Santarém (AFI: [sɐ̃taˈɾẽj]) é um município brasileiro do estado do Pará, sede da Região Geográfica de Santarém e o terceiro mais populoso do estado, atrás somente da capital paraense (Belém) e Ananindeua, sendo o principal centro urbano, financeiro, comercial e cultural do oeste do estado.
É também sede da Região Metropolitana de Santarém, o segundo maior aglomerado urbano do Pará. Pertence à mesorregião do Baixo Amazonas e a microrregião de mesmo nome. Situa-se na confluência dos rios Tapajós e Amazonas. Localizada a cerca de 800km das metrópoles da Amazônia (Manaus e Belém), ficou conhecida poeticamente como "Pérola do Tapajós".
Em 2025, sua população foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 360 871 habitantes, sendo então o terceiro município paraense mais populoso, o oitavo mais populoso da Região Norte e o 82º mais populoso município do Brasil. Ocupa uma área de 17.898,389 km², sendo que 97km² estão em perímetro urbano.
Fundada em 22 de junho de 1661, é uma das cidades mais antigas da região da Amazônia. Em 1758 foi elevada a categoria de vila e quase um século depois em consequência de seu notável desenvolvimento foi elevada a categoria de cidade em 24 de outubro de 1848. Está incluída no plano das cidades históricas do Brasil, sendo uma das mais antigas e culturalmente significativas cidades do Pará.
Por causa das águas cristalinas do Rio Tapajós, conta com mais de 100 quilômetros de praias que mais se parecem com o mar. É o caso de Alter do Chão, conhecida como "Caribe Brasileiro" e escolhida pelo jornal inglês The Guardian como uma das praias mais bonitas do Brasil e a praia de água doce mais bonita do mundo. Lá é o palco de uma das maiores manifestações folclóricas da região, o Sairé, que atrai turistas do mundo todo. Segundo dados de 2021, ostenta um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6,39 bilhões, sendo o sétimo município com maior PIB do estado.
O Município de Santarém possui duas cidade irmãs, sendo uma em Portugal, e a outra no Estado de São Paulo:
Santarém, Distrito de Santarém, Portugal (desde 1994)
São Vicente, São Paulo, Brasil (desde 2007)
O nome "Santarém" é uma homenagem dada pelos colonizadores lusos à cidade portuguesa homônima, famosa por suas regiões vinícolas, havendo mesmo uma variedade de uva trincadeira de formato oval chamada também Santarém. O nome de Santarém deriva por sua vez de homenagem a Santa Irene, mártir cristã de Portugal Visigodo que teria aí falecido.
Registros arqueológicos estimam que a presença humana na atual zona urbana de Santarém anteceda a chegada dos europeus em alguns séculos, aproximadamente no século X. Estes vestígios de elementos culturais são conhecidos como cultura arqueológica Santarém ou cultura arqueológica tapajônica.
Assim, a presença europeia na região da foz do rio Ipixuna (atual Tapajós) tem início com a expedição do espanhol Francisco de Orellana que, acompanhado de Gaspar de Carvajal e mais 50 homens, desceu o rio Amazonas, em meados de 1542, chegando às proximidades da foz do rio Ipixuna. A incursão realizada pela embarcação espanhola foi enfrentada por duas flotilhas de canoas de indígenas chefiados pelo Cacique Chipayo que saíram de um braço de rio. Apesar dos espanhóis terem sobrevivido ao ato de defesa das populações nativas, um do companheiros de Orellana morreu em menos de 24 horas, após ser ferido por uma flecha envenenada. Francisco de Orellana continuou sua expedição, porém, afastado das terras da foz do rio.
No ano de 1626, portanto, dez anos após a fundação de Belém, Pedro Teixeira junto a Frei Cristóvão, 26 soldados e numerosos índios exploravam o Rio Amazonas, quando se depararam com a aldeia de Tupuliçus na foz do Rio Tapajós e atracaram ali, onde se localiza a contemporânea localidade de Alter do Chão. A expedição foi bem sucedida sob o olhar colonial lusitano, pois os indígenas das etnias Tapajó e Urucucu (ou Aruryucuzes) que ali viviam já haviam entrado em contato com colonizadores europeus, principalmente espanhóis que passaram por ali gerando relações comerciais que mantiveram com as povoações que encontraram no caminho.
Da Aldeia dos Tapajós à Vila de Santarém (1661-1758)
Posteriormente aos contatos com os exploradores europeus, coube aos jesuítas a fundação de uma aldeia com fins missionários, no lugar onde o padre Antônio Vieira esteve no primeiro semestre de 1659.[carece de fontes?]
Assim, a contemporânea cidade de Santarém foi fundada então pelo padre luxemburguês João Felipe Bettendorff, vinculado à Ordem dos Jesuítas, em 22 de junho de 1661 sob o nome de "Aldeia dos Tapajós". Logo ao chegar, o religioso jesuíta construiu a primeira capela na região, chamando-a de Nossa Senhora da Conceição.
Durante a implantação desse núcleo urbano, os portugueses contaram com a interlocução de uma liderança indígena do povo Tapajó chamada de Maria Moaçara, filha da índia Anna com um português e viúva do chefe dos Tapajó, chamado de Principal Roque, ela gozava de prestígio social perante seu povo, ostentando entre os habitantes locais e, também perante as autoridades coloniais, o título de Principaleza dos Tapajós.
Em 1677, o padre jesuíta português Antônio Pereira ordena a destruição do Monhangarypy, um corpo mumificado de um antepassado mítico dos povos indígenas da região que constituía o principal local religioso do povo Tapajó que ainda restava desde a chegada dos colonizadores europeus no século XVII. A Principaleza Maria Moaçara, já convertida ao cristianismo, tenta intermediar com o padre uma solução amigável que não envolvesse a destruição do sítio religioso de seu povo, porém, não consegue obter êxito.
Na condição de aldeia mais populosa do rio Amazonas no século XVII, a Aldeia dos Tapajós era um ponto do qual partiam tropas militares portuguesas para guerrear com os povos indígenas da região, como o episódio militar ocorrido em 1686, quando os colonizadores portugueses, sob o comando do capitão-mor Hilário de Souza, arregimentaram uma tropa formada por indígenas Tapajó e Aruryucuzes, sob a chefia pelo capitão Orucará, que participaram em uma guerra contra os povos indígenas Aroaquizes e Carapitenas.