Sérgio Bernardino, mais conhecido como Serginho Chulapa ou simplesmente Serginho (São Paulo, 23 de dezembro de 1953), é um ex-treinador e ex-futebolista brasileiro, que atuava como atacante.
É o maior artilheiro do São Paulo com 250 gols.
O apelido Chulapa foi dado a ele pelo narrador Silvio Luiz, pelo pé tamanho 44. Sua movimentação desengonçada, usando muito os braços, rendeu mais um apelido: “Tamanduá-bandeira”, vindo do narrador Osmar Santos.
Nasceu e cresceu no bairro paulistano da Casa Verde. Aos doze anos, Serginho começou a jogar em times de várzea da zona norte de São Paulo, como o Cruz da Esperança e o Vasco da Gama. "Se não tivesse ido para o esporte, certamente estaria na criminalidade", avaliava o ex-jogador em 2008, em referência ao projeto social desses times.
Aos dezesseis anos, fez testes para treinar na equipe da Portuguesa de Desportos e foi aprovado, mas ficou pouco tempo na Lusa, sendo dispensado dos juvenis em 1968. Chegou a trabalhar como entregador de leite e ajudando sua mãe colocando etiquetas em cortinas e camisas. Serginho participou, em 1970, de uma peneira na Casa Verde. Sua atuação encantou o técnico dos juvenis do São Paulo, que o chamou para jogar em seu time.
Sua estreia no elenco profissional do São Paulo foi promovida pelo técnico Telê Santana, em um amistoso contra o Bahia, em 6 de junho de 1973. Quatro dias depois, marcou seu primeiro gol como profissional, no empate por 1 a 1 contra o Corinthians. Naquele mesmo ano, foi emprestado ao Marília, voltando ao São Paulo em 1974.
Após retornar da Copa em 1982, no segundo semestre, passou a perder importância no São Paulo, indo e voltando do banco de reservas.
Pelo São Paulo, jogou, entre 1973 e 1982, um total de 330 partidas e marcou 250 gols, tornando-se até hoje o maior artilheiro da história do clube. Nesse período, conquistou os Campeonatos Paulistas de 1975, 1980 e 1981 e o Campeonato Brasileiro de 1977. Foi artilheiro dos campeonatos paulistas de 1975, com 33 gols, e de 1977, com 46.
Era nome certo para a Copa de 1978, sendo convocado por Claudio Coutinho para a Seleção Brasileira, porém acabou perdendo a chance de jogar quando teve que cumprir um ano de suspensão por agredir um bandeirinha.
Em 1982, foi convocado para a reserva e acabou se tornando titular na Copa, quando Careca se machucou antes da estreia. Anotou dois gols naquele mundial: na primeira fase, contra a Nova Zelândia, e na segunda fase, no clássico contra a Argentina. Reconheceu que seu estilo mais corpulento não combinou com o tipo de jogo daquela equipe.
No Santos, chegou já experiente, em 1983, com 29 anos, e, por isso mesmo, evitou o rótulo de "salvador da pátria". O atleta identificou-se com o clube ao longo de quatro passagens.
Sua primeira partida com o camisa do Peixe aconteceu no dia 19 de janeiro de 1983, em um amistoso diante do America, no Estádio Urbano Caldeira. As primeiras conquistas de Serginho no Alvinegro, ainda em 1983, foram os torneios Vencedores da América, no Uruguai, e Cidade de Pamplona, na Espanha. No mesmo ano, destacou-se na campanha que levou o Santos à final e à segunda colocação no Campeonato Brasileiro. Também conquistou a artilharia dos campeonatos Brasileiro e Paulista, ambos com 22 gols.
Em 1984, integrou o time que conquistou o Torneio Início, promovido pela Federação Paulista de Futebol, e também trouxe para a Vila Belmiro a nova Taça dos Invictos de A Gazeta Esportiva, depois que o Santos ficou quinze partidas sem perder. Seu auge no clube foi o gol do título no Campeonato Paulista de 1984, contra o seu maior rival, o Corinthians, por 1 a 0, em 2 de dezembro de 1984, campeonato de que foi artilheiro isolado da competição, com dezesseis gols. Posteriormente, afirmou que a derrota por 4 a 1 para o São Paulo, no Morumbi, neste campeonato (único revés do Santos), foi o jogo que mais o irritou na vida.
No Paulista de 1986, o Santos arrancou um empate por 1 a 1 com o Palmeiras com um gol de bicicleta de Serginho.
Em sua quarta e última passagem pelo Santos como jogador, no ano de 1990, Chulapa jogou sua última partida vestindo a camisa do Peixe no dia 2 de dezembro, em um empate diante do São Paulo por 1 a 1, pelo Campeonato Brasileiro no Morumbi.
Ao todo, incluindo outras passagens (1983–1984, 1986, 1988 e 1989–1990), marcou 104 gols em 202 partidas com a camisa do Santos e, junto com o ponta-esquerda João Paulo e o atacante Neymar, é um dos principais goleadores da equipe após a "Era Pelé".
Vendido ao Corinthians, Serginho chegou junto com outros jogadores consagrados, no início de 1985, e o time ganhou o apelido de "Seleção Corintiana". Mas a experiência não deu certo, sofreu com lesões e em outubro o atacante já falava que gostaria de voltar ao Santos e que já estava "em ritmo de férias". Isso fez com que o Corinthians buscasse uma maneira de rescindir o contrato com o jogador antes do fim, previsto para janeiro de 1986.
Quando voltou à Vila Belmiro, Serginho deu uma declaração jocosa: "Estou de volta, depois de um ano de férias no Corinthians.".