Sara Sofia Correia (Lisboa, 27 de maio de 1993) é uma fadista portuguesa, natural do bairro de Chelas. É sobrinha da cantora Joana Correia.
Sara Correia cresce numa família de fadistas. Aos 3 anos, idade com que já frequenta casas de fado, vê a tia, a cantora Joana Correia, vencer a Grande Noite do Fado — uma importante competição ao vivo, organizada pela Casa da Imprensa desde 1953 e transmitida em directo na televisão portuguesa (RTP).
Marvila, bairro de onde é natural, não tem casas de fado, mas, à sua porta, há uma importante escola de fado, canto e música, o Clube Lisboa Amigos do Fado, gerido por Armando Tavares, local de quase-peregrinação por onde passaram muitos outros artistas (Ana Moura, Ângelo Freire, Pedro Soares, etc.), e onde se «tiram tons» e se aprende. Aos 9, Sara bate à porta e pede para cantar. Assim começa o seu percurso como fadista.
Casas de fado e Grande Noite do Fado
Desde os 12 que canta em casas de fado, experiência de que não prescinde, tendo passado pela Mesa de Frades — onde se estreia profissionalmente —, Bacalhau de Molho, Fado em Si, Páteo de Alfama, entre outras.
Com apenas 13 anos ganha a Grande Noite do Fado, momento determinante que consolida a ideia de fazer do fado a sua vida.
Aos 15 anos, é convidada para integrar o elenco profissional da real Casa de Linhares, em Alfama, onde canta ao lado de Celeste Rodrigues, Maria da Nazaré e Jorge Fernando, artistas com quem diz ter aprendido muito.
Várias são as vozes e percursos que a inspiram: Amália Rodrigues, Celeste Rodrigues, Joana Correia, Fernanda Maria, Beatriz da Conceição, Lucília do Carmo e Hermínia Silva.
Em Portugal, para além das casas de fado, Sara já actuou no CCB, nos festivais Caixa Alfama e Caixa Ribeira, no Altice Arena, a título de exemplo. Os seus concertos têm enchido salas pelo país fora.
Em 2017, participa no filme Alfama em Si de Diogo Varela Silva (em fase de pós-produção), dando corpo à Severa (personagem histórica e símbolo do fado). O filme conta com um elenco de luxo, com nomes como Celeste Rodrigues, Camané, Ana Moura, Ricardo Ribeiro, entre outros.
Em 2018, é convidada pelo realizador francês Joël Santoni para cantar «O Grito», de Amália Rodrigues e Carlos dos Santos Gonçalves, na série de televisão Une famille formidable.
Apesar de ter gravado Destino, em 2008 — registo adolescente resultante da sua participação na Grande Noite do Fado —, a fadista considera que a sua estreia nos discos se dá com Sara Correia, álbum homónimo, lançado no dia 14 de setembro de 2018, produzido por Diogo Clemente (seu amigo de longa data) e editado com o selo da Universal Music Portugal (pela Wrasse Records no Reino Unido, Alemanha, França, Benelux e Japão).
Participam nele os músicos Ângelo Freire (guitarra portuguesa), o mestre Marino de Freitas (baixo), Vicky Marques (percussões), Ruben Alves (piano), André Silva (bateria) e Diogo Clemente (viola de fado e produção musical).
«Fado Português» e «Quando o Fado Passa», dois dos temas do disco, são escolhidos como cartões de visita e lançados antes do álbum (no dia 3 de setembro de 2018).
Do concerto de Sara na Praça do Município, em Lisboa, dias antes do disco aparecer nas lojas, diz-nos Miguel Branco, jornalista do Observador: «Caso para dizer que o fado não só passa como veio para ficar.»
O álbum entra directamente para o 8.º lugar do top de vendas em Portugal na primeira semana e vale-lhe duas nomeações (Melhor Álbum de Fado e Melhor Artista Revelação) na primeira edição dos prémios Play - Prémios da Música Portuguesa, iniciativa da associação PassMúsica, formada pela Audiogest e pela GDA —, e o Prémio Revelação da Rádio Festival.
A crítica nacional e internacional não lhe poupa elogios. Em Portugal é apelidada de «furacão do fado» e de «grande voz da nova geração».
Deste primeiro trabalho, a que atribui 4 estrelas, diz-nos Gonçalo Frota, jornalista do Público: «Sara Correia lança aos 25 anos um impressionante álbum homónimo assente em tradicionais. Diz que nasceu para isto. E é difícil de duvidar. […] É uma voz de soberbo ataque, imponente, de uma projecção que nos prende à cadeira se diante dela estivermos […], de charmosos graves amalianos e tão cheia de uma alma tradicional que não deixa grandes dúvidas quanto à verdade que lhe pulsa nas veias.»