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Saddam Hussein

Político e estadista iraquiano, 5.º presidente do Iraque de 1979 a 2003 (Nascido em 1937–2006)

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Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti (em árabe: صدام حسين; Ticrite, 28 de abril de 1937 — Bagdá, 30 de dezembro de 2006) foi um político e estadista iraquiano, que serviu como presidente do Iraque de 16 de julho de 1979 a 9 de abril de 2003, e também acumulou o cargo de primeiro-ministro nos períodos de 1979 até 1991 e 1994 até 2003. Hussein foi uma das principais lideranças ditatoriais no mundo árabe e um dos mais proeminentes membros do Partido Socialista Árabe Ba'ath, e mais tarde, do Partido Ba'ath baseado em Bagdá, a qual expôs uma mistura de nacionalismo e socialismo árabe; Saddam teve um papel chave no golpe de 1968 que levou o seu partido a um domínio de longo prazo no Iraque.

Como vice-presidente do enfermo General Ahmed Hassan al-Bakr e numa época em que muitos grupos eram considerados capazes de derrubar o governo, Saddam criou forças de segurança através do qual controlou rigidamente o conflito entre o governo e as forças armadas. No início dos anos 1970, Saddam nacionalizou o petróleo e outras indústrias. Os bancos estatais foram postos sob seu controle, deixando o sistema eventualmente insolvente, principalmente devido à Guerra Irã-Iraque, a Guerra do Golfo e as sanções da ONU. Até o fim da década de 1970, Saddam cimentou a sua autoridade sobre os aparatos de governo com os lucros obtidos do petróleo que ajudou a economia do Iraque a crescer a um ritmo rápido. As posições de poder no país foram preenchidas com os sunitas, a minoria que compunha apenas um quinto da população.

Saddam subiu formalmente ao poder no Iraque em 1979, embora ele já fosse o de facto chefe de governo do país por anos naquela altura. Saddam reprimiu diversos movimentos, particularmente de xiitas e curdos que pretendiam derrubar o governo ou ganhar independência, respectivamente, permanecendo no poder por duas décadas e meia, sobrevivendo ainda ao Conflito Irã-Iraque e a Primeira Guerra do Golfo. Enquanto alguns o veneravam por sua oposição aos Estados Unidos e ataques contra Israel, ele foi amplamente condenado pela brutalidade de sua ditadura. Grupos de direitos humanos apontam que mais de 250 mil iraquianos foram mortos durante as duas décadas do seu regime, através de expurgos e genocídios. Este número não inclui os milhares de iraquianos que morreram como consequência das invasões de Saddam contra o Irã e o Kuwait.

Em março de 2003, uma coalizão de países liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido invadiu o Iraque para depor Saddam, depois que o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusou o líder iraquiano de possuir armas de destruição em massa e de ter ligações com a Al-Qaeda. O Partido Baath de Saddam foi dissolvido, e a nação fez uma transição para um sistema democrático. Após sua captura em 13 de dezembro de 2003 (na Operação Red Dawn), o julgamento de Saddam ocorreu sob o governo interino iraquiano. Em 5 de novembro de 2006, ele foi condenado por acusações relacionadas ao assassinato de 148 xiitas iraquianos em 1982 e foi condenado à morte por enforcamento. A execução de Saddam Hussein foi realizada em 30 de dezembro de 2006.

Saddam Hussein nasceu na aldeia Al-Awja, pertencente à cidade muçulmana sunita de Ticrite, situada a 150 quilômetros de Bagdá. Nascido em uma família de pastores pobres do grupo tribal al-Begat, um sub-grupo da tribo Al-Bu Nasir (البو ناصر); sua mãe, Subha Tulfah al-Mussallat, nomeou seu filho recém-nascido como "Saddam", que em árabe significa "aquele que confronta". Nunca conheceu seu pai, Hussein 'Abid al-Majid, que desapareceu seis meses antes de Saddam nascer. Pouco depois, o irmão de Saddam de 13 anos de idade, morreu de câncer. O Saddam ainda bebê foi enviado para a família de seu tio materno, Khairallah Talfah, até completar três anos.

