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Sanclerlândia

Município brasileiro no estado de Goiás

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Sanclerlândia é um município brasileiro no interior do estado de Goiás na região Centro-Oeste do país. Pertence à Região Geográfica Intermediária de São Luís de Montes Belos - Iporá e à Região Geográfica Imediata de São Luís de Montes Belos, localiza-se a oeste da capital do estado, estando cerca de 136 km de distância. Ocupa uma área de aproximadamente 509 km², sendo que 3,2 km² estão em perímetro urbano, e sua população de acordo com o censo do IBGE de 2022 é de 7 918 habitantes, sendo então o 116º município mais populoso do estado.

O começo do povoado se deu na metade do século XX, associado à migração de famílias mineiras, em especial à instalação comercial de Saint'Clair Rodrigues de Mendonça. O crescimento populacional, impulsionado pela posição geográfica estratégica, cruzamento rodoviário entre municípios, se deu pela consolidação comercial principalmente a partir da Marcha para o Oeste. A fundação de Sanclerlândia concretizou-se em 1963 após uma série de conflitos políticos com lideranças de Mossâmedes, cidade a qual pertencia anteriormente, e, com sua separação, a atividade econômica contribuiu para sua urbanização.

A tradição do jeep cross, um dos destaques culturais da cidade, consiste numa competição esportiva anual de velocidade, que atrai também diversos shows musicais. A instalação do campus da Universidade Estadual de Goiás caracteriza Sanclerlândia como a menor cidade do Brasil a possuir uma instituição de ensino superior.

A história de Sanclerlândia remonta à instalação da casa comercial de Saint'Clair Rodrigues de Mendonça, na década de 1930, numa região próxima à cidade de Goiás. O local, nomeado inicialmente de Alto e, em seguida, de Cruzeiro, foi ocupado por comerciantes advindos do oeste de Minas Gerais e do Triângulo Mineiro, que se fixaram às margens de uma estrada que conectava os municípios de Mossâmedes e Córrego do Ouro, e formaram o povoado do Barreirinho. Impulsionado pela construção de Goiânia, a região centro-sul do estado passou a receber inúmeros migrantes, os quais fundaram pequenos aldeamentos que se tornariam núcleos urbanos. No caso de Sanclerlândia, seu surgimento recua à transferência da família Rodrigues, de Capelinha do Chumbo, Patos de Minas, para o atual território da cidade, fundando uma habitação com função comercial como local de passagem e ponto de parada de caminhoneiros e viajantes.

Gradativamente, o povoado começou a ser habitado por outros indivíduos, em especial pela integração da região à Marcha para o Oeste, promovida pelo Estado Novo, e à localização estratégica de transição entre outros municípios. Com isso, o aldeamento logo presenciou a construção de uma escola, com apoio do governo federal, pela necessidade exigida por lideranças locais de uma instituição de ensino na região. A influência religiosa também se manifestou nos primeiros anos, com a realização de rituais católicos, com a inauguração de uma capela, a Igreja de São Sebastião, e um cemitério. A onda migratória mineira, acompanhada pela consolidação da esfera educacional, comercial e religiosa, portanto, foi fundamental para o crescimento do então povoado do Barreirinho e de aglomerados circundantes.

Na década de 1950, agora denominado povoado do Cruzeiro, a região foi marcada por uma série de conflitos políticos em torno da administração dos distritos próximos, o que provocou o fechamento da escola e o declínio populacional. Para evitar esse acirramento, este local conquistou, em 1953, autonomia política da cidade de Goiás e distribuiu-se nos municípios Mossâmedes, Córrego do Ouro e São Luís de Montes Belos. O povoado, dessa maneira, passou a integrar o território de Mossâmedes e voltou à situação anterior, com a reinauguração da instituição de ensino e de novas fontes de crescimento econômico, como a indústria de laticínio Flor Goiana. No entanto, surgiram divergências entre os habitantes do Cruzeiro e os grupos gestores da cidade e, paulatinamente, sua separação se concretizou: em 10 de dezembro de 1962, tornou-se distrito sob o nome de Sanclerlândia, em homenagem póstuma a Saint'Clair e, em 17 de novembro de 1963, pela lei estadual n.º 4897, é desmembrado e o município instalado em janeiro do ano seguinte.

