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Santa Catarina

Unidade federativa do Brasil

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Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situada no centro da região Sul do país. Possui como limites: ao norte, com o Paraná, ao sul, com o Rio Grande do Sul. A leste, com o Oceano Atlântico e a oeste, com a província argentina de Misiones. Compreende uma superfície de 95 730,690 km², comparável à de Portugal. Com uma população de 7,6 milhões de habitantes, comparada à do Laos, é o décimo estado mais populoso do Brasil. Sua capital é Florianópolis, segunda cidade mais populosa do estado, após Joinville. Além do Espírito Santo, Santa Catarina é um dos dois estados cuja capital não é o município mais populoso.

Conta com 295 municípios. Suas maiores cidades constituem Joinville, Florianópolis, Blumenau, São José e Itajaí. Constitui um dos estados brasileiros com relevo mais montanhoso. 52% do território se encontram acima de 600 metros de altitude. Uruguai, Canoas, Pelotas, Negro, do Peixe, Itajaí, Iguaçu, Chapecó e Tubarão constituem os rios mais importantes. Tem um clima subtropical úmido. Sua economia está alicerçada nos setores industrial (agroindustrial, têxtil, cerâmica, de máquinas e equipamentos), extrativista (mineral) e pecuarista.

A primeira expedição significativa a chegar a Santa Catarina foi a de Juan Díaz de Solís, em 1515. O litoral catarinense era habitado pelos indígenas carijós, do grupo tupi-guarani. O navegador deu o nome de “Baía dos Perdidos” às águas entre a Ilha de Santa Catarina e o continente por conta do naufrágio de uma embarcação no local. O território foi concedido a Pero Lopes de Sousa em 1534. Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, começou a ser criada pelo paulista Francisco Dias Velho, em 1675. A capitania foi emancipada de São Paulo em 1739. Dez anos depois, vieram os primeiros açorianos, trazidos pelo governador Silva Pais, que concedeu enorme estímulo à região. Foi invadida pelos espanhóis em 1777. No entanto, acabou sendo entregue no mesmo ano, como resultado do Tratado de Santo Ildefonso. A mais antiga colônia de imigrantes alemães foi criada em 1829. Santa Catarina foi palco de vários conflitos, principalmente da Revolução Farroupilha, que atingiu a província, no decorrer do período imperial. O descobrimento do carvão mineral em suas terras, ao término do século XIX, concedeu enorme estímulo ao progresso no sul do estado. Novas multidões de imigrantes alemães e também de italianos vieram para a região. Os colonizadores alemães e italianos se ocuparam das pequenas plantações e da vitivinicultura.

Os índices sociais do estado estão entre os mais altos do Brasil. Tem o mais elevado índice de expectativa de vida do país, possui a terceira menor taxa de mortalidade infantil e taxa de analfabetismo (empatado com São Paulo) e também é a unidade federativa com a mais baixa desigualdade econômica do Brasil. Santa Catarina possui o sexto maior PIB do país e o quinto maior PIB per capita. Com uma economia variada, fortes afinidades à industrialização e um importante polo de exportação e de consumo, é um dos estados que mais expandem na economia brasileira e que responde por 4,7% do produto interno bruto do país.

O nome do estado veio da ilha de Santa Catarina, cuja origem do nome ainda é debatida. A versão mais aceita é que foi assim nomeada pelo navegador italiano Sebastião Caboto em 1526, seja em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou a sua esposa, Catarina Medrano. Outras fontes mencionam que o nome foi dado pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho em homenagem a uma filha, de nome Catarina.

Seus habitantes naturais são denominados catarinenses ou barrigas-verdes. A procedência do termo é o colete utilizado pelos soldados das forças do militar português, Joaquim Francisco do Livramento. Estas tropas, em 1753, partiram de Santa Catarina para combater no Rio Grande do Sul e asseguraram ao Brasil a conquista desta capitania.

De procedência religiosa, o nome homenageia a santa padroeira do estado. Os romanos cultuavam uma divindade antiquíssima, Sancus, que não deixava violar as promessas e juramentos, mandando cumpri-las. Da sua denominação vem o verbo latino sancire, "consagrar". Sanctus, "santo, consagrado, o qual tem que, sobretudo, ser tratado com respeito" é o particípio passado do próprio verbo. Etimologicamente, o termo Catarina vem do grego ekaterina (εκατερινα), "puro, imaculado".