Sua mãe se casou novamente, e Saddam ganhou três meio-irmãos por este casamento (Barzan Ibrahim al-Tikriti, Sabawi Ibrahim al-Tikriti e Watban Ibrahim al-Tikriti). Seu padrasto, Ibrahim al-Hassan, passou a tratar duramente seu enteado após seu retorno. Com cerca de 10 anos, Saddam fugiu da família e voltou a viver em Bagdá com seu tio Kharaillah Tulfah. Tulfah, o pai da futura esposa de Saddam, era um devoto muçulmano sunita e um veterano da Guerra Anglo-Iraquiana de 1941 entre nacionalistas iraquianos e o Reino Unido, que havia transformado-se numa grande potência colonial na região. Sob a orientação de seu tio, ele frequentou uma escola nacionalista em Bagdá. Depois da escola secundária, Saddam estudou em uma escola de lei iraquiana por três anos, a qual abandonou em 1957 na idade de 20 anos para aderir a um partido revolucionário pan-árabe, o Partido Socialista Árabe Ba'ath (fundado na Síria por Michel Aflaq), do qual seu tio era um defensor. Durante este tempo, Saddam, aparentemente, se sustentava como professor de escola secundária.

O sentimento revolucionário era característico na época no Iraque e em todo o Oriente Médio. No Iraque, progressistas e socialistas atacavam as elites políticas tradicionais (burocratas e latifundiários da era colonial, ricos comerciantes e chefes tribais, monarquistas). Além disso, o nacionalismo pan-árabe de Gamal Abdel Nasser no Egito influenciaram profundamente os jovens baathistas como Saddam. A ascensão de Nasser prenunciou uma onda de revoluções em todo o Oriente Médio nas décadas de 1950 e 1960, com o colapso das monarquias do Iraque, Egito e Líbia. Nasser inspirou ideias nacionalistas em todo o Oriente Médio, lutando contra os britânicos e os franceses durante a Crise de Suez de 1956, modernizando o Egito, e unindo o mundo árabe politicamente.

Em 1958, um ano depois de Saddam haver entrado para o partido Baath, oficiais do exército liderado pelo general Abd al-Karim Qasim derrubaram Faiçal II. Os baathistas se opuseram ao novo governo, e em 1959, Saddam estava envolvido em uma conspiração malsucedida, apoiada pelos Estados Unidos, para assassinar Qasim, carrasco do monarca e líder do novo regime golpista. Acusado de complô, foi condenado à morte à revelia em fevereiro de 1960, sentença da qual conseguiu escapar fugindo para o Egito e através da Síria, onde as autoridades lhe concederam asilo político.

No Cairo, concluiu seus estudos secundários e foi admitido na Escola de Direito — terminaria a faculdade anos depois, em 1968 —, onde se relacionou com jovens membros do Partido Ba'ath egípcio, de inspiração Socialista e pan-árabe.

Alguns oficiais do exército com ligações com o Partido Baath derrubaram Qasim em um golpe em 1963. Os líderes do partido Ba'ath foram nomeados para o gabinete e Abdul Salam Arif tornou-se presidente. Arif demitiu e prendeu os líderes do partido Ba'ath no final daquele ano. Saddam retornou ao Iraque, mas foi preso em 1964. Pouco antes de sua prisão e até 1968, Saddam ocupou o cargo de secretário do partido Ba'ath. Escapou da prisão em 1967 e rapidamente se tornou um dos principais membros do partido. Em 1968, Saddam participou de um golpe de Estado liderado por Ahmad Hassan al-Bakr, que derrubou Abdul Rahman Arif (irmão de Abdul Salam Arif). Al-Bakr foi nomeado presidente e Saddam foi nomeado seu vice-presidente e presidente adjunto do Conselho de Comando Revolucionário do partido Ba'ath. De acordo com biógrafos, nunca Saddam se esqueceu das tensões dentro do primeiro governo do partido Ba'ath que formaram a base para suas medidas para promover a unidade do Ba'ath, assim como sua determinação para manter o poder e programas para assegurar a estabilidade social.

O Iraque era um estado-tampão estratégico para os Estados Unidos contra a União Soviética, e Saddam foi muitas vezes visto como um líder anti-soviético nas décadas de 1960 e 1970. Alguns até sugeriram que a administração de John F. Kennedy apoiou a tomada de poder dos baathistas.

Em novembro de 1969, Saddam foi nomeado vice-presidente do Conselho do Comando Supremo da Revolução, tornando-se assim o "número dois" do regime, depois do presidente general Al-Bakr, que era seu parente.

Como vice-presidente do Iraque durante o governo do idoso e frágil General Ahmed Bakr, Saddam controlou firmemente o conflito entre os ministérios governamentais e as forças armadas numa altura em que muitas organizações eram consideradas capazes de derrubar o governo, criando um aparelho de segurança repressivo. O novo regime logo se aproximou da União Soviética e em 1972 um Tratado de Amizade e Cooperação foi assinado entre os dois países. Depois, também foram selados acordos com a Alemanha Ocidental, o Japão e os Estados Unidos.

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