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Saul Kripke

Filósofo e lógico norte-americano

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Saul Aaron Kripke (/ˈkrɪpki/; 13 de novembro de 1940 - 15 de setembro de 2022) foi um importante filósofo e lógico americano de tradição analítica. Natural de Omaha, Nebraska, foi ainda em vida considerado um dos maiores filósofos de seu tempo. Sua obra é muito influente em diversas áreas da filosofia, desde a lógica até à filosofia da mente, passando pela filosofia da linguagem. Foi professor emérito em Princeton e professor de filosofia na City University of New York (CUNY). Boa parte da sua obra é inédita, e circula na forma de gravações de áudio e cópias de manuscritos. Em 2001 ele recebeu o Prêmio Schock em Lógica e Filosofia.

Kripke é conhecido principalmente por quatro contribuições para a filosofia:

uma semântica para a lógica modal e outras lógicas relacionadas, publicadas quando ele tinha menos de vinte anos de idade

suas conferências Naming and necessity (O nomear e a necessidade), proferidas em Princeton em 1970 (publicadas em 1972 e 1980)

uma interpretação controversa de Wittgenstein

Dois dos primeiros trabalhos de Kripke (A Completeness Theorem in Modal Logic e Considerations on Modal Logic) influenciaram amplamente a lógica modal. As lógicas modais mais familiares são construídas de uma lógica fraca chamada K, em homenagem a Kripke.

Em Semantical Considerations on Modal Logic, publicado em 1963, Kripke responde a uma dificuldade da teoria clássica da quantificação. Toda a motivação para a abordagem relativa a mundos era refletir a ideia que objetos existentes em um mundo podem não existir em outro. Todavia, se as regras de quantificação padrão são utilizadas, cada termo deve referir a algo que existe em todos os mundos possíveis. Isso parece incompatível com nossa prática comum de usar termos para nos referirmos a coisas que existem apenas contingentemente, não necessariamente.

A resposta de Kripke a essa dificuldade foi eliminar termos. Ele deu um exemplo de uma interpretação relativa a um mundo que preserva as regras clássicas. Todavia, o custo para a solução do problema foi caro. Primeiro, sua linguagem foi empobrecida artificialmente. Segundo, as regras para a lógica modal proposicional devem ser enfraquecidas.

As conferências Naming and Necessity foram e continuam sendo muito influentes na filosofia. As principais contribuições das mesmas são:

Uma teoria do necessário a posteriori

Uma teoria do contingente a priori

Uma teoria antimaterialista do dualismo mente-corpo

As duas primeiras conferências de Naming and Necessity atacam as teorias descritivistas dos nomes próprios (naturais) defendidas, p.e., por algumas leituras possíveis de Gottlob Frege e Bertrand Russell—nas palavras de Kripke, à "concepção de Frege-Russell". Segundo tais teorias, nomes próprios referem-se a um objeto em virtude de esse objeto satisfazer uma descrição definida (teoria de Russell de que alguns - mas nem todos - nomes próprios são descrições abreviadas) ou um conjunto de descrições definidas (teorias como a de John Searle e Strawson) associadas ao nome próprio por falantes. Kripke apresenta alguns argumentos que, segundo ele, provariam a impossibilidade dessa tese. Um deles, conhecido como argumento modal, pode ser assim apresentado: a referência de um nome próprio se conserva ainda que descrições associadas ao nome se tornem falsas. p.e., ainda que descrições como "o autor da *Metafísica*", normalmente associada ao nome "Aristóteles", se revelassem falsas a respeito de Aristóteles (caso descobríssemos, p.e., que o autor da *Metafísica* foi um aluno brilhante de Aristóteles), ainda assim o nome "Aristóteles" se referiria a Aristóteles e não a quem quer que tenha escrito a *Metafísica*. No jargão de Kripke, "Aristóteles" é um designador rígido, isto é, um designador que designa o mesmo objeto em todos os mundos possíveis. Isso provaria, para Kripke, que, ainda que nomes próprios sejam associados por falantes a descrições, essas não tem nenhum papel a desempenhar na contribuição do nome à proposição expressa pela frase em que o nome figura.

Em substituição às teorias descritivas da referência, Kripke propõe o que por vezes se denomina teoria da cadeia histórica da referência. De acordo com essa teoria—ou, como Kripke prefere chamar em Naming and Necessity, "imagem" (picture)--, um nome refere a um objeto segundo as conexões que os atuais usuários do nome herdam daqueles que batizaram o objeto.

A teoria influenciou positivamente vários filósofos, entre eles:

John Searle figura entre aqueles que rejeitam a teoria.

Em 1973, Kripke apresentou as conferências filosóficas John Locke (John Locke Lectures) na Universidade de Oxford. Intituladas Referência e Existência, elas são, em muitos aspectos, uma continuação de Naming and Necessity. Seus tópicos principais são os nomes fictícios e o erro perceptual. Elas nunca foram publicadas. A transcrição está oficialmente disponível apenas como cópia de leitura na biblioteca da universidade, a qual não pode ser copiada ou citada sem a permissão de Kripke. Todavia, várias cópias circularam informalmente entre alguns filósofos. Sua influência, embora considerável, é difícil de ser mensurada. Dentre os filósofos que as leram, Gareth Evans foi talvez o mais visivelmente influenciado.

Na contramão de posições defendidas ao menos desde a Crítica da Razão Pura (primeira edição de 1781, segunda edição de 1787) de Immanuel Kant, Kripke mostra que nem toda proposição necessária é a priori, pois há proposições necessárias a posteriori.

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Saul Kripke | World in Stories