São Miguel é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, na região do Alto Oeste Potiguar, a uma distância de 431 km da capital do estado, Natal. Ocupa uma área de pouco mais de 166 km², e sua população em 2024 era de 24 329 habitantes, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo então o vigésimo quinto mais populoso do estado. Maior produtor de milho do Rio Grande do Norte, São Miguel é um centro de zona na hierarquia urbana do Brasil, exercendo influência sobre as suas imediações.
Sua história começa no século XVIII, quando ocorreu a chegada do português Manoel José de Carvalho à zona serrana do Rio Grande do Norte, dando origem ao povoado em torno de uma lagoa, em 29 de setembro de 1750, no dia de São Miguel Arcanjo, que se tornou o padroeiro local. No século XIX (1875), foi elevado à categoria de vila e depois à categoria de município, desmembrado de Pau dos Ferros. Desde a sua emancipação, desmembram-se de seu território os atuais municípios de Doutor Severiano (1962), Coronel João Pessoa (1963) e Venha-Ver (1992).
Na metade do século XVIII, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal, Manoel José de Carvalho veio de Icó, Ceará, à procura de novas terras que pudessem ser povoadas e dessem melhores condições de sobrevivência. Chegando à zona serrana do Rio Grande do Norte, ele encontrou uma vegetação diversificada, dando à região uma beleza singular. Durante a caminhada, muitos lugares foram registrados, alguns desses dados por ele, que permaneceram até hoje com o mesmo nome no registro histórico, como as lagoas dos Cedros, dos Mil Homens, São João. Manoel ficou deslumbrado durante sua trajetória na região devido ao clima agradável e às belezas da região, e afirmou:
O nascimento da vila ocorrera em 29 de setembro de 1750, no dia em que era comemorado o dia de São Miguel Arcanjo. Após o fundação do pequeno povoado, este começou a crescer, devido principalmente à vinda de pessoas de outros lugares para São Miguel. A base econômica do povoado começou a se desenvolver principalmente na agropecuária, mas em um processo que ocorreu lenta e gradativamente. Inicialmente subordinado a Portalegre, o povoado de São Miguel passou a pertencer a Pau dos Ferros após a emancipação deste, em 1856. Naquela época, só existiam, na região do oeste potiguar, apenas três povoados (Apodi, Portalegre e Pau dos Ferros), sendo que outros dois começavam a se destacar, sendo São Miguel um deles (o outro era Luís Gomes), mas seu crescimento era mais dificultado devido à sua localização em serra.
Em 9 de setembro de 1875, por meio da lei provincial n° 775, São Miguel é elevado à categoria de vila e, ao mesmo tempo, era criada a freguesia de São Miguel. Em 11 de dezembro de 1876, a vila é desmembrada de Pau dos Ferros e São Miguel torna-se um novo município do Rio Grande do Norte. A instalação oficial do município e da freguesia, que se tornara paróquia, ocorreram em 29 de junho de 1883. A nova paróquia teve como primeiro pároco o Pe. Cosme Leite da Silva, que exerceu a função até sua morte, em 1909.
Em 1911, o nome do município fora alterado de São Miguel do Pau dos Ferros. Tal alteração permaneceu até 1938, quando, por meio do decreto de lei estadual n° 474, em 26 de abril de 1938, o município volta ao seu nome original. Em 1950, ano do bicentenário da fundação de São Miguel, a cidade ganha uma estátua em honra ao seu padroeiro, que foi inaugurada em 17 de agosto no meio da Praça 7 de Setembro. Em 1953, através de leis estaduais, o município passou a ser constituído pela sede e mais dois distritos: Coronel João Pessoa e Doutor Severiano, ambos desmembrados na década de 1960 e elevados à categoria de município. Em 1963, foi criado o distrito de Padre Cosme, atual município de Venha-Ver, emancipado em 1992. Desde então São Miguel permanece com a mesma divisão territorial.
Em 2009, durante as comemorações do São João na Serra, o Parque da Lagoa de São Miguel foi restaurado, tornando-se um dos principais atrativos turísticos da cidade. A inauguração deste atrativo turístico ocorreu em 20 de junho, com um show da dupla Zezé Di Camargo & Luciano.
