Segundo Império Mexicano, oficialmente Império Mexicano (em castelhano: Imperio Mexicano), foi um Estado norte-americano que existiu no século XIX no território do atual México. Foi governado como uma monarquia constitucional, tendo Maximiliano de Habsburgo-Lorena como único imperador.
O império foi fundado em um período de instabilidade, quando o partido conservador, derrotado na Guerra da Reforma, colaborou com as forças de Napoleão III em uma intervenção militar francesa para a criação de uma monarquia. Opositores da Segunda República liberal de Benito Juárez, a elite e a nobreza mexicana, a Igreja Católica e algumas comunidades indígenas formaram a base de apoio político ao império. As tropas francesas chegaram ao México em abril de 1862, sendo inicialmente derrotadas pelos republicanos no Cinco de Mayo da Batalha de Puebla. Apesar disso, a Cidade do México foi capturada por franceses no ano seguinte e a Assembleia dos Notáveis convidou o arquiduque austríaco Maximiliano, irmão do imperador Francisco José I da Áustria, para assumir a coroa. Após um plebiscito de fachada, Maximiliano aceitou o convite e desembarcou em Veracruz em 1864; seu governo, contudo, foi marcado pelo conflito entre as facções conservadora e liberal e pela alta dependência na ajuda francesa, uma vez que as forças republicanas nunca se renderam. Com mudanças internacionais pelo fim da Guerra Civil dos Estados Unidos e pela formação da Confederação da Alemanha do Norte, o apoio francês foi reduzido até a retirada total de forças em 1867. No mesmo ano, Maximiliano e seus generais Tomás Mejía e Miguel Miramón foram capturados, julgados e fuzilados em Querétaro como traidores pelo exército do presidente Juárez após somente quatro anos de governo monárquico.
Politicamente, o império foi marcado pela tensão constante entre o reformismo ilustrado de Maximiliano e a orientação conservadora dos monarquistas, somadas também à oposição armada dos liberais republicanos. Economicamente, pelos problemas de infraestrutura, crescente dívida externa e dificuldades de produção e exportação. Já militarmente, pela dependência no apoio francês e pelo estado de guerra civil contra o governo Juárez, que enfim se sobrepôs pela restauração da república e execução de Maximiliano e seus apoiadores.
Desde a consolidação da independência em 1821, o México estava dividido em duas facções: a liberal, que apoiava reformas para a instituição de uma república federalista laica e institucionalizada; e a conservadora, que apoiava somente reformas graduais que mantivessem um governo centralizado reconhecendo os direitos tradicionais de terras e do clero.
Em 1855, o governo ditatorial do conservador Santa Anna foi derrubado pelo golpe liberal do Plano de Ayutla após a perda de diversos territórios, como o Texas, o Novo México e a Alta Califórnia, na Revolução Texana e Guerra Mexicano-Americana. Os liberais, então, iniciaram uma série de mudanças conhecidas como La Reforma para aumentar as competências dos estados federados, reduzir o poder do clero e privatizar propriedades rurais, sendo essa agenda consolidada na Constituição de 1857. Conflitos sobre a extensão adequada das reformas, incluindo um racha entre liberais radicais e moderados, provocaram a Guerra da Reforma, que se alongou por quatro anos, gerou dívida externa para as duas facções e teve a vitória final do presidente liberal Benito Juárez.
Com a facção conservadora recusando a derrota, cresceu a proposta da monarquia por parte de figuras como o general Juan Nepomuceno Almonte e o arcebispo Pelagio Antonio de Labastida y Dávalos. Para eles, o grande período de instabilidade e violência desde a independência teria demonstrado que o México não estava pronto para um governo republicano; ideia que não era inovadora, já que o México havia se tornado independente sob o Primeiro Império Mexicano, de Agustín de Iturbide. Assim, no início de 1861, monarquistas mexicanos já articulavam com a França e a Áustria a criação de um império mexicano governado por um príncipe católico de casa europeia.
Em julho de 1861, o governo de Juárez decretou moratória nas dívidas contraídas com a França, Espanha e Grã-Bretanha na ocasião da Guerra da Reforma. Sob a iniciativa de Napoleão III, as três potências europeias se reuniram em Londres e assinaram um tratado para enviar tropas e forçar o pagamento da dívida externa, com uma cláusula que garantia a neutralidade dos signatários para com a forma de governo e os assuntos internos do México.
