Neste Dia

Sebastião Curió

Político brasileiro

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Sebastião Curió Rodrigues de Moura (São Sebastião do Paraíso, 15 de dezembro de 1934 – Brasília, 17 de agosto de 2022), mais conhecido como Major Curió, Sebastião Curió e pelo nome de guerra Marco Antônio Luchinni, foi um militar (na patente de tenente-coronel da reserva), ex-pugilista, engenheiro, jornalista e político brasileiro. A alcunha Curió foi posteriormente anexada de maneira formal ao seu nome.

Como militar, foi destacado para o sul da Amazônia para combater o movimento armado da guerrilha do Araguaia, nas décadas de 1960 e 1970, durante a ditadura militar, onde foi figura de destaque no funcionamento da "Casa Azul", centro clandestino do aparato repressivo localizado em Marabá, responsável por torturas, assassinatos e ocultação de cadáveres. Ao fim do conflito, tornou-se liderança política na região.

Foi um dos fundadores da cidade de Curionópolis, a quem emprestou o radical do nome.

Filho de Heitor Rodrigues Pimenta e Antônia Moura Pimenta, nasceu em 15 de dezembro de 1934, em São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais. Seu pai era barbeiro e sua mãe comerciante de uma tradicional família do município.

Na década de 1940, fez seus estudos primários no Externato Santo Antônio, e; iniciou os secundários no tradicional Ginásio Paraisense, enquanto estagiava no Banco do Brasil de Paraíso.

Em 1952, dado os problemas de saúde de seu pai Heitor, a família muda-se para Ribeirão Preto, onde montam uma pequena pensão para estudantes. Seu pai morre no mesmo ano.

A partir desse momento, tenta várias formas de trabalho, indo desde jogador das categorias de base do Botafogo e do extinto Palmeiras de Ribeirão Preto, até trabalhar como jornalista no Diário de Notícias da Diocese de Ribeirão Preto. Concomitantemente estudava na Escola Estadual Guimarães Jr..

No ano de 1952 passa na prova da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), rumando para Fortaleza, onde havia uma unidade filial da escola. Foi ali que ganhou o apelido de "Curió". Os colegas de turma o viam lutando boxe para juntar dinheiro para si no tempo da EsPCEx, onde, segundo eles, o jeito de luta de Moura mais parecia um "passarinho Curió numa rinha". A alcunha Curió foi formalmente anexada ao seu nome quando elegeu-se prefeito.

Terminado o período na EsPCEx, Curió seguiu para a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, no Rio de Janeiro, onde formou-se oficial tenente, com especialização em engenharia. Preferiu servir em Lins, para ficar mais perto da sua até então namorada (posteriormente esposa), Maria de Lourdes, que ainda residia em Paraíso.

De acordo com estudos divulgados pelo Partido Comunista do Brasil, Curió foi o responsável pelo trabalho de inteligência militar no combate à guerrilha, utilizando informações obtidas de guerrilheiros capturados por meio de tortura. Foi também amparado pelo próprio governo vigente da época, que lhe forneceu uma identidade falsa, vez com o nome de Marco Antônio Luchinni, vez com os nomes de Paulo e Tibiriçá. Segundo sua documentação forjada era assistente técnico reconhecido pelo Ministério da Agricultura, além de também ter sido considerado repórter da Rede Globo na década de 1980.

A guerra suja deixava de ser uma ação ostensiva para cair na clandestinidade, comandada diretamente pelo Centro de Informações do Exército, o CIE. Aparece na história, então, um personagem que se tornaria célebre na região: Sebastião Curió. Major à época, Sebastião Rodrigues de Moura, com curso de especialização no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), do Comando Militar da Amazônia, ex-lutador de boxe, foi enviado ao Araguaia com o codinome de Marco Antonio Luchini, um engenheiro florestal dos quadros do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para montar uma operação de inteligência e aniquilar os últimos focos da guerrilha. Curió montou uma rede de informantes em toda a região do Araguaia. Sua estratégia mais bem sucedida foi a montagem de biroscas para o fornecimento de alimentos e munição ao longo do rio Araguaia, onde obtinha valiosas informações dos caboclos. Mais de uma vez os agentes do CIE recrutados por Curió em quartéis da própria Amazônia - pessoas com características físicas da região - venderam munição sabendo que era destinada aos guerrilheiros, para angariar a confiança dos lavradores. Dessa forma, sem pressa, Curió conseguiu identificar um a um todos os acampamentos da guerrilha, que passaram a ser atacados por pelotões especialmente treinados para aquele tipo de ação. Na operação mais destruidora, Curió conseguiu executar de uma só vez dois dos principais líderes da guerrilha: o comandante geral Maurício Grabois e Paulo Mendes Rodrigues, chefe do Destacamento C. Os dois foram surpreendidos na manhã do dia de Natal de 1973 no acampamento da Gameleira, próximo ao rio Araguaia, junto com Guilherme Lund, arquiteto, e Gilberto Olímpio, técnico industrial, genro de Grabois. Todos foram mortos. Mauricio Grabois, segundo comentou Sebastião Curió com outros militares que participaram da ação, estava praticamente cego.

Em 21 de junho de 2009 o jornal O Estado de S. Paulo noticia que o tenente-coronel aposentado abriu seu arquivo particular sobre a Guerrilha do Araguaia, afirmando que o Exército executara 41 guerrilheiros, e não somente 25, como se sabia até então. O lendário arquivo do militar teve notoriedade em 1982, quando o então ex-Presidente Médici afirmou que o agente "sabia de muita coisa".

O Pacto de silêncio firmado pelos oficiais vigorou por 30 anos, segundo O Estado de S. Paulo.

Interventor federal da Serra Leste

Em 1980, após servir no Centro de Informações do Exército (CIE) e no Serviço Nacional de Informações (SNI), Curió foi destacado para servir como interventor federal na área de Serra Leste. Esta era um extenso território do município de Marabá que compreendia o garimpo de Serra Pelada e as vilas do Trinta (posteriormente Curionópolis), Gurita da Serra e 100 (posteriormente Eldorado do Carajás). Sua nomeação se deu tanto por sua experiência na Guerrilha, quanto pela proximidade ao ex-presidente Ernesto Geisel.

O trabalho de Curió, sob a égide do SNI, se concentra, porém, na Serra Pelada, onde a intervenção por ele capitaneada, põe o Governo Federal como dono da área e define as regras que organizam a vida dos trabalhadores e sua circulação. Para tal, especializou a Serra em um grande campo de trabalho, com entrada permitida somente a homens com registro nos órgãos oficiais. A pequena vila do Trinta, após forte trabalho de urbanização, torna-se o refúgio das mulheres, famílias, além de pessoas ligadas a outras atividades econômicas não diretamente ligadas ao garimpo.

O regime por ele implantado na Serra Pelada era uma extensão daquilo que se observava na própria ditadura militar e uma continuação das táticas de combate da Guerrilha do Araguaia, formando uma tropa de "bate-paus". Os "bate-paus", antigos guias dos militares nas operações contra-guerrilheiras, serviam como força paramilitar de Curió.

A fama de Curió tornou-se tão grande, que os garimpeiros tratavam-no como "doutor", sendo também conhecido como "Imperador da Amazônia". Entre as lendas que o cercavam, estava a de que, em determinado ponto, quando o garimpo atingiu seu auge, Curió já não pisava mais em chão de terra, visitando a Serra Pelada somente sobrevoando a área.

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