Pré-história e povos indígenas

Os vestígios mais antigos de presença humana no território de Santa Catarina foram encontrados próximos à Usina Hidrelétrica Foz do Chapecó, em Águas de Chapecó, e são datados de 11,7 mil anos. Os pioneiros na ocupação da região pertenciam às tradições Umbu e Humaitá. No litoral do estado, destaca-se, no pré-cabralino, a cultura dos sambaquis.

No século XVI, o litoral de Santa Catarina era habitado pelos indígenas carijós, enquanto o interior era habitado pelos caingangues e xoclengues. A partir de 1549, os jesuítas começaram a catequese dos ameríndios locais.

As expedições vindas de diversas nações europeias, sobretudo portuguesas e espanholas, desbravaram a costa catarinense a partir dos primeiros anos da descoberta do Brasil. Embora seja discutida a presença do francês Binot Paulmier de Gonneville em Santa Catarina em 1504, não há dúvidas sobre a expedição portuguesa de Nuno Manuel e Cristóvão de Haro, em 1514, que batizou a Ilha de Santa Catarina de Ilha dos Patos. Em seguida, várias outras expedições portuguesas e espanholas passaram pelo litoral catarinense, muitas na rota para o Rio da Prata, como a de Juan Díaz de Solís (1515), Rodrigo de Acuña (1525) e a de Sebastião Caboto (1526-7), que teria renomeado a Ilha dos Patos para Ilha de Santa Catarina. O Rei de Portugal, D. João III, concedeu as terras continentais para Pero Lopes de Sousa em 1534. No entanto, as terras ficaram desabitadas, exploradas por jesuítas, povoadores espanhóis e portugueses, porém, sem estabelecimento permanente de população, em todo o século XVI.

Desde o começo da colonização do Brasil, as terras do Sul do Brasil não despertaram muito interesse dos colonizadores portugueses, devido à ausência de metais preciosos e ao seu clima mais frio (visto que as geadas dificultavam o cultivo de cana-de-açúcar). Os portugueses só começaram a se interessar pela região em meados do século XVII.

A Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá foi fundada pelo Marquês de Cascais em 1656. Substituiu a Capitania de Santana, que teve início na foz da baía de Paranaguá e fim na atual cidade catarinense de Laguna. Tem como limites a de Santo Amaro (parte da segunda seção da de São Vicente) ao norte, as águas salgadas do oceano Atlântico a leste. E o Governo do Rio da Prata e do Paraguai a oeste. Estes estados extintos eram delimitados pelo Tratado de Tordesilhas.

A primeira povoação permanente em território catarinense foi Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, fundada em 1658 pelo português residente na Capitania de São Vicente Manuel Lourenço de Andrade e sua família e amigos. Em 1673, logo após se estabelecer na Ilha de Santa Catarina com a família, criado e escravos, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho fundou a povoação de Nossa Senhora do Desterro. Em 1676, o também paulista Domingos de Brito Peixoto fundou a povoação de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, a qual, no início do século XVIII, era a mais importante do litoral catarinense, com uma economia baseada numa agricultura rudimentar e na exportação de peixe seco para Santos e o Rio de Janeiro. No entanto, a abertura de uma estrada ligando as pastagens do Rio Grande do Sul ao Planalto Paulista em 1728 representou um sério abalo para Laguna, que perdeu sua posição proeminente de entreposto comercial e foco para a expansão para o sul.

Em 1738, foi criada a Capitania de Santa Catarina, vinculada à de São Paulo e sediada na vila de Nossa Senhora do Desterro, criada em 1726. Em 1739, a recém-criada capitania catarinense foi incorporada à do Rio de Janeiro e teve seu primeiro governador, José da Silva Pais.

Na década de 1740, por iniciativa de Alexandre de Gusmão, ministro do rei português D. João V, Portugal iniciou um projeto de colonização de povoamento no Sul do Brasil, visando garantir a posse do território disputado pelos espanhóis, recorrendo à imigração de portugueses dos Açores e da Ilha da Madeira para o litoral sulista. Um sistema defensivo insular foi implantado em Santa Catarina e, de 1748 a 1756, cerca de cinco mil imigrantes açorianos começaram a povoar a ilha e o litoral da capitania.

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