A primeira ação foi por parte da Espanha, que ocupou Veracruz em dezembro de 1861 com tropas vindas de Cuba; em janeiro de 1862, chegaram também forças francesas e britânicas. Representantes espanhóis e britânicos propuseram fazer um acordo direto com o governo Juárez, a França inicialmente recusou, mas foi pressionada a aceitar e as negociações se iniciaram em La Soledad, nas proximidades de Veracruz. Enquanto isso, Juárez começou os preparativos para guerra, apontando Ignacio Zaragoza para liderar a defesa do México e promulgando uma lei que punisse com a morte qualquer indivíduo que colaborasse com os invasores ou tentasse alterar a forma de governo mexicana. Similarmente, a França enviou reforços para Veracruz e protegeu o retorno do general conservador Almonte, antes exilado.
Com o acirramento das tensões, Espanha e Reino Unido chegaram a um acordo com o governo Juárez e logo retiraram suas forças. Então, a França repudiou as negociações de La Soledad e reiterou o ultimato militar. O primeiro confronto se deu no desfiladeiro de Acultzingo, com a vitória francesa e as forças republicanas recuando para a bem fortificada Puebla. A derrota francesa na tentativa de tomar a cidade surpreendeu tanto os mexicanos, aumentando a moral do exército, quanto os franceses, que escalaram o conflito enviando mais tropas e substituindo o general Conde de Lorencez pelo general veterano Élie Frédéric Forey, auxiliado pelo também general veterano François Achille Bazaine; essa vitória mexicana é comemorada ainda hoje no feriado de Cinco de Mayo.
Após a chegada de reforços e dos novos comandantes no final de 1862, um segundo avanço francês em Puebla era iminente; além disso, o general mexicano Zaragoza falecera de tifo no mesmo período. A cidade resistiu um cerco de dois meses até ser capturada em maio de 1863 e, com a rota aberta para a capital, o presidente Juárez fugiu e restabeleceu seu governo em San Luis Potosí. Os líderes franceses Forey e Bazaine, junto a seus aliados mexicanos conservadores, entraram sem resistência na Cidade do México em junho de 1863.
Assim que chegaram à capital, Forey e os conservadores convocaram uma Junta Superior para formar um novo governo, elegendo uma Assembleia de Notáveis, que se reuniu em julho de 1863 e decidiu por instituir um governo monárquico. Foi eleita uma regência trina composta pelo general Almonte, o arcebispo Labastida e o ex-presidente José Mariano Salas, a qual ofereceu a coroa mexicana para o príncipe Maximiliano, ex-vice-rei da Lombardia-Vêneto e irmão mais novo do imperador austríaco Francisco José I, membros da prestigiosa casa europeia de Habsburgo-Lorena.
A proposta não era nova, mas ainda enfrentava resistência do imperador Francisco José e do próprio príncipe Maximiliano. Francisco José inicialmente autorizou o encontro com a delegação mexicana mediante o apoio político, militar e econômico incondicional da França e Grã-Bretanha junto à renúncia dos direitos austríacos por parte de Maximiliano. Também foi exigido um plebiscito para a aprovação do regime. Entretanto, o tratado de aceite, assinado em abril de 1864, garantiu somente o apoio francês e a renúncia à sucessão austríaca, sem garantias britânicas e com Maximiliano retendo o direito ao apanágio. Em maio de 1864, Maximiliano e sua consorte belga Carlota desembarcaram em Veracruz, sendo recebidos por uma delegação do regente Almonte; no mês seguinte, o casal imperial chegou à Cidade do México.
O reinado de Maximiliano foi marcado por problemas e obstáculos à estabilidade. Em um campo ideológico, Maximiliano, um liberal, se aproximava mais das políticas do governo de Juárez e dos republicanos do que dos conservadores monarquistas que apoiavam seu regime. O grande ponto de tensão era a reversão das leis da reforma, sobretudo da nacionalização das propriedades da Igreja; os conservadores esperavam que Maximiliano revogasse essas medidas, ato que iria contra sua ideologia pessoal.