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Samora (Espanha)

Cidade em Castela e Leão, Espanha

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Samora (em castelhano: Zamora, forma também com uso em português; pronúncia espanhola: [θaˈmoɾa]; também grafada em asturo-leonês como Zamora ou Çamora) é um município e cidade espanhola situada na província homónima, pertencente à comunidade autónoma de Castela e Leão. Tem 149,28 km² de área e em 2021 tinha 49.275 habitantes (densidade: 403,9 hab./km²).

O casco histórico da cidade é classificado como conjunto histórico-artístico desde 1973. O seu núcleo principal – com uma disposição muito alargada e rodeada na sua maioria por muralhas – alça-se sobre uma ampla planície rochosa de 26 a 32 metros de altura, situada à beira do rio Douro, que limita com a cidade a sul. Estas características levaram a que fosse alcunhada de «a bem cercada».

A cidade é integrada por um importante conjunto de edifícios românicos, formado pelos 23 templos do município e pelas 14 igrejas do casco histórico, a que possui o maior número e qualidade de templos românicos em toda a Europa; quinze deles considerados Bem de Interesse Cultural. A este espólio arquitetónico juntam-se a sua catedral, outras 24 igrejas, um castelo, muralhas, uma ponte, dois palácios e nove casas, daí que seja conhecida como «a cidade do românico». Por outro lado, é também significativo o conjunto de edifícios modernistas – 19 no total – apenas equiparado por Teruel em todo o interior espanhol. As celebrações da Semana Santa na cidade foram declaradas de Interesse Turístico Internacional e Bem de Interesse Cultural.

Samora é o lar de diversas instituições autonómicas e internacionais, entre elas o Museu Etnográfico e o Conselho Consultivo de Castela e Leão, e a fundação de cooperação transfronteiriça Fundação Rei Afonso Henriques.

O município de Samora ocupa uma área de 149,28 km². É a capital de província situada à menor altitude da Meseta Norte e é-no também da província homónima, pertencente à Comunidade Autónoma de Castela e Leão. Localiza-se no tramo médio do rio Douro, com uma configuração longitudinal ao longo do mesmo, na extensa região que forma a Meseta Norte e a parte da Meseta Central situada a norte do Sistema Central, na zona noroeste da Península Ibérica. Apresenta uma paisagem plana, com escassa vegetação decorrente do seu clima mediterrânico com rasgos de continentalidade.

A parte oriental está situada no vale do rio e atua como fronteira entre as comarcas da Terra do Pão e da Terra do Vinho, situadas a norte e a sul, respetivamente. A parte ocidental é onde o perímetro urbano se separa do rio para continuar para norte, aqui servindo de fronteira entre as comarcas de Terra de Alba e Saiago.

O núcleo principal do casco urbano – com uma disposição muito alargada e rodeada na sua maioria por muralhas – alça-se sobre uma ampla meseta rochosa (a peña tajada referida no Romancero Viejo) de 26 a 32 metros de altura, situada na margem do rio Douro, que a limita a sul, e da qual deriva a sua alcunha. A altitude é de 652,6 msnm.

No município existem duas zonas claramente diferenciadas. A primeira delas é constituída pelos vales dos rios Douro e Valderaduey, situados a leste. Não apresentam diferenças de relevo, mantendo-se na cota dos cerca de 630 msnm, à exceção da meseta rochosa conhecida como as Penhas de Santa Marta, com encostas de alguma pendente e cota superior aos 650 metros. Nesta meseta, enquadrada entre o Douro e o antigo leito do Valderaduey, foi onde se instalaram os primeiros povoadores da cidade.

A outra é a constituída pelas terras altas e planícies áridas da meseta. Crescem ligeiramente em altura quanto mais a oeste, passando dos 650 msnm nos Terraços de São Lázaro aos 800 no extremo ocidental do município, nas redondezas da barragem de Ricobaio. A sul do Douro formam um contínuo desde as zonas de campo até ao Carrascal, dividido pelo vale do arroio da Fresneda. Nesta zona aparecem montes com ladeiras de pendentes pronunciadas, entre os quais se destacam Cabeça Falcão (719 m) sobre o arroio de Zape; Voo Grande (734 m), sobre o arroio da Fresneda; Tres Rayas (741 m), sobre o Douro, e o Monte das Víboras, de 825 m., na margem da barragem de Ricobaio, que constitui o ponto mais alto do município.

A rede hidrográfica de Samora tem como eixo vertebrador o rio Douro, que atravessa o município de leste a oeste. A ele juntam-se os seus afluentes, Valderaduey e Esla, se bem que este apenas aparece no extremo oeste do município. Existem também vários arroios, apesar de sua importância hidrológica ser bastante reduzida. Entre estes, destacam-se o Valderrei, Fresneda, os dois da margem direita, e o Zape pela esquerda. Por esta última existem também o arroio Mourisco e o de Rabiche, ambos de percurso bastante curto e nos quais a ação antrópica alterou o seu aspeto natural, assemelhando-se a acéquias. A entrada do Douro no município é enquadrada por uma veiga de grande regadio com uma densa rede de canais e acéquias.

O município conta com várias espécies arbóreas e arbustivas, bem como cultivos de sequeiro na peneplanície e de regadio nos vales dos cursos fluviais, sendo um território pobre desde um ponto de vista produtivo.

Entre as espécies arbóreas contam-se a azinheira, o pinheiro-manso e a carvalhiça. A zona de maior abundância destas espécies é na região oeste-noroeste, a de maior altitude do município e, por isso, onde estas se veem menos afetadas pela inversão térmica, bem como pela aridez menor. Aparecem também exemplares de sobreiros e carvalhos-negrais.

A azinheira é a espécie mais abundante no termo municipal, especialmente na peneplanície. A sua importância económica pressupôs a sua sobrevivência ao longo do tempo, apesar da alteração do seu aspeto natural, podada em forma de candelabro (técnica referida também como olivarla) com o fim último do aproveitamento das suas bolotas e madeira. Por outro lado, o aproveitamento pecuário e o uso dos montes para o cultivo e produção de pastos gerou montes ocos e degradados.

O pinheiro-manso concentra-se sobretudo na envolvente do arroio da Fresneda, formando um monte extenso mas não cerrado, associado à azinheira e com um matagal denso de esteva e lavanda.

A carvalhiça possui uma presença importante, localizando-se em pastos, terrenos de cultivo com árvores esparsas, bem como nalguns montes. Assim, existem pequenas quantidades de uma espécie alóctona, o pinheiro-de-alepo, empregue para reflorestamento no vale de Valorio e no arroio de Zape.

Quanto à vegetação ribeirinha, assinala-se que no rio Douro não se dá o bosque de galeria, mas apenas pequenas massas de árvores, especialmente choupos, nas quais existem também salgueiros e amieiros. Por outro lado, nos arroios e riachos da peneplanície destacam-se as fresnedas, nas quais aparecem também amieiros e choupos.

Quanto ao matagal, constitui a maioria da vegetação existente no município, e nalgumas ladeiras pendentes para os rios Douro e Esla é exclusiva. O carrascal é de longe a formação arbustiva mais destacada, graças à sua boa adaptação ao frio, à aridez, e aos solos pobres em nutrientes. Também se dá o esteval, que aparece em montes degradados e terrenos de cultivo esgotados e abandonados.

Na envolvente do Douro existe uma fauna aquática e ornitológica ligada a este, e nos distintos pastos existem várias explorações de animais com espécies adaptadas à envolvente.

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