São Miguel das Matas é um município brasileiro do estado da Bahia. Sua população é de 10 334 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE.
O município de São Miguel das Matas está localizado no Vale do Jiquiriçá da Bahia, limitando-se com os municípios de Laje (ao Sul), Amargosa e Elísio Medrado (ao Norte), Varzedo (ao leste) e Santo Antônio de Jesus (ao oeste), tendo população estimada em 2005 de 10 464 habitantes e uma densidade demográfica de 50,55 hab/km², segundo projeção do IBGE.
A sede municipal está a uma altitude média de 293m ao nível do mar, possui as coordenadas geográficas de 13° 03' de latitude sul e 29° 28' de longitude oeste, com área de 207,45 km². A sede do município fica a uma distância de 224 km da capital (Salvador), cujo acesso se faz por pelas vias BR 116 e 324, pela BA 045 via Santo Antônio de Jesus - ferry-boat - Bom Despacho.
O município de São Miguel das Matas está localizado na Microrregião Homogênea de Jequié, na Região de Planejamento do Paraguaçu, e faz parte da Região Administrativa de Amargosa, bem como da Região Econômica do Recôncavo Sul. Possui relevo formado por tabuleiros pré-litorâneos e o tipo climático é de úmido a subúmido, com temperatura média de 23,4°C, que varia entre 28,6°C e 19,6°C. O período chuvoso é entre abril e junho tendo uma pluviosidade anual mínima de 360 mm, média de 989 mm e máxima de 1.579 mm com tem risco de seca média.
Em 1557, D. João III doou a D. Álvaro da Costa, filho do então governador-geral do Brasil, D. Duarte da Costa, "as terras que então se achavam incultas e não povoadas, entre os dois rios do braço do mar: Jaguaripe e Paraguaçu, em 4 léguas de costa na largura e de comprimento, 10 léguas para o sertão e pelos ditos rios acima, que fica tudo em distância de 15 e 16 léguas dessa cidade (Salvador) que lhe passou carta em 16 de janeiro de 1557". Isto incluiu as terras que atualmente correspondem ao município de São Miguel das Matas.
Na segunda metade do século XVII, o rei de Portugal, através de Carta Régia, determinou que se criasse, no fundo da Vila de Maragogipe, a Vila de Jaguaripe, no mesmo local da Freguesia de Nossa Senhora D'Ajuda, existente desde 1613, que somente 80 anos mais tarde, em 27 de dezembro de 1693, foi elevado à categoria de município, o primeiro do Recôncavo Baiano, denominado Vila de Nossa Senhora D'Ajuda de Jaguaripe. Em 1931, foi extinto e anexado ao município de Aratuípe, mas devido a protestos dos moradores, voltou a ser um município no mesmo ano.
Nos limites mais distantes da vila supracitada, pouco depois surgiu a Vila de São Miguel da Aldeia. A denominação do nome Vila de São Miguel da Aldeia está ligado à visita de um caboclo que passara pela região pedindo ajuda para festejar o santo São Miguel Arcanjo, na Vila de Jaguaripe. Por ser uma pessoa desconhecida, os moradores da Vila não ofertaram suas ajudas, sugerindo que o caboclo retornasse à sua vila e trouxesse a imagem do referido santo, a fim de que pudesse confirmar a veracidade da promessa. Durante o retorno à Vila de Jaguaripe, o caboclo foi acometido do vírus da varíola, o que o levou a óbito.
A partir desse fato, em 1765, o lugarejo passou a ser chamado de São Miguel da Aldeia. "São Miguel" em referência ao arcanjo Miguel, e "Aldeia" em referência as leis de proteção às aldeias. As primeiras casas, sedes de fazendas, localizavam-se na antiga Rua de Telha (onde hoje se localiza o Clube Social), e outras se localizavam próximo a estação ferroviária e na entrada principal da cidade, hoje chamado Baixa de Areia.
