Netuno é um planeta do sistema solar, com 16 satélites naturais (14 são nomeados) conhecidos. O maior é de longe Tritão, descoberto por William Lassell em 10 de outubro de 1846, 17 dias após a descoberta do planeta. Mais de um século passou até a descoberta da segunda lua, Nereida. Os satélites de Netuno são nomeados a partir de personagens da mitologia grega ou romana relacionados com o oceano ou Netuno (Poseidon).
Ao contrário de todas as grandes luas dos planetas do Sistema Solar, Tritão é um satélite irregular, pois sua órbita é retrógrada em relação à rotação de Netuno e inclinada com o equador do planeta, o que sugere que tenha sido gravitacionalmente capturado por ele. O segundo maior satélite irregular no Sistema Solar, a lua de Saturno Febe, tem apenas 0,03% da massa de Tritão. Tritão é massivo o suficiente para obter equilíbrio hidrostático e manter uma fina atmosfera capaz de formar nuvens e névoa. Tanto sua atmosfera quanto sua superfície são compostas principalmente por nitrogênio com pequenas quantidades de metano e monóxido de carbono. A superfície de Tritão é relativamente jovem, e foi provavelmente modificada por processos internos nos últimos milhões de anos. A temperatura em sua superfície é de cerca de 38 K (−235 °C).
Dentro da órbita de Tritão há sete satélites regulares, que têm órbitas prógradas e pouco inclinadas com o equador de Netuno. Alguns desses satélites orbitam perto dos anéis do planeta. O maior desse grupo é Proteu. Netuno também tem seis satélites irregulares externos, incluindo Nereida, cujas órbitas são inclinadas e estão muito mais afastadas do planeta. Os dois satélites mais externos, Psámata e Neso, têm as maiores órbitas entre os satélites naturais conhecidos no Sistema Solar.
Tritão foi descoberto por William Lassell em 1846, apenas 17 dias depois da descoberta de Netuno. Nereida foi descoberta por Gerard P. Kuiper em 1949. A terceira lua a ser descoberta, Larissa, foi observada pela primeira vez por Harold J. Reitsema, William B. Hubbard, Larry A. Lebofsky e David J. Tholen em 24 de maio de 1981, quando eles estavam observando uma estrela perto de Netuno, em busca de anéis como os de Urano, descobertos quatro anos mais cedo.
Nenhuma outra lua foi achada até o sobrevoo de Netuno pela sonda Voyager 2 em 1989, que descobriu cinco luas internas: Náiade, Talassa, Despina, Galateia e Proteu. A partir de 2001, observações dos arredores de Netuno utilizando grandes telescópios terrestres permitiram encontrar cinco novos satélites, totalizando treze. Essas foram Halimede, Sao, Psámata, Laomedeia e Neso. Uma sexta lua foi também encontrada em 2002, mas não foi localizada posteriormente, possivelmente tratando-se de um asteroide centauro, embora seu movimento observado naquele curto período levantasse suspeitas de se tratar de fato de um satélite, cujo diâmetro seria de pouco mais de trinta quilômetros. Em 2013, uma análise de imagens tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble entre 2004 e 2009 levou à descoberta de Hipocampo, aumentando o total de luas confirmadas para catorze.
Satélites de Netuno recebem nomes de personagens da mitologia grega ou romana associados com o oceano ou com Netuno (Poseidon). Tritão recebeu o nome do deus marinho Tritão, filho de Poseidon. Ele não recebeu um nome oficial até o século XX. O nome "Tritão" foi sugerido por Camille Flammarion em seu livro de 1880 Astronomie Populaire, mas não entrou em uso comum até a década de 1930. Antes disso ele era conhecido simplesmente como "o satélite de Netuno". Nereida foi nomeada a partir de uma classe de seres aquáticos de mesmo nome, e as outras luas irregulares externas e Galateia receberam o nome de nereidas específicas. O nome das outras luas vem de personagens mitológicos associados com o oceano.
Dois asteroides compartilham o mesmo nome com luas de Netuno: 74 Galatea e 1162 Larissa.
