um grupo de voluntários e o apoio do presidente do parlamento, Vladimir Konstantinov. O voto ocorreu sob presença de forças especiais russas, e investigações jornalísticas posteriores revelaram que não havia quórum suficiente para validar as decisões.

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