Salgueiro é um município brasileiro localizado no interior do estado de Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil. Situa-se a oeste da capital estadual, Recife, a aproximadamente 512 quilômetros de distância. O território municipal possui área de 1.733,7 km², dos quais 6,75 km² correspondem ao perímetro urbano. Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município possuía população de 62.732 habitantes.
A sede municipal apresenta temperatura média anual de 24,2 °C. A vegetação original e predominante do município é a Caatinga. Cerca de 80,7% da população reside na zona urbana, Em 2009, Salgueiro contava com 52 estabelecimentos de saúde. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é de 0,669, valor classificado como médio em relação ao índice estadual. A economia local baseia-se principalmente nos setores de serviços e da indústria, que concentram a maior parte de geração de renda.
A área onde atualmente se localiza o município foi originalmente habitada por povos indígenas da etnia Cariris. Posteriormente, a região passou a ser ocupada por colonos oriundos do sul do estado do Ceará, atraídos pela fertilidade dos solos e pela disponibilidade de recursos naturais. Em 1835, Manuel de Sá Araújo mandou construir uma capela dedicada a Santo Antônio, em cumprimento a uma promessa religiosa. A obra foi iniciada no ano seguinte ao reaparecimento de seu filho, que havia desaparecido nas terras da fazenda, permanecendo por três dias perdido na caatinga, sendo encontrado sob um salgueiro. A partir da construção da capela, trabalhadores passaram a fixar residência nas proximidades, dando origem ao primeiro núcleo de povoamento do município.
Salgueiro é conhecida como a "Encruzilhada do Nordeste", em razão de sua localização geográfica estratégica na região, sendo considerada aproximadamente equidistante da maioria das capitais nordestinas. O município constitui o principal centro urbano do Sertão Central pernambucano, exercendo influência regional, especialmente nas atividades comerciais e de prestação de serviços. Em seu território localiza-se o centro operacional da Ferrovia Transnordestina, que interliga o Porto de Suape, em Pernambuco, ao cerrado do Piauí e ao Porto do Pecém, no Ceará.
O município é atravessado pelos canais da Transposição do rio São Francisco, responsáveis pelo transporte de água para o estado do Ceará, o sertão da Paraíba e o Rio Grande do Norte., algueiro também é cortado pelas rodovias federais BR-116, que o conectam ao eixo Rio–São Paulo e a outros importantes centros urbanos do país, e pela BR-232, que estabelece ligação com a capital pernambucana.
As terras que atualmente compõem o município de Salgueiro apresentam registros de ocupação humana há milhares de anos, evidenciados por sítios arqueológicos com pinturas rupestres, como o Sítio Letras e áreas localizadas em Conceição das Crioulas. À época da chegada dos colonizadores europeus, a região era habitada por povos indígenas da etnia Cariri, que reuniam diversos grupos e resistiram à expansão do domínio colonial português.
Durante o período colonial, grande parte das terras do interior nordestino foi concedida pela Coroa Portuguesa à Casa da Torre, complexo fundiário pertencente à família de Garcia d’Ávila, sediado na Bahia. A partir dessas concessões, a ocupação do território foi organizada por meio do sistema de sesmarias, estendendo-se do litoral baiano ao Cariri cearense, passando pelo Sertão Central de Pernambuco.
A ocupação do Sertão ocorreu no contexto da expansão da pecuária extensiva. Fazendeiros portugueses, cristãos novos e descendentes empobrecidos ou mestiços de famílias do litoral solicitaram sesmarias aos grandes donatários, estabelecendo currais de criação de residências fortificadas, como forma de proteção contra conflitos com populações indígenas. Em torno dessas propriedades surgiram pequenos núcleos habitacionais formados principalmente por vaqueiros mestiços responsáveis pelo manejo de grandes rebanhos.
A região do Cariri atraiu proprietários dedicados ao cultivo da cana-de-açúcar e à produção de rapadura. Ao longo do rio São Francisco, espalharam-se fazendas de criação de gado, cujos produtos - especialmente carne e couro - eram transportados para o litoral por boiadeiros ou por via fluvial. Com o passar do tempo, grupos de fazendeiros oriundos do Vale do São Francisco passaram a se estabelecer na parte sul do atual território municipal.
Paralelamente à ocupação colonial, formaram-se comunidades de origem africana na região. Destacam-se os remanescentes de quilombos, como Conceição das Crioulas, fundado por mulheres negras de origem africana que fugiram da escravidão. Outros grupos de população negra, formados por escravizados ou indivíduos acolhidos em propriedades rurais, estabeleceram-se em diferentes áreas, contribuindo para a formação social e cultural local. Muitos desses indivíduos atuaram como vaqueiros e introduziram técnicas construtivas em barro e madeira, como casas de taipa e cercas de pau-a-pique, amplamente difundidas na região.
Grupos remanescentes dos povos Cariri, associados a populações negras foragidas e a indivíduos marginalizados pelo sistema colonial, resistiram à ocupação de suas terras por décadas. Essa resistência resultou em confrontos armados, como o episódio conhecido como Massacre de Ouro Preto, além de deixar registros na toponímia local, com denominações de fazendas como Trincheira e Contendas. Ao longo do processo de ocupação, parte da população indígena foi incorporada às comunidades locais, contribuindo para a miscigenação que caracterizou a formação social do Sertão.
Pesquisadores apontam ainda que, ao longo dos séculos XVIII e XIX, indivíduos de origem europeia integraram-se às famílias locais por meio de alianças matrimoniais, consolidando redes sociais, econômicas e políticas que influenciaram a organização territorial e a estrutura fundiária da região.
O município de Salgueiro está localizado na Mesorregião do Sertão Pernambucano, e na Microrregião de Salgueiro no Estado de Pernambuco.
No cruzamento das BRs 232 e 116, o município de Salgueiro está no coração do Nordeste, tendo uma localização estratégica do ponto de vista logístico. Tem fácil acesso e é equidistante da maioria das capitais nordestinas, com média de 596 quilômetros - à exceção de São Luís, Maranhão, que fica a 1.078 quilômetros -, estando a apenas 518 quilômetros do Recife, do Porto de Suape e da rota da Ferrovia Transnordestina.
Salgueiro também está próxima de outras cidades médias do interior nordestino, como Petrolina - PE, Juazeiro - BA, Juazeiro do Norte - CE e Feira de Santana - BA.
Servida por boas rodovias, tem ligação fácil com o Sul e Sudeste do país, através de uma das principais rodovias do Brasil, a BR-116, que também dá acesso às BR's 101 e 316.
O município localiza-se na unidade geoambiental da Depressão Sertaneja. Apresenta uma variação de plano e montanhoso. Esse relevo e clima variado faz com que a região seja caracterizada tanto por áreas de sequeiro com chuvas escassas e mal distribuídas, vegetação caatinga xerófita e rios temporários, como por áreas de altitude com temperatura amena e bons índices pluviométricos e floresta caducifólia.
O clima de Salgueiro é o semiárido, do tipo Bsh'. Com verão quente e chuvoso, com máximas entre 26 °C e 34 °C, e mínimas entre 18 °C e 23 °C. O inverno é seco e ameno, com máximas entre 25 °C e 29 °C, e mínimas entre 15 °C e 19 °C.