Distante 431 km da capital estadual, Natal, São Miguel ocupa uma área de 166,233 km² (0,3148% da superfície estadual), dos quais 6,8535 km² constituem a área urbana. Limita-se a norte com Doutor Severiano, a sul com Venha-Ver, a leste com Coronel João Pessoa e Encanto e a oeste com Pereiro e Icó, ambos no Ceará. Conforme a divisão territorial vigente desde 2017, São Miguel pertence à região geográfica imediata de Pau dos Ferros, dentro da região geográfica intermediária de Mossoró; até então, com a vigência das divisões em mesorregiões e microrregiões, fazia parte da microrregião da Serra de São Miguel, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Oeste Potiguar.
O relevo do município, com altitudes predominando entre 400 e 800 metros, é ondulado e está inserido no Planalto da Borborema, do qual fazem parte as serras do Camará, das Porteiras e de São Miguel e o Serrote Verde. A geologia local compreende rochas graníticas datadas do período Pré-Cambriano superior, com idade entre 600 milhões e um bilhão de anos, dentro da área de abrangência do embasamento cristalino. Os solos são argilosos, bem drenados e relativamente férteis, característicos dos solos podzólicos vermelho-amarelos equivalentes eutróficos, chamados de luvissolo na nova classificação brasileira de solos. Esses solos são cobertos pela vegetação de pequeno porte, que perde suas folhas na estação seca, a Caatinga, intercalada com trechos de floresta caducifólia, de porte maior.
São Miguel possui toda a sua área territorial nos domínios da bacia hidrográfica do rio Apodi-Mossoró, sendo cortado pelos riachos Moura e São Gonçalo. Dentre os reservatórios, o maior deles é Açude Bonito, a dez quilômetros da cidade, com capacidade total para represar 10 865 000 m³. O município está incluído na área do semiárido brasileiro definida pelo Ministério da Integração Nacional em 2005, cuja delimitação levou em conta o índice pluviométrico e o risco de seca. Levando-se em conta apenas a precipitação, o clima é tropical chuvoso, com chuvas concentradas no primeiro semestre. Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de chuva em 24 horas registrado na cidade atingiu 200 mm em 20 de fevereiro de 1959, seguido por 198 mm em 25 de março de 1958 e 185 mm em 22 de março de 1960. O recorde mensal é de 836,6 mm em março de 1960.
A população de São Miguel no censo de 2010 era de 22 157 habitantes, número que cresceu 8,5% em relação ao censo de 2022, quando foram contabilizados 23 537 residentes. No censo mais recente, a densidade demográfica era de 141,59 hab/km², a razão de sexo era de 93,86 homens para cada 100 mulheres e 68,18% da população vivia na zona urbana.
Em relação à cor ou raça, a maior parte da população (57,72%) era branca, havendo também pardos (36,64%) e pretos (5,4%) e minorias de amarelos (0,21%) e indígenas (0,03%). Ainda segundo o mesmo censo, da população com idade igual ou superior a dez anos, 89,13% eram católicos, 6,46% evangélicos, 2,86% não tinham religião e 0,07% eram espíritas. Outras denominações, 1,48%.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado médio. Segundo dados do último relatório, divulgado em 2013 com dados referentes a 2010, seu valor era de 0,606, estando na 83ª colocação no estado e na 3 999ª do país. Considerando-se apenas a longevidade, seu valor é 0,747, o valor do índice de renda é 0,573 e o de educação 0,518.
Em 2010, 60,34% da população micaelense vivia acima da linha de pobreza, 21,34% abaixo da linha de indigência e 18,32% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 56,03% no rendimento total municipal, valor quase 24 vezes superior à dos 20% mais pobres, de apenas 2,36%, sendo o índice de Gini, que mede a desigualdade social, igual a 0,54.
De acordo com a lei orgânica de São Miguel, promulgada no dia 3 de abril de 1990 e alterada por meio de emendas posteriores, a administração municipal se dá pelos poderes executivo e legislativo, o primeiro exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, e o segundo representado pela Câmara Municipal, que possuía nove vereadores até 2016, número que subiu para onze a partir de 2017.