Salvador Correia de Sá y Benevides, o Moço (Cádis, 1602-1688) foi um militar do império ultramarino português que, durante a Guerra da Restauração, ao serviço do reino de Portugal, se destacou no comando da frota que, em 1647, reconquistou Angola e São Tomé e Príncipe, terminando a ocupação holandesa da armada de Witte de With.
Foi por três vezes governador da capitania do Rio de Janeiro (1637-1642, 1648 e 1659-1660); governador da capitania do Sul do Brasil (1659-1662); governador de Angola (1648-1651) e Almirante da Costa do Sul e Rio da Prata com superintendência em todas as matérias de Guerra; administrador de todas as Minas do Brasil e Conselheiro dos Conselhos de Guerra e Ultramarino. Foi igualmente alcaide-mor do Rio de Janeiro, comendador de São Salvador de Alagoa e São Julião de Cássia na Ordem de Cristo. No seu túmulo se refere ao facto de ser também senhor do Couto de Pena Boa e das vilas de Fanquinhas, Arrepiado e de Asseca.
Recebeu o grau de cavaleiro da Ordem de São Tiago (1618) e da referida Ordem de Cristo.
Foi impressa uma série de notas de 20, 50, 100 e 500 angolares de Angola com a sua imagem.
Descendente de dois proeminentes militares do governo ultramarino com raízes do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá y Benevides nasceu em Cádis, em 1602, filho de Martim de Sá (1575) e Maria de Mendoza y Benevides. Salvador Correia de Sá e Benevides era neto de Salvador Correia de Sá, "o Velho".
Entre 1614 e 1615 Salvador Correia de Sá e Benevides fez a primeira visita ao Brasil em expedição organizada por seu avô Salvador Correia de Sá onde também se encontrava o seu pai Martim de Sá, todos com o objetivo de encontrar metais preciosos na capitania de São Paulo. Já em 1618 o jovem Salvador Correia de Sá estava em Lisboa na companhia de seu avô e seu pai, onde ele foi nomeado comandante da guarnição do Rio de Janeiro, adjacências costeiras, como também aldeamentos, em 22 de fevereiro de 1618. Neste mesmo ano, ele foi agraciado com o título de cavaleiro da ordem de São Tiago, muito embora não tivesse os 21 anos requisitados por lei para receber tal titulo.
Ainda em 1618 Martim de Sá e Salvador Correia de Sá e Benevides já haviam retornado para o Rio de Janeiro, onde registros histórico de um barco de navegadores da galícia (Bartolomé e Gonzalo Nodal) os descreveu como pessoas muito ricas e respeitadas pelos demais habitantes da comunidade.
Durante os anos que se seguiram, Martim de Sá, seu irmão Gonçalo de Sá, e Salvador Correia de Sá e Benevides trabalharam na fortificação da costa de Janeiro e São Paulo, e estiveram a frente da administração das minas de São Paulo. Muito provavelmente foi no ano de 1623 que Salvador Correia de Sá e Benevides comandou um comboio de 30 navios carregados de açúcar que partiaram de Pernambuco com destino ao Tejo. A viagem foi bem sucedida em 1624 há registro de Salvador Correia de Sá e Benevides em Portugal.
Ascensão militar combatendo os holandeses
O contexto beligerante da época entre os reis espanhóis e as províncias unidas (Holanda) colocou as colônias do Brasil na reta do conflito mundial pelo controle comercial do Atlântico. Durante a dominação ibérica do Brasil, A Holanda manteve importância no comércio local por meio do contrabando, e durante a trégua entre Holanda e Espanha, as colônias do Brasil exportaram para a Holanda entre 40 e 50 mil caixas de açúcar por ano.