Em decorrência de uma grande epidemia de varíola que assolou a vila, na década de 1790, o que ocasionou um grande número de mortes, os moradores das fazendas da Baixinha, conhecida como Triângulo, fizeram uma promessa a São Roque, protetor das pestes, construindo posteriormente, em 1802, uma pequena capela em frente ao local onde foram enterradas as vítimas, onde a partir do fim da peste passou a ser o principal local das celebrações religiosas realizadas pelos padres franciscanos de Acaju ou Cajueiro. Os franciscanos utilizavam-se de sermões educativos sobre o modo de plantar, de colher e de beneficiar o cultivo do café, bem como distribuíam sementes aos colonos miguelenses.
Com o desenvolvimento da cultura da mandioca, do café, da cana-de-açúcar, do fumo e da criação de gado, o lugarejo se desenvolvia com pequenas casas comerciais e algumas moradias em torno da Capela de São Roque, fatos que influenciaram a coroa portuguesa a elevar o local a Freguesia de São Miguel da Aldeia. Ato feito através de alvará de 24 de novembro de 1823, quando o imperador D. Pedro I cria a primeira freguesia do império. O arraial de Nova Laje passou a fazer parte da Freguesia de São Miguel da Aldeia, que por integrar ao seu território o novo arraial, passou a ser chamado de São Miguel da Nova Laje, sendo este o quinto distrito da Vila de Jaguaripe.
As disputas de posses de terras eram frequentes e ceifaram a vida de muitos colonos. As leis eram feitas de acordo com a conveniência e influência que cada um tinha perante o governador da província, mesmo sobre a égide da Justiça de Jaguaripe. A representação legal da justiça em São Miguel da Nova Laje era exercida pelo juiz de paz. Na inexistência de alguém que residisse no local e atendesse a todos os requisitos exigidos pelo posto, o vigário assumia essa função. Nesse período, o vigário, o professor e o juiz de paz eram as pessoas mais respeitadas do lugar.
Em São Miguel da Aldeia, os padres jesuítas ajudavam os indígenas da escravidão que os bandeirantes e os sertanistas impunham aos habitantes das aldeias, deslocando-os para longe das rotas dos desbravadores. A topografia das aldeias também contribuía para que os povos indígenas se protegessem dos invasores, que ao perceber a aproximação refugiavam-se nas matas, sobretudo na Mata do Cruzeiro, formando novas aldeias. Em 1758, o Marquês de Pombal autorizou o governador-geral do Brasil a expulsar os jesuítas.
Com a expulsão dos jesuítas da vila de São Miguel da Aldeia, suas terras foram redistribuídas em formas de sesmarias, através do D. Afonso de Portugal e Castro, em 22 de janeiro de 1780. As terras do padre José Ferreira de San Payo foram divididas entre três sesmeiros: José Felix da Motta, Manoel da Motta de Carvalho e Francisco Gonçalves da Motta, que residiam às margens do rio da Dona. Restando apenas aos herdeiros da família do Padre San Payo a sede da fazenda, situada próximo a cidade de Varzedo, no ponto San Payo da antiga estrada de ferro.
Em 24 de novembro de 1823, foi criado um distrito com a denominação de São Miguel, sendo subordinado a Santo Antônio de Jesus. Foi desmembrado de Santo Antônio de Jesus em 1 de junho de 1891, sendo elevado a município com administração autônoma em 8 de junho de 1891, quando foi marcada sua emancipação. Em 31 de dezembro de 1943, foi extinto, tendo seu território anexado novamente a Santo Antônio de Jesus. Por meio de um decreto de 1 de junho de 1944, foi elevado novamente a município, adotando finalmente a denominação de São Miguel das Matas.
Organização Político-Administrativa
O município de São Miguel das Matas possui uma estrutura político-administrativa composta pelo Poder Executivo, chefiado por um Prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele, e pelo Poder Legislativo, institucionalizado pela Câmara Municipal de São Miguel das Matas, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composto por 9 vereadores também eleitos por sufrágio universal.
Atuais autoridades municipais de São Miguel das Matas
Prefeito: Valdelino de Jesus Santos "Baleia" - PSDB (2021/-)