A área do município é de 509,213 km², representando 0,1497% do estado de Goiás, 0,0317% da Região Centro-Oeste do Brasil e 0,0059% de todo o território brasileiro. Situa-se a 16°11'52" de latitude sul e 50°18'50" de longitude oeste e está a uma distância de 137 quilômetros a oeste da capital goiana, Goiânia. Seus municípios limítrofes são Mossâmedes a norte, São Luís de Montes Belos a sul, Anicuns a sudeste e Buriti de Goiás a oeste. De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vigente desde 2017, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de São Luís de Montes Belos-Iporá e Imediata de São Luís de Montes Belos. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, o município fazia parte da microrregião de Anicuns, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Centro Goiano.

O município faz parte da sub-bacia do Alto Araguaia que, por sua vez, está inserida na Bacia Hidrográfica Araguaia-Tocantins. A demanda de água gira em torno de 16 litros por segundo, e a captação e tratamento no município são realizados pela Companhia Saneamento de Goiás (Saneago), na estação de tratamento de água da cidade. O abastecimento é realizado unicamente pelo Ribeirão Cerrado, que atende apenas a Sanclerlândia.

O clima sanclerlandense é caracterizado como tropical com estação seca (Aw segundo classificação climática de Köppen-Geiger).

Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 7 550 habitantes, sendo que 3 843 habitantes eram do sexo masculino, correspondendo a 50,90%, enquanto 3 707 habitantes eram do sexo feminino, totalizando a 49,10% da população. Ainda segundo o censo brasileiro daquele ano, 6 068 pessoas viviam na zona urbana (80,37%), e 1 482 em zona rural (19,63%). De acordo com a estimativa para o ano de 2019, a população ampliou-se a 7 637 habitantes, sendo o 121º mais populoso de Goiás. Apresenta, consoante essa estimativa, uma densidade populacional de 14,99 habitantes por km².

Da população total em 2010, 1 586 habitantes (21,01%) tinham menos de 15 anos de idade, 5 245 habitantes (69,47%) tinham de 15 a 64 anos e 719 pessoas (9,52%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Sanclerlândia é considerado alto, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no ano de 2010. Seu valor era de 0,736, sendo então o 25º maior de todo o estado de Goiás e o 876º maior do Brasil. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,53, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.

Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano com a autodeclaração de cada sanclerlandense, a população era composta por 3 774 brancos (49,99%), 3 267 pardos (43,27%), 389 negros (5,15%), 89 amarelos (1,18%) e 31 indígenas (0,41%). Considerando-se a região de nascimento, 6 430 eram nascidos no Centro-Oeste (85,17%), 834 no Sudeste (1,47%), 135 no Nordeste (1,79%), 119 no Norte (1,58%) e 21 no Sul (0,28%). 6 352 habitantes eram naturais do estado de Goiás (84,13%) e, entre os 1 198 naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com 819 pessoas (10,85%), seguido pela Bahia, com 60 habitantes residentes no município (0,80%). De acordo com dados do censo de 2010, a população municipal está composta por católicos (56,49% do total), evangélicos (31,54%), pessoas sem religião (8,07%), espíritas (0,20%) e 3,70% divididos entre outras religiões.

A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O poder executivo do município de Sanclerlândia é representado pelo prefeito, consoante determinação da Constituição Brasileira de 1988. O atual é Itamar Leão do Amaral, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), reeleito em 2020 com 3 299 votos (62,33% dos votos válidos), ao lado de José Lagares da Cruz (PSDB) como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores eleitos para mandatos de quatro anos. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo, conhecido como Lei de Diretrizes Orçamentárias.

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