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Sergipe

Unidade federativa do Brasil

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Sergipe é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Nordeste e tem por limites o oceano Atlântico a leste e os estados da Bahia, a oeste e a sul, e de Alagoas, a norte, do qual está separado pelo Rio São Francisco. Está dividido em 75 municípios e é o menor dos estados brasileiros, ocupando uma área total de 21 910 km², tornando-o pouco maior que El Salvador. Em 2021, sua população foi recenseada em 2,3 milhões de habitantes. Sua capital e cidade mais populosa é Aracaju, sendo sede da Região Metropolitana de Aracaju, que inclui os municípios de Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão.

Sergipe emancipou-se politicamente da Bahia em 8 de julho de 1820. A então capitania de Sergipe del-Rey viria a ser elevada à categoria de província quatro anos depois, e, finalmente, a estado após a proclamação da República em 1889. A atividade agrícola é um fator da economia sergipana. Em destaque nesse ramo, encontra-se o cultivo da cana-de-açúcar. A laranja e o coco também são produzidos pelo estado. O extrativismo mineral é outra atividade do setor primário. Petróleo, gás natural, calcário e potássio são os principais.

O nome do estado vem da antiga língua tupi e significa "no rio dos siris" (referindo-se ao Rio Sergipe), por meio da junção das palavras siri (siri), îy (rio) e -pe (em) que na linguagem dos colonizadores tornou-se Sergipe. Cabe notar um caso de variação linguística na língua tupi, pois, na região que atualmente compreende o Nordeste do Brasil, a palavra rio é îy (pronuncia-se "gi"), enquando no resto do território nacional ela é 'y.

Há diversas hipóteses para a ocorrência da posposição -pe no nome de tantos topônimos no Brasil. Contudo, não há uma explicação conclusiva a respeito. O que o filólogo Eduardo Navarro defende é que esses topônimos foram criados pelos próprios nativos, e estão entre os mais antigos do Brasil, podendo ser inclusive de origem pré-histórica, isto é, anterior ao descobrimento oficial do Brasil pelos europeus. Todavia, não sabemos o porquê de os indígenas colocarem o morfema -pe ao final dos nomes. Trata-se de um fenômeno gramatical que não conhecemos ao certo, pois essa função da posposição -pe não foi descrita por nenhum gramático do tupi.

Os primeiros indícios da ocupação humana do território que hoje corresponde ao estado de Sergipe são datados de 9000 a.C. Esses primeiros povos não conheciam a escrita, sendo objeto de estudo da Pré-História, que, no caso do continente americano, compreende o período que antecede a chegada dos europeus. Por não haver registros escritos, o estudo é feito por achados arqueológicos: pinturas rupestres, ossos, restos de cerâmica e outros artefatos. E através da análise dessa cultura material que os arqueólogos identificaram a existência de três culturas ou tradições arqueológicas: Canindé, Aratu e Tupi-guarani.

Durante décadas, os portugueses deram pouca atenção a Sergipe, o que permitiu que contrabandistas franceses de pau-brasil fizessem escambo com os indígenas locais. Com isso, iniciaram-se os esforços para a colonização portuguesa dessa área. Em 1575, os jesuítas fizeram sua primeira tentativa, sem sucesso, de catequisar os indígenas. A conquista definitiva ocorreu apenas em 1590, por Cristóvão de Barros, após uma série de batalhas pela posse da terra, e, em seguida, foi fundado o arraial e vila de São Cristóvão, sede da Capitania de Sergipe d’El Rey, vinculada à Capitania da Bahia de Todos os Santos.

Após a conquista de Sergipe, o território foi colonizado. O litoral e a Zona da Mata foram ocupados pela plantação de cana, concentrada no vale do Rio Cotinguiba, usando-se da mão de obra africana escravizada. Grande parte do interior sergipano foi colonizada pela pecuária, que alcançou também partes da Bahia.

Em 1637, os holandeses invadiram Sergipe, trazendo grande prejuízo local, com lavouras e canaviais destruídos, cabeças de gado roubadas e uma desorganização social e econômica da região. Em 1645, as terras sergipanas foram recuperadas pelos portugueses e repovoadas, com as características anteriores à ocupação batava.

Em 1696, Sergipe d’El Rey se tornou uma capitania independente, emancipando-se da Bahia. Nos anos seguintes, foram criadas as vilas de Itabaiana, Lagarto, Santo Amaro das Brotas e Santa Luzia (atual Santa Luzia do Itanhi).

Em 1763, a Capitania de Sergipe foi reanexada à da Bahia, sendo o território sergipano responsável por um terço da produção de açúcar baiana, além de fornecer couro, farinha, algodão e tabaco. As constantes intervenções do governo baiano em Sergipe geraram um desejo de autonomia local, concretizado em 8 de julho de 1820, quando o Rei D. João VI recria a Capitania de Sergipe, desmembrada da Bahia.

Em 1822, após a independência do Brasil, Sergipe tornou-se uma província.

Durante Primeiro Reinado e, principalmente, durante o período regencial, a província viveu as mesmas inquietações que outras províncias do país, com o sentimento nativista e liberal se manifestando em diferentes oportunidades, como a Revolta de Santo Amaro.

A emancipação política da Província de Sergipe representou também a emancipação econômica, com a elite local diminuindo sua dependência em relação à Salvador. Nas décadas seguintes à emancipação, o ciclo do açúcar, sobretudo no vale do Cotinguiba, trouxe prosperidade à província, o que levou a transferência da sua capital, em 1855, para Aracaju, uma cidade planejada.

A partir de 1860, a cultura do algodão na região de Itabaiana alavanca o desenvolvimento econômico e propiciou o surgimento das primeiras indústrias têxteis, cuja exportação cresceu bastante nas primeiras décadas da República.

Com a Proclamação da República, em 1889, Sergipe passou a ser um Estado da Federação. Em 1892, foi promulgada a primeira Constituição estadual.

Em 1924 e 1926, inspirados no tenentismo, alguns oficiais militares de média patente, liderados por Augusto Maynard Gomes, tentaram depor o então governador Maurício Graccho Cardoso, que governou de 1922 a 1926.

Com a Revolução de 1930, o estado passou a ser governado por interventores e governadores ligados a Getúlio Vargas. Nessa época, em 1938, Lampião e seu bando foram mortos em Poço Redondo, no sertão do estado, marcando a decadência do Cangaço.

A costa sergipana foi palco de três naufrágios entre 15 e 16 de agosto de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, quando os navios Baependi, Araraquara e Aníbal Benévolo foram torpedeados pelo submarino alemão U-507, comandado por Harro Schacht, causando quase 600 mortes. Os ataques foram em resposta ao rompimento das relações entre o Brasil e os países do Eixo.

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