Em 1623, Amsterdã logrou organizar uma frota de 26 navios, 3300 homens de equipagem e 450 "bocas de fogo" para a invasão de Salvador, o que fazia parte do plano que com o domínio de Recife possibilitaria a conquista de quase 800 léguas de área costeira brasileira. A invasão de Salvador, então governada por Diogo de Mendonça Furtado, se deu no dia 8 de maio de 1625, com frustração inicial do plano holandês do comandante Piet Heyn, que contornaram as dificuldades incendiando uma frota de embarcações portuguesas ancoradas, e realizando a com homens em terra pela noite, ocorrência que se deu com pouca resistência pesasse o esforço do governador para manter mobilizada em luta a população que não obstante a pressão dos invasores, ela estava bem armada e tinha condições de resistir. Contudo, a população fugiu acompanhando o bispo D. Marcos Teixeira, que com o seu exemplo legitimou o pânico contagioso e promoveu o recuo da população para fora de Salvador. No dia 10 de maio, os holandeses concluíram a conquista de Salvador com apenas 50 perdas de combatentes para o seu lado, com a rendição de Diogo de Mendonça Furtado e mais 15 oficiais e soldados que restaram defendendo o edifício do governo. A conquista de Salvador pelos holandeses alertou Filipe IV e e a corte portuguesa do risco iminente que uma base holandesa em Salvador significaria para a segurança do tráfego Atlântico, promovendo um esforço conjunto de ambos os lados da União Ibérica para expulsar o invasor. A organização da armada portuguesa de defesa do Brasil se dividia desigualmente entre Recife e Rio de Janeiro, estando a capitania do Rio de Janeiro protegida por um único navio e 80 homens, comandado por Salvador Correia de Sá e Benevides, que partiu de Lisboa para este destino no dia 19 de agosto de 1624. Desembarcado no Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, com o apoio de seu pai, o governador Martim de Sá, desceu para São Vicente, onde arregimentou parte dos 100 índios e 80 homens brancos para compor as tropas de defesa do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 1625, Salvador Correia de Sá partiu com 2 caravelas e 6 embarcações grandes de guerra para o Espírito Santo, onde se defrontou em março de 1625, próximo do rio Espíriso Santo, com 4 navios holandeses de Piet Heyn que fazia viagem de retorno de São Paulo de Luanda onde fracassou da missão de conquistar o entreposto português de comércio de escravizados e de lá retornava para o Espírito Santo com o objetivo de conquistar a capitania, o que lhe foi frustrado pela defesa bem sucedida do donatário da capitania do Espírito Santo Francisco de Aguiar Coutinho e Salvador Correia de Sá e Benevides, que contava com um canhão bem posicionado e dezenas de indígenas aldeados por jesuítas, que eram mestres em arco e flecha. O combate concluiu com um pedido de armistício por Piet Heyn, que fugiu velejando para o norte. Em abril, Salvador Correia de Sá e Benevides alcançou a Baía de Todos os Santos, onde auxiliou na fortificação do mosteiro de São Bento, retornando ao Rio de Janeiro em seguida.
Entre 1627 e 1628 Salvador Correia de Sá e Benevides visitou Madri, onde foi recompensado por sua campanha militar com o posto vitalício de "Alcaide-mor" da capitania do Rio de Janeiro, posto que o dava competências militares sob o governo das fortificações da cidade e sobre a apreensão de embarcações.
Em 1630, desceu o rio Tietê com o bandeirante André Fernandes.
Nomeado por Filipe III "Almirante da Costa do Sul e Rio da Prata", foi chamado a dominar um levante dos Paiaguás e dos Guaicurus.
Tendo sido nomeado, pelo mesmo monarca, ‘mestre de campo general’ das tropas coloniais espanholas, combateu os índios de Chaco e da província de Tucumã, na região platina (1631).
Em 1632, dominou os Calchaquis em San Miguel de Tucumán.
Em 1641, após a restauração da Independência Portuguesa, aclamou o rei dom João IV de Portugal, o que lhe custou muitos bens que possuía em Espanha e na colónia do Peru. De regresso a Portugal, em 1643 foi nomeado almirante das frotas do Brasil e membro do Conselho Ultramarino. Em 1647, comandou a frota que reconquistou Angola e São Tomé e Príncipe para Portugal, para resolver a questão da ocupação holandesa em África, sendo nomeado governador de Angola. Em 1662, superou a chamada Revolta da Cachaça, no Rio de Janeiro.
Em decorrência desse conflito foi destituído do cargo de governador (1662) e substituído por D. Pedro de Melo. Retornou a Portugal em 1663 e tomou assento no Conselho Ultramarino. Tomou parte das disputas palacianas que afastaram D. Afonso VI e levaram D. Pedro II à regência, em 1667. Condenado ao degredo de dez anos na África, acabou por reverter tal decisão, mas foi afastado da Corte e permaneceu recluso no colégio jesuíta de São Roque até recuperar seu cargo no Conselho Ultramarino.