Os satélites de Netuno podem ser divididos em dois grupos: regulares e irregulares. O primeiro grupo é composto pelos sete satélites internos, que seguem órbitas prógradas pouco excêntricas e inclinadas. O segundo grupo inclui todas as outras luas incluindo Tritão. As luas irregulares seguem órbitas mais distantes de Netuno, com uma alta excentricidade e inclinação; a única exceção é Tritão, que orbita perto do planeta com uma órbita quase circular, porém retrógrada.
Em ordem de distância a Netuno, os satélites regulares são Náiade, Talassa, Despina, Galateia, Larissa, Hipocampo e Proteu. Hipocampo é o menor satélite de todo o sistema netuniano, enquanto Proteu é o segundo maior. Observações pelo Telescópio Espacial Hubble, que levaram à descoberta de Hipocampo, podem excluir a presença de luas interiores a Proteu com mais de metade do brilho de Hipocampo, e de luas a até 200 000 km com mais de 30% do brilho de Hipocampo.
As luas internas estão associadas com os anéis de Netuno. Os dois satélites mais internos, Náiade e Talassa, orbitam entre o anel Galle e LeVerrier. Despina pode ser um satélite pastor do anel LeVerrier, uma vez que sua órbita se situa dentro do anel. O próximo satélite, Galateia, orbita dentro do anel mais proeminente, o anel Adams. Esse anel é muito estreito, com uma largura de até 50 km, e tem cinco brilhantes arcos. A gravidade de Galateia ajuda a confinar as partículas do anel em uma região limitada, mantendo o anel fino. Várias ressonâncias entre as partículas do anel e Galateia também podem ter tido um papel em manter os arcos.
Somente Larissa e Proteu foram fotografados com uma resolução suficiente para determinar a forma e características da superfície. Larissa, com cerca de 200 km de diâmetro, é alongado. Proteu não é muito alongado, mas não é esférico. Com cerca de 400 km de diâmetro, ele é maior que a lua de Saturno Mimas, que é esférica. Essa diferença pode existir devido a um rompimento colisional de Proteu no passado. A superfície de Proteu tem muitas crateras e mostra algumas formações lineares. Sua maior cratera, Pharos, tem mais de 150 km de diâmetro.
Todos os satélites internos de Netuno são objetos escuros: seu albedo geométrico varia entre 7 e 10%. Análises espectrais indicam uma composição de gelo de água e algum material muito escuro, provavelmente compostos orgânicos complexos. Nesse aspecto, eles são similares aos satélites internos de Urano.
Em ordem de distância a Netuno, os satélites irregulares são Tritão, Nereida, Halimede, Sao, Laomedeia, Neso e Psámata, um grupo que inclui objetos prógrados e retrógrados. As cinco luas mais externas são similares às luas irregulares dos outros planetas gigantes, e acredita-se que sejam objetos capturados gravitacionalmente por Netuno, ao contrário dos satélites regulares, que provavelmente se formaram na sua posição atual.
Tritão segue uma órbita retrógrada e quase circular, e possivelmente é um objeto capturado. Foi o segundo satélite conhecido no Sistema Solar a ter uma atmosfera significativa descoberta, que é composta primariamente por nitrogênio com pequenas quantidades de metano e monóxido de carbono. A pressão na superfície é de cerca de 14 μbar. Em 1986 a sonda Voyager 2 observou possíveis nuvens e névoa na fina atmosfera. Tritão é uns dos corpos mais gelados no Sistema Solar, com uma temperatura superficial de 38 K (−235,2 °C). Sua superfície é coberta por gelo de nitrogênio, metano, dióxido de carbono e água e tem um alto albedo geométrico de mais de 70%. O albedo de Bond é ainda maior, chegando a 90%. Acidentes geográficos incluem uma grande calota polar no sul, velhas planícies com crateras cortadas por grabens e escarpas, assim como formações recentes provavelmente geradas por processos endógenos como criovulcanismo. Observações da Voyager 2 revelaram vários gêisers na calota polar aquecidos pelo Sol, que lançam plumas a uma altura de 8 km. Tritão tem uma densidade relativamente alta de 2 g/cm3, indicando que rochas constituem cerca de dois terços de sua massa, e gelos (principalmente gelo de água) o terço restante. Pode haver uma camada de água líquida profunda no interior de Tritão, formando um oceano subterrâneo.